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CRÍTICA [CINEMA] | "Dia D", por Kal J. Moon

Dirigido pelo vencedor do Oscar Steven Spielberg, estrelado por nomes como Emily Blunt, Colin Firth, Colman Domingo, Eve Hewson e Josh O’Connor - dentre outros -, o filme "Dia D" se assemelha a assistir narrativas populares dos anos 1990 (mas de um jeito nada bom...).


Mestre seguindo os passos de um aprendiz
Dizem por aí que a inacreditável obra cinematográfica "Dia D" seria, na verdade, a última parte "espiritual" de uma trilogia iniciada por "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" e "E.T. - O Extraterrestre". Mas o que isso realmente quer dizer? Tenha medo - pelos motivos errados.

Na trama de "Dia D", e se você descobrisse que não estamos sozinhos, se alguém lhe mostrasse, provasse isso, isso te assustaria? Afinal, a verdade pertence a sete bilhões de pessoas. A Humanidade estaria se aproximando do… Dia D?

Spielberg é um grande contador de histórias, foi um dos responsáveis pelo estabelecimento do conceito de 'blockbuster' no cinema mundial e não precisa mais se provar enquanto realizador, certo? Será mesmo? Faça-se a seguinte pergunta: qual foi o último filme excelente dirigido por Spielberg? Ninguém falou em filme "bom" ou "regular", mas, sim, "excelente". Bem, puxando pela sua extensa carreira, a resposta unânime talvez seja o subestimado "Munique". E quanto tempo faz isso? VINTE E UM ANOS?! Pois é...


A verdade é que Spielberg entrou num vórtice de falta de criatividade e tem entregue obras bem irregulares em termo de qualidade narrativa - e não importa se é um equivocado (e moroso!) recorte histórico como "Lincoln" ou um megalomaníaco 'blockbuster' como "Jogador Nº 1" ou, ainda, uma nada sutil autobiografia como o esquecível "Os Fabelmans". Ok, sobra um ou outro lampejo de alguma relevância narrativa como o recente "The Post - A Guerra Secreta"...

Mas, desde o intragável "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" que as coisas andam complicadas para o cineasta - e o mesmo ocorre com "Dia D" (a ponto até de se desconfiar que, talvez, não tenha sido um projeto originalmente concebido pelo realizador de "Prenda-Me Se for Capaz"). Se alguém dissesse que "Dia D" foi, na verdade, escrito e dirigido pelo divisivo cineasta M. Night Shyamalan, talvez boa parte do público nem estaria reclamando tanto. Mas parece que Spielberg resolveu seguir de muito perto os passos de seu mais dileto aprendiz - e pode ter queimado suas penas, ocasionando uma queda iminente...

São tantos problemas nessa atual produção que mal dá para enumerar algo que se destaque positivamente. A começar pelo roteiro de David Koepp (que já escreveu bons filmes escapistas como "Jurassic Park" ou "Homem-Aranha", assim como obras canhestras do nível de "Kimi - Alguém Está Escutando" e o recente "Presença") - livremente baseado numa história do próprio Spielberg -, que mais parece argumento rejeitado para séries como "Arquivo X" e "Roswell". 


Nenhum dos personagens parece ter, de fato, alguma importância ou real relevância na trama, enquanto que um monte de (hilárias!) conveniências ocorrem durante o desenrolar da história - chegando ao absurdo de um técnico de cyber segurança conseguir driblar (da forma mais porca imaginável) de agentes treinados para ameaças corpo a corpo, por exemplo.

O que acaba resultando tanto na direção de Spielberg quanto de todo o elenco - que até está esforçado, fazendo o que pode com o texto mal escrito que recebeu (mas não a ponto de entregar alguma performance que se destaque). Entre "protagonistas" e "antagonistas" - ou o mais próximo do que esse roteiro apresenta -, questiona-se algumas decisões (de direção, atuação e roteiro), não levando ninguém a soluções fáceis, resultado em cenas constrangedoras como a da "luta contra o invisível" (só assistindo para presenciar algo que mais parece saído de "Chaves" ou "Os Trapalhões").

Já nos aspectos técnicos, o mesmo desleixo se repete pois a direção de fotografia de Janusz Kaminski (vencedor do Oscar por seus trabalhos em "A Lista de Schindler" e "O Resgate do Soldado Ryan") nem se esforça em trabalhar a narrativa de forma minimamente criativa - exceto no terço final, quando a audiência presencia a tal 'revelação' através de uma dinâmica amostragem de 'fatos' em espertos cortes (mérito da competente edição de Sarah Broshar, da recente adaptação "Branca de Neve") por meio de uma transmissão em cadeia de uma pequena filial de TV aberta, que logo se transforma em difusão de rede nacional (e mundial!).


E a trilha sonora composta pelo igualmente veterano vencedor do Oscar John Williams (que trabalhou com Spielberg no recente - e estranho - "Indiana Jones e a Relíquia do Destino") é apática e sem vida, entregando apenas o básico do básico, que já foi ouvido um milhão de vezes em diversos produtos audiovisuais de temática semelhante.

"Dia D" é a maior comédia involuntária da temporada e um grave erro na carreira de um dos mais cultuados cineastas de todos os tempos e, provavelmente, o pior filme do ano. E se esse filme realmente for o final "espiritual" da tal trilogia imaginária, é, com certeza, a parte menos inspirada dessa história.  Não era bem isso que a audiência queria quando leu o slogan "o dia da revelação está chegando"... Assista e tire suas próprias conclusões - em dia de promoção ou em casa, por via das dúvidas.




Kal J. Moon nunca pensou que uma piada bem ruim iniciada por "um técnico especialista em cybersegurança, uma ex-freira e uma garota do tempo entram num bar", um dia, ganharia as telas do cinema...

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