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    quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

    CRÍTICA [CINEMA] | "As Ineses", por Kal J. Moon

    Dirigido por Pablo José Meza, estrelado por Brenda Gandini, Luciano Cáceres, Valentina Bassi, André Ramiro, María Leal e Rafael Sieg, "As Ineses" discute o real papel das famílias numa época em que a impunidade era resolvida apenas com muita compreensão e algum bom senso...


    Família é quem cria
    "As Ineses" possui um interessante roteiro - escrito por Victoria Mammoliti e pelo próprio diretor Pablo José Meza, baseado numa curiosa história real - que, mesmo com uma curta duração (pouco mais de uma hora e dez minutos de exibição), estende-se de forma lenta porém gradual. Por conta disso, poderia ser facilmente adaptada para TV em formato de novela.

    Na trama, temos a singular história de Carmen (Brenda Gandini) e Rosa (Brenda Gandini). As amigas são vizinhas e moram lado a lado. Por essas coisas da vida que não se explica, ambas as mulheres possuem o mesmo sobrenome - García - engravidaram na mesma época e dão à luz no mesmo dia e no mesmo hospital da cidade onde moram. A surpresa vem no momento em que os pais recebem seus bebês e percebem que suas filhas parecem terem sido trocadas por engano após o parto. O casal loiro recebe a bebê morena e o casal moreno, a bebê loira. A confusão se instaura e as mães decidem colocar o mesmo nome para as duas garotas e resolver o problema de imediato. O filme se passa em 1985, quando ainda não era comum testes de DNA para determinar a paternidade de uma criança. A chave para entender os códigos presentes na trama é o pulso das cenas artísticas onde as combinações de montagem, arte e figurino permite recriar o cativante cinema de costumes argentino, cuja localização é uma cidadezinha distante de Buenos Aires, meio esquecida no tempo..

    É nosso dever avisar que este não é um filme em que o espectador precisa apreciar uma grande atuação ou figurino e nem mesmo uma prestigiosa direção de fotografia.- nem mesmo a direção parece interessada nisso - mas, sim, em presenciar uma história contada da melhor e mais didática forma possível.

    E ainda: alguns personagens só estão lá figurativamente, sem muita interferência na trama - ou porque estiveram lá quando aconteceu na vida real. Alguns acontecimentos só existem para justificar determinadas atitudes de outros personagens em relação ao desvendar do "mistério" ao fim da narrativa - que nem é tão complicado assim de descobrir mas que revela algo bem inesperado na última cena do filme.

    Porém, nada disso é um real empecilho para apreciar "As Ineses", que só chega agora aos cinemas brasileiros, apesar de ter sido lançado originalmente em 2016.

    "As Ineses" é uma comédia agridoce, que rende uns risinhos tímidos por conta da gravidade do problema enfrentado por essas famílias - que acabaram, de certa forma, se tornando parentes - numa época em que a tecnologia ainda não era evoluída o suficiente para ajudar na resolução de um mistério que só a vida teve o capricho de criar. Vale como curiosidade.



    Kal J. Moon assistiu, criticou e foi comer bolinho de chuva com mate, enquanto apreciava a relva da planície andina ao som do Gaúcho da Fronteira...
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