Tire as crianças da sala! O novo filme de Robert Eggers, O Homem do Norte, não é para os fracos de coração, e sim para os sedentos por vingança


Assim como A Lenda do Cavaleiro Verde, filme recente de David Lowery, é baseado no romance de cavalaria do século 14, Dom Galvão e o Cavaleiro Verde, o novo filme de Robert Eggers, O Homem do Norte, foi baseado em uma história antiga, que foi compilada nos manuscritos conhecidos como Gesta Danorum, que conta, entre outras façanhas do povo escandinavo, a saga de Amleth.

Como William Shakespeare, que inspirou-se na mesma fonte ao escrever o clássico Hamlet, Eggers conta, de modo diferente, a história de Amleth, um herói trágico que encara uma estrada de desgraças e provações em busca de vingança. Com referências e influência de clássicos do cinema do século XX, Eggers entrega entretenimento em um filme artístico, sem fanfarronices, porém, cheio de licenças poéticas.

O Homem do Norte é um filme duro, realista e bem fotografado. O longa me lembrou muito, em estilo, ao clássico de 1972, Aguirre, a Cólera dos Deuses, do diretor Werner Herzog.  

Como Herzog, Eggers nos mostra o herói enfrentando seus problemas de frente, levando-nos junto em sua jornada árdua. É possível sentir seu fardo, se compadecer e ter vontade de ajudá-lo, tão próximo que estamos dele. Os closes, planos sequência e atmosfera sufocante tornam o filme uma experiência interessante. Encaramos Amleth e corremos ao seu lado, tornando-nos íntimos dele e testemunhas de seus feitos. Com ele, queremos vingança. A direção de fotografia é de um velho aliado de Eggers, Jarin Blaschke, que trabalhou com o diretor em O Farol e A Bruxa, e novamente nos brinda com um trabalho excelente, para dizer o mínimo.


O roteiro foi escrito por Eggers e Sjón (Lamb). Além da história interessante e consistente, o roteiro mescla de forma inteligente a realidade crua enfrentada pelas personagens, com os momentos fantásticos inspirados por suas crenças. Realidade e magia se mesclam, sendo mostradas ao espectador ao mesmo tempo. Porém, é possível separar o que está acontecendo de fato, no mundo real, do que está ocorrendo somente na mente dos envolvidos, por meio de sua fé.

O filme é muito, muito violento, porque aquele lugar era um lugar violento. A fé tem muita importância, porque aquele era um lugar de fé. Violência e fé revestem o filme com uma capa vermelho-sangue de realidade berrante, que contrasta, mas combina, com o cenário gélido do norte europeu. As locações são belas e cenários muito bem escolhidos. A decoração do filme também é muito bem feita, sendo acurada e realista.

A direção de arte é muito arrojada e me lembrou muito a do filme Cruzada, de Ridley Scott. Não foi surpresa quando descobri, após pesquisar para esta crítica, que a equipe tinha como diretor de arte sênior, Robert Cowper, que é o diretor de arte do filme de Scott.

A trilha sonora é interessante e foi composta pelos estreantes Robin Carolan e Sebastian Gainsborough. Começaram com o pé direito, trazendo profundidade às cenas e criando temas singelos e bonitos para as personagens.

Louise Ford, que trabalhou com Eggers em seus filmes anteriores, editou o filme. O trabalho é muito, muito bem feito. O filme é coeso, bem ritmado e a paleta de cores bem escolhida.


O filme é estrelado por Alexander Skarsgård. O ator é muito versátil e convincente como o herói endurecido como aço, Amleth. Através dele sentimos o calor de sua vontade vingativa e houve muita química com Anya Taylor-Joy, que interpreta Olga, seu interesse romântico.

Outros destaques do elenco são Nicole Kidman, como Rainha Gudrún, Claes Bang, como Fjölnir e Ethan Hawke, como Rei Aurvandil. Oscar Novak interpreta o jovem Amleth e me impressionou muito como este garoto, novinho ainda, é tão bom ator. Se tiver bons agentes pode ter futuro.

O Homem do Norte é um filme rústico, forte, duro e que tem referências e equipe certas. Não tinha como dar errado. Eggers disse, outrora, que o filme era uma mistura de Andrei Rublev (longa soviético disponível com legendas no Youtube) com Conan: O Bárbaro. Eu acho que o filme tem luz própria. Servirá de referência no futuro, pois se serviu de boas referências.



Marlo George assistiu, escreveu e já se sentiu tentado à vingança

Neste link, deixamos uma sugestão de compra geek, mas você pode nos ajudar fazendo uma busca através deste link, e deste modo poderemos continuar informando sobre o Universo Nerd sem clickbaits, com fontes confiáveis e mantendo nosso poder nerd maior que 8.000. Afinal, como você, nós do portal Poltrona POP já éramos nerds antes disso ser legal!