728x90 AdSpace

  • Nerd News

    quinta-feira, 7 de março de 2019

    CRÍTICA [CINEMA] | "Capitã Marvel", por Marlo George


    Novo filme da Marvel Studios não arriscou, mas petiscará boa parte da bilheteria e do coração do grande público

    NÃO É PRA VOCÊ!

    O título acima não se refere à toda polêmica em torno da declaração (mal-interpretada) dada por Brie Larson de que Capitã Marvel "não era um filme para homens brancos". Não, não é disso que estou pretendendo escrever, mas sim do fato de que este novo longa da Marvel Studios não é para o fã de quadrinhos, nem para os cinéfilos e (realmente) muito menos para o "homem branco" genérico do qual a atriz se referia. Trata-se de um filme para o grande público como, aliás, o são todos os filmes da Marvel Studios, com excessão de Capitão América 2: O Soldado Invernal, Thor: O Mundo Sombrio e Vingadores: Guerra Infinita, que são acima da média e podem ganhar um status antecipado de clássicos.


    O filme também não é ruim, como muitos estão dizendo por aí. Também não é o "pior filme da Marvel". Afinal, a franquia tem filmes péssimos, como Homem de Ferro 2 e Vingadores: Era de Ultron, que é o pior de todos.

    Concluindo, o filme é bom. E ponto final.


    A HEROÍNA MAIS PODEROSA DA MARVEL DA ÚLTIMA SEMANA

    Capitã Marvel apresenta a heroína mais poderosa dentre os maiores heróis da Terra. Carol Danvers, interpretada pela mal interpretada Brie Larson, ganha uma origem para chamar de sua, juntamente com um background espacial, emprestado de Guardiões da Galáxia. A história contada tem uma estrutura narrativa inteligente, mesclando o passado e o presente da personagem, preparando o público para encontrá-la novamente no futuro (em abril próximo) quando ela retornará em Vingadores: Ultimato, longa que concluirá a terceira fase do Universo Cinematográfico Marvel.

    Porém, apesar da linha do tempo esperta, o roteiro é pobre e o filme carece de diálogos legais, conflitos mais acalorados entre as personagens, monólogos e frases de efeito. O que é de se estranhar, afinal, havia espaço para isso tudo, especialmente por conta de toda a expectativa criada por alguns de que o filme traria um discurso feminista, ou de empoderamento feminino. Bem, o filme tem algumas cenas que mostram certo "empoderamento" da personagem, mas isso foi bem dosado e não parece ter sido algo que os diretores e roteiristas do filme, Anna Boden e Ryan Fleck, tinham como prioridade. O filme levanta a bandeira do empoderamento, mas não a agita muito.


    A história do filme é inspirada nas HQs escritas por Kelly Sue DeConnick (que inclusive faz uma breve aparição no filme), trazendo alguns aspectos da personalidade da heroína retratada nestes gibis, assim como uma ou outra referência ao material original. No mais, trata-se de uma história montada com base nos demais filmes da franquia.

    Aliás, não é surpresa para ninguém que a personagem veio sendo remodelada para se tornar a heroína mais poderosa da Marvel Comics, nos últimos anos, tendo em vista que DeConnick começou seu trabalho no título em 2012, coincidentemente quando Disney comprou os direitos da franquia, que passou a ser chamada de Universo Cinematográfico Marvel.

    Se levarmos em conta que os personagens que pertencem aos universos dos X-Men, Quarteto Fantástico e Homem-Aranha estavam sob a tutela de outros estúdios na época, nada mais óbvio que "empoderar" uma heroína de casa para fazer frente à franquia rival, DC Comics, e sua Mulher Maravilha.


    A HEROÍNA CERTA PARA A ATRIZ ERRADA

    Com sua super poderosa heroína pronta para encabeçar uma produção cinematográfica, a Marvel Studios anuncia na Comic-Con de San Diego de 2016, Brie Larson como a atriz que iria empunhar as mãos energéticas da Capitã Marvel.


    Porém, a atriz não correspondeu ao que se esperava dela. A impressão que ela passa é de desconforto ao interpretar a personagem. Não passa credibilidade e muito menos tem o carisma necessário para entregar um bom trabalho. Nem parece aquela atriz de O Quarto de Jack, filme que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz em 2016. Carol Danvers deveria ser sacaninha, meio sarcástica, mas o que Brie nos mostrou foi uma personagem má-educada, cabisbaixa e enfadonha. Aqueles sorrisinhos de lado (como o da foto acima) que ela exibe por toda a fita só complementam a antipatia que a personagem transmite.

    Isso é ruim, pois prejudicou o filme, uma vez que Larson está presente em quase todos 124 minutos do mesmo.

    Na minha opinião sua escalação para o papel foi um equivoco.


    ELENCO HEROICAMENTE ENGAJADO EM FAZER O LONGA FUNCIONAR

    Se por um lado Brie Larson não mostra muito comprometimento com a produção (pelo menos é o que parece), o restante do elenco segura as pontas.

    Samuel L. Jackson está de volta como Nick Fury, desta vez mais jovem e inexperiente, faceta que Jackson personificou muito bem. Fury tem sua história aprofundada, tornando-o uma das personagens mais importantes de todo o elenco da franquia.


