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    quinta-feira, 27 de setembro de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Primeira Noite de Crime", por Marlo George

    Quarto filme da franquia deixa evidente o desgaste da franquia


    Tiro, porrada e bomba!

    Foi-se o tempo em que essa mistura mágica era o suficiente para gerar clássicos instantâneos, que hoje só reverenciamos por memória afetiva e apego. Os filmes de ação dos anos 80 já são balzaquianos e só os respeitamos por seus cabelos brancos. Hoje em dia, um longa, por mais razoável que seja, exige um plot interessante. E não pode ser uma ideia qualquer, como a de um veterano tentando vencer uma guerra que eu nem me lembro, mas que ele não esquece, ou um brucutu cuja filha corre perigo nas mãos de um sósia qualquer do Freddie Mercury.

    Não! Tem que ser uma trama bacana, legal ou no mínimo instigante.

    Foi o caso de Uma Noite de Crime, de 2013, que inaugurou a franquia The Purge que teve mais três filmes e uma série de TV. Uma Noite de Crime: Anarquia, logo no ano seguinte, apresentou o "Sargento", de longe a personagem mais legal da marca que foi interpretado por Frank Grillo (o Ossos Cruzados do Universo Cinematográfico Marvel) também no terceiro longa, 12 Horas para Sobreviver: O Ano da Eleição, de 2016. Esses três primeiros filmes da saga são bons e trazem personagens cativantes e bem desenvolvidos. O que não aconteceu em A Primeira Noite de Crime, novo filme da franquia, que demonstra que o tema já foi explorado à exaustão e que não convence.

    A história é a mesma, 12 horas de crimes liberados para liberar a tensão dos estadunidenses sedentos por sangue, anarquia ou qualquer outra sandice. Em A Primeira Noite de Crime, testemunhamos um experimento do governo estadunidense que irá determinar se essa medida seria a solução para o problema da violência em solo norte-americano. Tudo acontece em uma ilha habitada pelas chamadas "minorias" daquele povo, onde por um período de 12 horas é baixada uma Lei que exclui a ilicitude de atos criminosos praticados pelos residentes da ilha. Deste modo, ficamos sabendo a razão real da aplicação dessa medida, em todo o território dos EUA, nos filmes seguintes, e também na série de TV, que estreou esse mês.

    O filme tenta realizar uma auto-crítica sobre o problema dos conflitos raciais, desigualdade de oportunidades e ao falho "American Way of Life", mas não logra êxito ao descontextualizar o discurso com sequências violentas e personagens descartáveis. Enfim, era uma oportunidade de protestar contra a atual situação do país na Era Trump que foi desperdiçada por uma descabida sanha pela bilheteria fácil.

    O que é mais triste é que esse protesto ou autocrítica teria favorecido o núcleo científico do longa, encabeçado por Patch Darragh e Marisa Tomei. Na pele do Chefe de Operações Ario Sabian e da idealizadora do projeto, Drª. Updale, respectivamente, os atores poderiam ter tido mais conflitos (e mais falas), o que criaria mais consistência em toda essa ideia mirabolante de deter a violência liberando a violência. Pouco é explicado, analisado ou concluído e o resultado final é totalmente absurdo. Um problema que deveria ter sido resolvido pelo roteirista James DeMonaco, que já havia trabalhado no segundo e terceiro filmes da série cinematográfica, quando entregou roteiros mais inspirados.

    Ao deixar de lado o núcleo mais interessante do longa, tiveram destaque os núcleos de vítimas do sistema e dos contraventores, formados por elencos fracos e personagens genéricos.

    A heroína do filme, interpretada por Lex Scott Davis, é uma ativista anti-purga que precisa proteger o irmão tapado, assim como alguns de seus vizinhos e conhecidos. A atriz é novata e defende bem o papel, apesar da personagem ser mal escrita. O irmãozinho delinquente dela era a personagem que mais chamou minha atenção no início do longa, mas o ator é péssimo e o desenvolvimento porco do roteiro tratou de fazer esvair o pouco interesse que havia sobrado. Para piorar ainda nos empurram goela abaixo um herói relutante, interpretado pelo inexpressivo Y´lan Noel, da série Insecure. Engraçado que eu fiquei muito afeiçoado por um personagem psicopata chamado Skeletor, que era uma mistura inesperada de Coringa (vilão da DC Comics) com Vera Verão (do nosso saudoso e considerado Jorge Laffond, um mito). Foi interpretado por Rotimi Paul. Ele eu curti, apesar dos pesares.

    Para encerrar com chave de ouro, no terço final temos uma cena de explosão que parece ter sido editada por uma criança de 14 anos. Sério, é tão sofrível que chega a ser um desrespeito com o expectador. A trilha sonora incidental também é ruim e as canções que permeiam o filme são chatas demais, mas isso nem é culpa do diretor e sim do público que consome esse tipo de porcaria pop que estão espalhadas nas playlists do Spotify e Deezer. A música negra americana passa por um momento muito triste, e digo americana pra internacionalizar a situação. Você sabe do que estou falando.

    A Primeira Noite de Crime é o segundo filme do diretor Gerard McMurray. Desejamos mais sorte na próxima empreitada.

    E assim foi essa primeira noite de purga. Entre mortos e feridos não sobrou ninguém. Nem roteiro, nem elenco. Nem nada.



    Marlo George assistiu e não sobreviveu também.
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