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    quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

    CRÍTICA [STREAMING] | "Polar", por Kal J. Moon

    Dirigido por Jonas Åkerlund, estrelado por Mads Mikkelsen, Matt Lucas, Vanessa Hudgens, Katheryn Winnick, dentre outros, "Polar" é o novo filme disponibilizado na plataforma de streaming Netflix.


    Bumbum granada
    Antes de iniciar, faz-se necessário informar algo importante: "Polar" é uma adaptação de uma história em quadrinhos surgida primeiro na internet - que depois virou uma série de encadernados pela editora Dark Horse -, escrita e desenhada pelo espanhol Victor Santos. Com este fato em mente, podemos analisar melhor este filme, ok?

    Este é um filme dedicado aos fãs de tramas recheadas de ação. Mas aquela ação "raiz", que possuem um protagonista carismático e uma história que, se não é necessariamente inédita, pelo menos é bem contada. E "Polar" é o melhor de dois mundos nesse sentido.

    Na trama, Duncan Visla (Mikkelsen) é um mercenário assassino prestes a se aposentar. Mas por conta de um acordo draconiano feito com seu empregado, começa a ser caçado até a morte antes que possa se aposentar e ganhar oito milhões de dólares. Enquanto isso, encontra Camille (Hudgens), uma jovem que parece ter medo do passado e não tem muita certeza sobre como será seu futuro...

    O roteiro de "Polar" - escrito por Jayson Rothwell - é bem simples no sentido de contar uma trama que já vimos diversas vezes, porém tornando-se uma decente adaptação, mesmo sabendo de sua menor escala frente a blockbusters aclamados como a saga "John Wick" e outros nem tanto como "Atômica". Embora um tanto extenso - e com mais personagens descartáveis do que deveria ter -, a trama entrega um bom filme de ação, que não deve em nada a clássicos do gênero.

    O diretor Jonas Åkerlund - que veio do subestimado seguimento dos videoclipes musicais, tendo trabalhado com nomes díspares como Madonna, Rammenstein, Beyoncé, U2, dentre outros - preferiu fugir dos clichês visuais desse tipo de filme criando uma assinatura imagética forte e rica em cortes rápidos, cores cítricas e violência crua quase beirando o 'splatter', com muito sangue voando na tela, tiros na cabeça, além de picantes cenas de sexo - com direito a nudez frontal e tudo.


    (Curiosamente, apenas duas atrizes aparecem nuas em cenas de sexo. Dentre elas, Ruby O. Fee [que tem o rosto muito parecido com o da atriz brasileira Camilla Queiroz] interpreta a personagem Sindy, uma espécie de "Arlequina do mundo real" - cuja função é seduzir os alvos dos mercenários para quem trabalha - e encena com Mikkelsen a cena de sexo mais selvagem, quase pornográfica, porém nada gratuita pois é a preparação de algo intrínseco na cena seguinte)

    Os destaques do elenco são mesmo Mads Mikkelsen e Vanessa Hudgens. Mikkelsen encarna com maestria o mercenário de bom coração - afinal, matar é apenas o trabalho dele. Além de estar com um físico necessário e invejável, desempenha bem os momentos dramáticos, elevando a qualidade de um filme que poderia passar por corriqueiro no fim das contas. Hudgens parece estar querendo se afastar o máximo possível da imagem colorida e adolescente do seriado "Glee" e entrega uma performance contida na medida certa, alternando os momentos de depressão de sua personagem de forma correta e segura.

    Já os outros membros do elenco sofrem da tal "assinatura imagética" que tanto o diretor e o roteirista quiseram desenvolver. Todos os outros personagens da trama tem figurino escandaloso - lembre-se de que são assassinos mercenários - e agem como se tivessem saído de um desenho animado destinado a crianças bem pequenas. Só para ter uma ideia, Matt Lucas interpreta o vilão Mr. Blut, o chefão da empresa que está caçando ~"nosso herói". Apesar de uma motivação razoavelmente plausível, age como se fosse uma criança mimada, numa atitude cartunesca ao extremo. Já Katheryn Winnick, que faz sua consigliere, está correta mas a trama não lhe entrega muito o que fazer além de dar conselhos óbvios e tentar resolver as burradas que seu chefe se mete...

    A direção de fotografia comandada por Pär M. Ekberg - aliada à esperta edição de Doobie White e a música energética de Deadmau5 - trazem uma experiência parecida com "Hanna" e, visualmente falando, entregam o que deveria ser um filme perfeito do Wolverine antes de "Logan"...

    "Polar" é um entretenimento eficiente dentro do gênero proposto e proporciona algumas boas surpresas e uma lufada de frescor na dramaturgia oriunda de um obscuro gibi.



    Kal J. Moon mal pode esperar pela continuação - ou uma série - baseada em "Polar". Sonhar não custa nada...
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    2 comentários:

    1. Ótima crítica. Assisti a este filme ontem à noite e gostei, provavelmente, devido às suas personagens caricatas e dos exageros extremos. Mas as cenas de tortura foram demasiado fortes para mim. Não consegui olhar na maior parte...

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      1. A cena da tortura foi realizada com requintes de crueldades mesmo... (KJM)

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    Item Reviewed: CRÍTICA [STREAMING] | "Polar", por Kal J. Moon Rating: 5 Reviewed By: Kal J. Moon
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