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CRÍTICA [CINEMA] | Jojo Rabbit, por Marlo George

12:55 Marlo George 0 Comments


Um misto de Hansi com O Menino Maluquinho, Jojo enfrenta o período turbulento da Segunda Guerra Mundial no novo filme de Taika Waititi

Alguns anos atrás um amigo me enviou uma história em quadrinhos curiosa. Hansi, the Girl who Loved the Swastika (Hansi, a Garota que Amava a Suástica, em português) é um gibi inédito no Brasil, mas que foi lançado nos EUA pela editora Spire Christian Comics, com desenhos de Al Hartley. Contava a história de uma menina alemã que, como sugere o título, amava o nazismo até que, após a chegada dos soviéticos e a ocupação de seu vilarejo, fugiu para os EUA, onde se converteu ao cristianismo. Era um gibi ruim com uma proposta religiosa canhestra e anti-comunista, mas que ficou na minha memória muito mais pelo título, que acho bem original e ousado, do que pela história em si. Era baseado na autobiografia de Maria Anne Hirschmann.

Jojo, o protagonista do novo filme do criativo diretor Taika Waititi, é muito parecido com Hansi. Também ama a suástica, tem Hitler como um exemplo a ser seguido (chegando ao ponto de tê-lo como amigo imaginário) e é convicto de que pertence à raça superior que deve regular o mundo. Porém, apesar de toda a sua visão de mundo, ele não passa de uma criança e nesse aspecto ele me lembrou muito O Menino Maluquinho, de Ziraldo. Jojo chega até a usar uma panela em sua cabeça durante o filme. Distorcida pela ideologia nazista e lúdica pela sua idade, sua visão de como o mundo funciona é bastante interessante, especialmente ao vermos como infantil era o pensamento dos adultos da época, porque naquela época, um nação inteira foi refém de uma visão da realidade utópica e foram convencidos de que eram superiores que as outras, tendo exterminado mais de 5 milhões de judeus em campos de concentração.

Taika Waititi se aproveita da conveniente protagonização de uma criança para fazer uma crítica ácida aos nazistas e aos amantes de suásticas. Perfeito.


Mas não foi apenas no roteiro, adaptado do livro Caging Skies, de Christine Leunens, que Waititi foi bem sucedido em seu novo filme. O diretor, que já tinha convencido em Thor: Ragnarok, demonstra que é um realizador ousado e com assinatura própria. Assim como o filme do herói asgardiano, Jojo Rabbit é um filme colorido, com paleta de cores suaves e com uma correção nas áreas mais escuras que deixou a cor preta bem presente. Esta edição deixou o longa gostoso de assistir. A edição ficou à cargo de Tom Eagles, da série Ash Vs. Evil.

A trilha sonora é de Michael Giacchino (Star Trek, The Batman) e é comovente, acompanhada de versões alemãs de músicas dos Beatles e David Bowie. Além de uma sequência engraçadíssima com um cover da música I Don´t Wanna Grow Up, dos Ramones, que confirma a intenção de Waititi em tirar sarro da falta de amadurecimento dos nazistas.

A grande estrela do filme é o jovem Roman Griffin Davis, o Jojo, que foi muito bem aproveitado por Waititi. Esse é seu primeiro filme e ele já mostrou que tem futuro, tendo sido indicado para vários prêmios na temporada de premiações, como o Globo de Ouro. Destaques também para Scarlett Johansson, que viveu a mãe de Jojo, Rosie, Rebel Wilson como uma nazista atrapalhada e que rouba a cena, assim como para Sam Rockwell, que interpretou o interessantíssimo Capitão Klenzendorf, um personagem raso e profundo ao mesmo tempo.

Assista este filme.


Marlo George assistiu, escreveu e acha que esse filme deixa o chatérrimo e pretensioso "A Vida é Bela" no chinelo

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