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    quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

    CRÍTICA [CINEMA] | "WiFi Ralph", por Marlo George


    Walt Disney Pictures mantém a tradição de sequências bobocas de filmes irados com WiFi Ralph

    Quinquagésimo sétimo filme animado da Disney, WiFi Ralph (cujo título em português supera, em muito, o gringo que traz um spoiler gigantesco), é uma sequência no melhor esquema da Disney: Trama menos interessante que a do original que nos faz questionar a necessidade de se fazer uma continuação de clássicos do gênero animado. Aconteceu recentemente em Os Incríveis 2 (em parceria com a PIXAR) e no passado com os diversos caça-níquéis que eram lançados diretamente para VHS/DVD.

    Quem não se lembra dos infames Pocahontas II: Uma Jornada para o Novo Mundo (1998) e Mulan 2: A Lenda Continua (2004)?

    Pois é! Novamente temos um filme sequência que entrega mais do mesmo e só se salva porque traz um novo universo que foi muito, mas muito bem desenvolvido. Trata-se da fronteira além do fliperama, no universo inexplorado (pelo menos para as personagens do longa) da internet. No filme, Ralph e Vanellope precisam fazer uma busca pela web para conseguir salvar o hardware do game Corrida Doce em um road movie animado cibernético cheio de referências a diversos sites, serviços e, principalmente, hábitos dos internautas. É quase impossível não se identificar com o universo criado.

    Internautas veteranos como eu vão, certamente, amar as menções feitas à serviços antigos como GeoCities, por exemplo. Os mais novinhos e impressionáveis certamente se encantarão com a misteriosa e, na real inofensiva, deep web.


    A direção de arte que ficou à cargo de Matthias Lechner, de Zootopia (2016), e do estreante Ami Thompson é incrível, algo que raramente foi visto em animações. Todo o cuidado da produção e reprodução de cada aspecto do universo WiFi que nos é apresentado no filme torna a experiência de assistir o longa, nos cinemas, em algo inesquecível. Esqueça o roteiro, que como já disse é fraco, e mergulhe no universo sub-criado pela dupla. Só isso já vale muito o ingresso.

    Também de Zootopia temos o diretor de fotografia Nathan Warner, que novamente entrega um bom trabalho. A edição esperta de Jeremy Milton e Fabienne Rawley é outro aspecto que deve ser ressaltado pela primazia e técnica empregados. Ah! E advinhem... eles também estão em Zootopia.

    Tudo muito bonito e bem elaborado, porém, a animação não traz nada de inovador e o 3D novamente não cria imersão suficiente para que se justifique o ingresso mais caro que possivelmente será cobrado nas bilheterias mundo afora.

    A trilha sonora não impressiona. Henry Jackman retornou, porém com um trabalho inferior que o apresentado no filme original.


    Apesar do roteiro bobinho e previsível, alguns dos diálogos são bem inteligentes e garantem alguns momentos hilários. A versão dublada traz adaptações desnecessárias de algumas piadas que só atrapalham a experiência de assistir a versão brasileira.

    E, como não poderia deixar de ser, temos os famigerados "star talents" na dublagem. São aqueles atores, atrizes ou celebridades (e sub-celebridades) famosas brasileiras que servem, na maioria dos casos, apenas para divulgar e vender ingressos. As bolas da vez são Tiago Abravanel, MariMoon, Giovanna Lancellotti e Rafael Cortez.

    Mas Marlo, você achou que a dublagem destas figuras de destaque na mídia tupiniquim fizeram um trabalho ruim? — poderia me perguntar um incauto leitor Poltrona POP.

    A resposta seria um retumbante NÃO! E por que isso?

    Ora, as dublagens tem diretores, que são dubladores experimentados e com anos de atuação no ramo. Estes, que são os verdadeiros responsáveis pelo sucesso da versão brasileira, supervisionam cada etapa da dublagem e, em alguns casos, dublam o filme antes, fazendo uma voz guia para que depois os "famosos" redublem por cima. Por isso que as dublagens com famosos sem experiência em dublagem passam despercebidas. Porque os nossos profissionais são tão capacitados que até essa proeza conseguem fazer. Sacou?

    Não posso afirmar se houve a utilização de voz guia em WiFi Ralph, mas mesmo assim, a dublagem do filme ficou bem bacana. Mérito de toda a equipe.


    No final das contas WiFi Ralph é um filme que eu achava que iria quebrar minha mente, mas que foi bem mais ou menos, viu. Bem dirigido por Rich Moore e Phil Johnston, diretor e roteirista de (é lógico que você já advinhou) Zootopia, respectivamente, o longa animado tinha tudo pra ser um grande filme do estúdio, mas a falta de ousadia do roteiro e da história, que ficou nas mão de uma comissão de escritores, atrapalhou tudo. Uma pena, pois tinha muito potencial.




    Marlo George assistiu, escreveu e acessou a internet pela primeira vez em 1993, se é que aquelas BBS´s da vida podiam ser chamadas de internet...
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