Crítica Cinema

CRÍTICA [CINEMA] : Elysium, de Neill Blomkamp (SEM SPOILERS)

11:31 Marlo George 2 Comments

Data de lançamento: 20/09/2013
Estúdio: TriStar Pictures (Sony)
Direção: Neill Blomkamp
Roteiro: Neill Blomkamp
Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Alice Braga, Diego Luna, William Fichtner, Wagner Moura
Gênero: Ação, Ficção Científica
Duração: 109 minutos
Origem: EUA

Sinopse: No ano de 2154, quando os ricos vivem em uma estação espacial e os pobres em um planeta Terra desolado, um homem assume a missão de reintegrar estas duas sociedades polarizadas.

Elysium

Uma das coisas que mais gosto em um filme é um roteiro bem enxuto e original, uma apresentação de personagens decente e criativa, além, é claro, de um cast de respeito. Se, enquanto assisto uma produção qualquer, eu vier a perceber que tais itens foram satisfeitos ainda no primeiro ato, o filme me ganha e eu mergulho profundamente na trama, sofrendo com as personagens e torcendo para que superem seus dilemas.

Elysium, de Neill Blomkamp, é um destes filmes.

Damon e Blomkamp. Diretor mostrando pra Matt como se faz.
Revelo que sentei na poltrona com um pouco de receio, a primeira coisa que me veio à cabeça foi: "Filme com Matt Damon...Provavelmente será um porre!".

Pois é! Desta vez eu errei.

Em menos de vinte minutos de filme me foram apresentados personagens cativantes que, se não fosse pelos deliciosos exageros e delírios da ficção científica, vivem em um mundo de fantasia que tem problemas muito parecidos com os do nosso próprio mundo real. Miséria, falta de condições dignas de trabalho, assédio moral, péssima distribuição de renda, carência de saúde pública, corrupção, entre outros, são mazelas que todos conhecemos, de uma forma ou de outra, e que estão longe de serem ficção.

Neste mundo caótico conhecemos Max da Costa, um menino de ascendência latina que habita o planeta Terra no ano de 2154. Nesta época, a superpopulação tornou o planeta praticamente inabitável e aqueles que tinham grana foram viver em uma espécie de cidade espacial batizada como Elysium, que orbita a Terra e é o sonho de consumo de todos os miseráveis que restaram por aqui. Os milionários tomaram essa medida, pois já não podiam usufruir de seu estilo de vida extravagante aqui na Terra com tanto pobre em volta.

Wagner Moura faz de Matt Damon um pen-drive humano.
Como emprego na Terra anda escasso, Max se submete a uma rotina exaustiva de trabalho em uma fábrica de propriedade de John Carlyle, um empresário que vive indo e vindo de Elysium para administrar seu negócio de perto. Falando neste tal John, o cara é tão paranoico que não permite sequer que um terráqueo inspire perto dele com medo de se infectar. Isto porque em Elysium não há doenças, uma vez que a tecnologia médica evoluiu tanto, ao ponto de tornar as pessoas praticamente imortais.

Assim como na vida real, na ficção Elysium os pobres nada mais são que recursos para os mais abastados. Recursos descartáveis. Por isso Max é obrigado a acatar a ordem de seu superior e acaba sendo envenenado por radioatividade. Por isso ele vai morrer, pois ele não passa de mão-de-obra substituível. A classe dominante, representada no filme na figura do empresário John Carlyle, vive em seu paraíso particular (Elysium é uma alusão aos Campos Elísios, o equivalente da mitologia grega do paraíso cristão), de onde não mantém contato com os seus pobres serviçais da Terra.

Tem porrada em Elysium. E das boas...
A trama do filme em si se inicia com a contaminação de Max e o diagnóstico de que ele tem apenas cinco dias de vida, antes que a radioatividade debilite seu corpo ao máximo, causando sua morte. Isto porque existe uma esperança: Dar um jeito de ir até Elysium e se curar através de sua avançada tecnologia médica.

Neill Blomkamp, que já havia dirigido outro filme de ficção científica bem sucedido, Distrito 9, nos presenteia com um filme impecável do ponto de vista técnico e também do dramático. Ele já tem uma assinatura de direção apesar de ter apenas dois longas no currículo (o terceiro, também de ficção científica, Chappie, entrará em cartaz 2015 e é baseado em um curta-metragem de 2004, Tetra Vaal, de sua autoria).

Matt Damon está armado e perigoso em Elysium.
Matt Damon continua o mesmo Matt Damon de sempre, com seus altos e baixos. Porém, Elysium é um filme onde os coadjuvantes se destacam e foi muito educado da parte dele dar passagem para os outros brilharem. Jodie Foster está maravilhosa (como sempre) como a Secretária de Segurança Delacourt. A personagem é uma mulher forte, ambiciosa e maquiavélica, caindo perfeitamente no colo da atriz. Wagner Moura provou-se como ator e tem futuro no mercado internacional se não cair em uma armadilha qualquer. Basta escolher bem os projetos que irá se meter, pra não se queimar, e eu já o vejo como um grande astro latino do cinema, como sua colega Alice Braga. Esta nunca desaponta, mas em Elysium atuou meio que no automático. Acho que o problema foi a personagem que é clichê demais.

De todos do elenco, de quem mais gostei foi de Sharlto Copley, que interpretou o mercenário Kruger. O personagem é maravilhoso, tanto visualmente como conceitualmente. Copley acertou no tom e nos entregou um vilão carismático, cínico e bem resolvido. Eu até torci pra ele, durante o segundo ato do filme.

Kurger. Com uma barba dessas só entra em furada.
Quanto aos efeitos especiais só tenho elogios à tecer. Bem diferente de A Hospedeira (filme de Andrew Niccol, baseado no livro de Stephenie Meyer) onde tudo parecia artificial, em Elysium os truques digitais beiram a realidade. Tudo é muito crível. Merece, no mínimo, uma indicação ao Oscar de melhores efeitos especiais. Ganhar acho que não ganha, afinal, tivemos Círculo de Fogo, que certamente irá levar o careca dourado pra casa nesta categoria.

Não perca este filme. Assista no cinema e fique mais feliz neste fim de semana.

     Avaliação: Bom

Marlo George assistiu, escreveu e teve a mente bugada por Elysium.

TRAILER

2 comentários:

  1. resolvi ler a resenha sem o spoiler pq qro assistir e ser surpreendida... e pelo trailer e pela resenha, minha vontade aumentou ainda mais!

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  2. Valeu pelo comentário Jac. Vá sim que vale à pena. Você se surpreenderá mesmo.

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