Em 2018, ocorreu o anúncio da produção de um terceiro filme da franquia "Legalmente Loira" - cujos dois filmes anteriores são muito cultuados por parte do público, apesar da rejeição da crítica. Desde então, a tal produção que traria o esperado retorno da personagem Elle Woods às telonas (uma vez que o segundo filme tinha sido lançado no distante ano de 2003) passou a fazer parte do chamado "inferno do desenvolvimento" - obras que ganham roteiristas, perdem roteiristas, anunciam diretores, mas, em alguma parte do processo, por diversos motivos, não se ouve mais falar sobre o desenvolvimento e previsão de lançamento (até o momento em que são sumariamente esquecidos).
A última vez em que alguém ligado ao projeto mencionou algo foi Mindy Kalling (atriz, roteirista e produtora de séries de sucesso como "Eu Nunca"), explicando brevemente que ela e um outro roteirista haviam finalizado a primeira versão do roteiro, mas que não poderia falar muito do que se tratava [a história] e que retornariam ao projeto depois do Natal.. de 2025. Já a atriz e produtora executiva Reese Whiterspoon (que interpretou Elle Woods nos dois filmes originais) sempre que pode dá alguma declaração dizendo que espera que um terceiro filme saia em algum momento do futuro.
Na trama da primeira temporada - livremente inspirada no filme de 2001 dirigido por Robert Luketic E também no livro escrito por Amanda Brown -, em 1995, a jovem Elle Woods acaba de fazer 16 anos, rodeada de amigos e amigas (fúteis) na ensolarada Beverly Hills (Califórnia, EUA) e recebe a pior notícia de todas: seu pai, um renomado cirurgião plástico, cometeu um erro médico numa cliente bem famosa e a família precisa se mudar para fugir dos holofotes da mídia. Para onde? Seattle (Washington, EUA). Assim, Elle terá de se habituar a uma cidade de clima predominantemente chuvoso, com pessoas de cabelos pretos ou ruivos, que vestem roupas de cores de tons muito sóbrias, além de uma incômoda atitude passivo depressiva pairando no ar - isso tudo, no auge do movimento "grunge".
A pesquisa para a reprodução estética e "ambiental" do período é tamanha, a ponto de citar nominalmente (e sonoramente) bandas do período como Pavement, Smashing Pumpkins, Soundgarden, Pearl Jam, Oasis e, claro, Nirvana (algumas em chistes jocosos hilários!), fanzines (você não leu errado), além do próprio vestuário da juventude da época refletir perfeitamente o que acontecia naqueles tempos "cinzentos" e bem depressivos - sem contar os aparelhos eletrônicos que, hoje, seriam considerados "relíquia vintage".
O segundo maior acerto da produção foi a escalação da atriz Lexi Minetree (que, um dia, já assinou como "Lexi Jones" e fez pequenas participações em obscuras produções televisivas como "The Murdaugh Murders" ou "Broken") para viver a versão adolescente da personagem Elle Woods. Além da impressionante semelhança física com a atriz Reese Whiterspoon, Minetree capta bem o "espírito" inocente e doce mas inteligente de Woods, trazendo um bom equilíbrio entre momentos dramáticos e de comédia. Apesar do restante do elenco estar bem, Minetree se destaca por ter que suportar bem o peso do protagonismo sem parecer que é o centro das atenções o tempo todo - mérito do veterano escalador de elenco David Rubin, responsável por grandes adaptações como "A Família Addams" e "MIB - Homens de Preto", por exemplo.
Okay, o objetivo da série era, no fim das contas, agradar a audiência mais jovem e tornar essa personagem novamente relevante para saudosistas - o resultado da empreitada mostrou-se positivo pois a produção está em primeiro lugar dentre as mais assistidas da plataforma desde seu lançamento. Entretanto, tem como estabelecer esses mesmíssimos personagens e até essa mesma premissa sem a necessidade de "amaciar" a narrativa por medo de perder parte da audiência. Mas o dilema real não é o de resumir o espírito do filme original em oito episódios ou de Elle Woods passar a gostar mais de Seattle do que de Beverly Hills, mas, sim, da produção, que não se decide entre reinventar a personagem para um público mais jovem ou traz elementos dos filmes originais a fim de atender a um público nostálgico ou, ainda, quem sabe, entregar um "mais do mesmo" que se pode assistir em qualquer esquina de streaming da vida.
"Elle" tem seu ápice em seu prenúncio, segura bem o protagonismo até a metade, mas, infelizmente, dispensa seu atrativo inicial para uma apresentação mediana e aquém do impacto inicial - é uma boa "série do almoço", porém, poderia ser um pouco mais que isso (o que, per se, é uma grande pena). Passa de ano, mas por bem pouco. Agora, é esperar pela já prometida segunda temporada e novos personagens a entrar na vida dessa querida personagem...
Kal J. Moon também chora feio, não se rendeu à onda "grunge", prefere dias chuvosos e sabe o que é um 'zine'...
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