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CRÍTICA [CINEMA] | "Mortal Kombat 2", por Kal J. Moon

Dirigido por Simon McQuoid, estrelado por Adeline Rudolph, Karl Urban, Martyn Ford, Tati Gabrielle, Jessica McNamee, Mehcad Brooks, Ludi Lin - com participação de Josh Lawson, Tadanobu Asano, Chin Han, Hiroyuki Sanada, Max Huang e Lewis Tan, dentre outros -, o filme "Mortal Kombat 2" (ou "Mortal Kombat II", uma vez que o numeral no título é utilizado apenas no Brasil) traz o segundo capítulo do reboot da franquia cinematográfica baseada no cultuado game e, finalmente, atende os desejos da imensa legião de fãs... Quer dizer, mais ou menos...


"Você acha que é isso que as pessoas querem ver?!"
A frase que serve de título para esta análise é dita pelo personagem Johnny Cage - um ex-ator de filmes de ação dos anos 1990 que, agora, para sobreviver, participa de Comic-Cons vendendo memorabilias e autógrafos em cartazes de suas produções (semelhante ao que ocorre com o personagem interpretado por Mickey Rourke em "O Lutador") - para justificar a um fã porque não faz um reboot de seu filme de maior sucesso. Essa cena (que tem a breve participação de Ed Boon, cocriador do game) tem todo um contexto de explicação ao público - e até uma leve crítica à indústria cinematográfica - de como funciona o cinema de ação realizado de 2010 para cá (com direito a citar nominalmente o maior expoente desse período).


Mas, por conta de uma escalação equivocada - no caso, nosso considerado Karl Urban -, soa mais como alguém que é "mais ator" do que a cena exige para que funcione. Porém, por outro aspecto, essa pergunta aí do título também poderia ser a indagação do público a mais uma tentativa tímida de trazer esses amados personagens dos games às telonas - que acaba se refletindo em como a produção pode ser contemplada pela audiência...

Na trama - continuação do filme de 2021 (clique AQUI para ler nossa crítica) -, os campeões marciais do mundo inteiro - e Johnny Cage - são colocados uns contra os outros numa sangrenta e definitiva batalha, sem regras ou limites, para derrotar o sombrio governo do temível Shao Kahn, que ameaça a própria existência do Plano Terreno e seus defensores.


Entenda: ninguém - nem público e muito menos audiência - espera que o lore de Mortal Kombat seja explorado no cinema como uma trama de estratagema político de proporções próximas ao que foi feito em séries como "Game of Thrones", por exemplo (até porque levaram oito temporadas para contar essa história - com um final que desagrada a maioria do público). Porém, quando se compara o conjunto (roteiro, atuação, edição E excepcional trilha sonora - que possui um dos temas mais empolgantes da História da Sétima Arte) do CLÁSSICO filme dirigido por Paul W.S. Anderson em 1995, tem-se a impressão de que tanto o filme lançado em 2021 quanto este novíssimo exemplar é algo feito para crianças e adolescentes - ainda que seja algo sanguinolento demais para essa faixa etária.

E não, não é proibitivo que algo com um peculiar nome como "Mortal Kombat" tenha uma trama mais simples e objetiva, pois os games também compartilham dessa ideia... Mas custava ter um elenco mais carismático, como o do filme original? Custava ter um figurino um pouco menos "cosplay de luxo"? Custava ter uma direção que, mesmo nos momentos que exigem alguma dramaturgia, entregasse algo decente em termos de emoção (e por que cargas d'água alguém cujo único crédito anterior no currículo foi a direção de um COMERCIAL DE SERVIÇO DE CAIXA ELETRÔNICO acabou sendo contratado para comandar o reboot dessa franquia?! - sim, é sério)?


Custava ter cenários que não fossem apenas feitos em CGI e que não lembrassem, o tempo todo, algo que poderia ser visto em séries como "A Roda do Tempo", "O Senhor dos Anéis - Os Anéis de Poder" ou, pior, algumas das novelas bíblicas da Rede Record? E, talvez, o mais importante: custava ter DEMITIDO o compositor Benjamin Wallfisch (responsável pela trilha sonora insossa do filme anterior e deste novo exemplar mas também por outras igualmente irrelevantes em filmes como "Blade Runner 2049", "The Flash" "Twisters" e "Kraven - O Caçador" - ou seja, o cara é especialista em fazer trilha para filmes ruins!!!)?!

