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    sábado, 3 de novembro de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Sueño Florianópolis", por Kal J. Moon

    Destaque no Festival do Rio 2018 - mas entra em cartaz em 15/11/2018 nos cinemas brasileiros -, dirigido por Ana Katz, estrelado por Mercedes Morán, Gustavo Garzón, Marco Ricca, Andrea Beltrão e grande elenco, "Sueño Florianópolis" expõe uma situação incômoda de um casal em busca de algum tipo de resolução, por mais doloroso que seja - e que acaba encontrando outra coisa...

    Férias, sol, praia refelexão e corações partidos
    Quem já viajou de férias com a família e se meteu numa tremenda roubada, com eventos vexamitórios passados a quilômetros de casa, pode imaginar o que passou a família de Lucrécia e Pedro no início de "Sueño Florianópolis" - que vão desde ameaça de vômito no carro, ficar sem gasolina à beira da estrada e chegar na casa previamente alugada, descobrindo que, bem, não era exatamente o que foi combinado por telefone (só avisando que a trama se passa no verão de 1990). Nem mesmo o horroroso hábito de fazer um garrafão térmico de refresco em pó misturado com água mais ou menos gelada foi deixado de fora.

    Na trama, os argentinos Pedro (Gustavo Garzón) e Lucrécia (Mercedes Morán), separados após 22 anos de casamento, decidem viajar de férias com seus dois filhos adolescentes rumo ao litoral sul do Brasil. Motivados pelo câmbio favorável, caem na estrada dentro de um Renault 12, sem ar-condicionado, e viajam 1.750 km até Florianópolis (Santa Catarina). Juntos, porém separados, conhecem Marco (Marco Ricca) e Larissa (Andrea Beltrão). O que era pra ser, talvez, uma última viagem em família - Lucrécia faria aniversário em alguns dias -, tornou-se algo bem mais interessante.

    O roteiro - escrito pela própria diretora Ana Katz em parceria com Daniel Katz - propõe uma reflexão sobre a condição humana quando exposta a uma situação adversa, verificando que, no fim das contas, estamos todos sozinhos. É um roteiro que, por diversas vezes, gira em círculos, mostrando uma mesma ocorrência com diferentes personagens, num ritmo bem lento - exatamente como se passa o tempo numa viagem de férias -, com algumas cenas bem desnecessárias (aquelas que estabelecem o terreno do desconforto aparecem no início e se revelam em outras cenas descartáveis, uma vez que o espectador já tinha entendido a mensagem). Mas curiosamente acerta quando passa a focar nas situações vividas sob o ponto de vista de Lucrécia (Morán), finalizando o ciclo através de outra dinâmica, semelhante à inicial, mas sob nova perspectiva. Mesmo com alguns problemas, a trama traduz com exatidão o 'clima' de férias num local nada luxuoso porém aconchegante (e aconchego é justamente o que a maioria dos personagens buscam nessa história).

    Ainda que não seja necessariamente um roteiro que proporcione grandes atuações - mas, sim, a reflexão sobre como diferentes gerações e culturas encaram o amor (ou a falta dele) -, o destaque no elenco vai mesmo para Mercedes Morán (talvez por ser, na maior parte do tempo, o fio condutor da trama), que demonstra bem todos os estados da decepção humana, indo da euforia à contemplatividade passando pelo lamento comiserado. É sob sua perspectiva que vemos que seu quase ex-marido - interpretado por Gustavo Garzón - não sabe bem o que quer sobre o relacionamento de ambos, que ele não aceita dividir o fardo da vida mesmo que ela insista em assumir esse peso, que ele se acha superior a ela quando resolve contar que está tendo um caso (pois ela também teve um antes dele...

    (Mas existe uma cena bem lúdica e praticamente muda onde Lucrécia e Pedro aparecem brincando na água da praia, começando uma brincadeira inocente de jogarem água uns nos outros e acabando com um aborrecimento que meio que simboliza o desgaste da relação. A resposta definitiva se dá num sonho - ou devaneio? - de Lucrécia logo após a comemoração mais bizarra de um aniversário que se tem notícia...)

    O resto do elenco está OK - todos muito à vontade, como se estivessem improvisando a maior parte do tempo - mas nada que possa competir com o talento de Morán (que, visualmente, parece uma mistura das brasileiras Ana Rosa com Cássia Kis Magro).

    A direção de fotografia - comandada por Gustavo Biazzi - trabalha com muitos closes (como se o espectador tivesse de examinar de perto aquela situação peculiar) misturados com muitas panorâmicas, utilizando bem o senso de localização para estruturar sua narrativa.

    "Sueño Florianópolis" é um filme simpático que entretém, diverte em alguns momentos e leva à reflexão. Não é todo dia que assistimos a um filme assim...




    Foi a primeira vez que Kal J. Moon viu um Fiat 147 salvar a vida de alguém...
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