    Outro rosto conhecido é o de Clark Gregg, nosso estimado agente Phil Coulson. Com uma participação breve, Gregg, que (assim como Jackson) teve seu visual rejuvenescido, manda muito bem e também ganhou mais background para sua personagem.

    Com isso, quem também ganha é a S.H.I.E.L.D. que apesar de não ser uma personagem de carne e osso, é uma entidade com presença marcante em todos os longas do Universo Cinematográfico Marvel. A agência sai do filme engrandecida e com várias pontas soltas devidamente preenchidas, especialmente no que diz respeito à sua tecnologia.

    Alguns coadjuvantes de Guardiões da Galáxia tiveram mais tempo de tela em Capitã Marvel e também ganham mais importância. Ronan, o Acusador, vivido por Lee Pace, já se mostra ameaçador em tempos passados, sendo belamente defendido por seu intérprete e Korath justifica, finalmente, o porquê cargas d´água Djimon Hounsou fez uma ponta em Guardiões da Galáxia.

    Dentre os novatos temos Lashana Lynch, que nos apresenta à melhor amiga de Carol Danvers, Maria Rambeau. A atriz é boa e este foi o primeiro trabalho dela que assisti. Oriunda das séries de TV, tem futuro no cinema.

    Falando na família Rambeau, tenho que citar Monica Rambeau. Ela foi interpretada pela atriz Akira Akbar. Aos onze anos (no filme) ainda é aquela garotinha chata que está lá apenas pra fazer conexão do público infantil com a heroína protagonista.


    A britânica Gemma Chan, da série Humans e dos filmes Duas Rainhas e Podres de Ricos, ambos de 2018, vem ganhando espaço e vive a kree Minn-Erva. Chama pouca atenção e não passa de uma coadjuvante de luxo. Outra que não foi bem utilizada foi a quatro vezes indicada ao Oscar Annette Bening. Não dá pra falar dela sem entregar um spoiler imenso...

    Ben Mendelsohn como Talos e Jude Law como Yon-Rogg são gratas surpresas do elenco. Este último parece que encontrou o caminho das grandes produções de ação e tem futuro nessa nova etapa da carreira, que vinha definhando nos últimos anos.

    Ah! Sim!, o gato. Pois é, como não falar nele. Goose, interpretado pelos felinos Reggie, Archie, Rizzo e Gonzo (que não foram mal tratados durante as gravações) tem grandes chances de concorrer ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. Brincadeirinha, mas ele literalmente rouba a cena, ainda mais a sua versão digital.


    A TECNOLOGIA E A ARTE DA CAPITÃ

    Nos aspectos técnicos o filme é impecável. A computação gráfica é incrível, especialmente nas cenas finais, a montagem e edição do filme dão o ritmo certo e o som só ajuda a deixar tudo ainda mais grandioso.


    Já a trilha sonora incidental é enfadonha. A personagem não ganhou um tema tão poderoso quanto a querem vender e o resultado final passa despercebido. Composta pela turca Pinar Toprak, que também compôs pra série Krypton, da DC Comics, não convence.

    A direção de arte, assinada por um coletivo, é bacana, mas deixa a impressão de que o orçamento para essa pasta foi curta. As cenas espaciais ficaram bem legais, especialmente em Hala, o planeta da raça Kree. Já as cenas que se passam na Terra, durante os anos 90, ficaram com visual pobre, deixando a impressão de que faltava algo, da mesma forma como aconteceu em Thor, o primeiro filme. A responsável pelos sets foi nossa velha conhecida Lauri Gaffin, de Thor e dos longas do Homem de Ferro, e isso explica muita coisa.

    Do diretor de fotografia eu sou fã. Ben Davis doutrinou em Kick-Ass: Quebrando Tudo, de 2010, e já fez diversos trabalhos da Marvel, como Guardiões da Galáxia, Vingadores: Era de Ultron e Doutor Estranho. Davis não decepcionou e mostrou o mundo de Carol Danvers com fotografia primorosa, vertiginosa e bela de se ver. Novamente, Davis ensinou como se faz.


    O figurino ficou à cargo de Sanja Milkovic Hays (Star Trek: Sem Fronteiras) e é bem decente, se ignorarmos o fato de que o uniforme da Capitã parece estar incomodando a atriz, deixando-a sem a postura apropriada para uma super-heroína, como pode ser observado em algumas fotos que ilustram esta crítica. O departamento de maquiagem impressionou, em especial no seu trabalho com os skrulls, como podemos ver acima.

    A direção do filme, como já citado acima, é da dupla Anna Boden e Ryan Fleck, que co-escreveram o filme e, após alguns tombos no caminho, saíram ilesos. Porém, o trabalho não está à altura dos Irmãos Russo (Capitão América 2: O Soldado Inverna, Vingadores: Guerra Infinita) e pode ser que não estejam na direção da sequência de Capitã Marvel que em breve deve ser anunciada. Basta que o longa chegue perto do bilhão de dólares que isso se concretizará. Afinal, o saldo da primeira aventura da mais poderosa heroína da Marvel foi positivo.



    Marlo George assistiu, escreveu e também tem um gato malhadinho e amarelado.
    • Comente no site
    • Comente no Facebook

    0 comentários:

    Postar um comentário

    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Capitã Marvel", por Marlo George Rating: 5 Reviewed By: Marlo George
    Scroll to Top