(aparentemente, custava sim, pois esses dois filmes refletem que faltou bastante dinheiro para entregar algo decente em matéria de visual e demais quesitos inerentes à forma do produto audiovisual)


Sério: a história de "Mortal Kombat 2" até convence - tem problemas mas, até aí, vá lá, a maioria dos filmes de ação / aventura estrelados por super seres também tem... Mas com uma montagem e edição melhor (e mais dinâmica) do que a realizada por Stuart Levy (do obscuro "G.I. Joe Origens - Snake Eyes"), uma trilha sonora EMPOLGANTE (que remetesse à original criada por George S. Clinton), uma direção de fotografia mais ousada e com ângulos diferenciados melhor do que o que foi entregue por Stephen F. Windon (do recente - e fraco! - "The Electric State"), figurino melhor desenvolvido do que o projetado por Cappi Ireland (do recente "Máquina de Guerra") - que, vale dizer, não são ruins mas imagine, por um instante, se a duas vezes vencedora do Oscar Ruth E. Carter (de "Pantera Negra") estivesse responsável por criar as vestimentas desses filmes? Pois é... - e, por último mas não menos importante, com uma coreografia de luta menos "ensaiadinha" (e menos lenta) do que a criada pela dupla Malay Kim (do terrível "Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis") e Michael Lehr (da série "Irmãos Sun") - só imagine como esse filme seria se as coreografias fossem realizadas pelos profissionais de wi-fu dos filmes chineses...

Se todos esses quesitos fossem melhor trabalhados, provavelmente teríamos uma experiência cinematográfica bem melhor que a do filme anterior e até do filme original. Mas, infelizmente, não foi o caso aqui...


Em matéria de atuação, nem dá para culpar o elenco por conta do material entregue pelo roteiro escrito por Jeremy Slater (de projetos audiovisuais detestáveis como o live-action norte-americano de "Death Note", a decepcionante minissérie "Cavaleiro da Lua" e a insuportável série "The Umbrella Academy" - ou seja, o cara é péssimo quando se trata de adaptações). Quem mais se destaca são Adeline Rudolph (do recente filme "Hellboy e o Homem Torto", que interpreta a princesa Kitana - a verdadeira protagonista do filme), o já citado Karl Urban (da série "The Boys", que até está bem mas se o papel fosse interpretado por Jean Claude Van Damme, aí teríamos alcançado a "limitação" necessária de atuação para que a paródia fizesse sentido enquanto ferramenta de humor e uma pitada benvinda de canastrice - porém, é responsável pela melhor piada da trama, que tem a ver com a franquia "O Senhor dos Anéis") e Josh Lawson (que, vale relembrar, já foi indicado ao Oscar de melhor curta-metragem por "The Eleven O'Clock" em 2016 - grande destaque do primeiro filme, mas que tem menos espaço aqui por conta do que ocorreu com seu personagem anteriormente´... Porem, sempre que aparece, rouba a cena). O restante está bem funcional e competente, na medida do possível.

Fazendo um paralelo culinário, imagine um prato simples (arroz, feijão, uma batata frita e um frango grelhado) mas não tem sal. Para melhorar esse prato, a pessoa que cozinha pode optar por acrescentar alguns temperos de sua preferência para que essa refeição não pareça insossa, certo? Esse novo filme é uma refeição simples, mas totalmente sem tempero. Alimenta, mas não satisfaz.


"Mortal Kombat 2" pode agradar a quem quer uma diversão descompromissada, com mimetização inferior das lutas dos games e algum escapismo. Porém, é uma experiência bem limitada por culpa da inexperiência (e incompetência) dos envolvidos em produzir um espetáculo. E retorno a pergunta feita por Johnny "Fodão" Cage: "Você acha que é isso que as pessoas querem ver?!", Hollywood? A resposta virá do público. E, talvez, não seja a esperada...


Kal J. Moon não gosta de whiskey, Coca ou Morango do Amor mas gargalhou com a piada sobre "O Senhor dos Anéis"...

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