Crítica Cinema

CRÍTICA [CINEMA] : Ela, por Marlo George.

20:38 Marlo George 0 Comments

Quais são os caminhos e os descaminhos do amor? 

Por que ele tanto nos afeta? 

Por que precisamos dele?

Ela, filme mais recente de Spike Jonze, pode não responder à estas, e outras, perguntas sobre o assunto, mas pode nos fazer refletir.

O filme conta a história de Theodore Twombly, um homem comum que vive em um futuro não muito distante e que decide comprar um sistema operacional (também chamado pela sigla S.O.) com inteligência artificial. Este S.O. deveria, inicialmente, servir como uma espécie de secretária eletrônica super avançada que é capaz de interagir com o proprietário e fazer upgrades conforme adquire experiência. Theodore configurou seu S.O. para que simulasse uma voz feminina e assim o programa assume a "identidade" de uma mulher virtual que se auto-batiza Samantha. Conforme o tempo passa, Samantha (em razão dos upgrades) vai aos poucos tomando consciência de si própria e Theodore, encantado com aquela "mulher" perfeita, acaba se apaixonando por ela.

O mundo lá fora, enquanto Theo vive dentro de si, na companhia de Sam.
Tendo em mãos dois atores fabulosos, talentosíssimos, Spike Jonze nos apresenta um longa que filosofa sobre a aparente e atual inabilidade do ser humano em se relacionar, potencializada pelas novas tecnologias. O filme parece apontar para o que vai se transformar o homem quando o mero contato social, seja direto ou por intermédio de mídias sociais, não for mais satisfatório o suficiente. Quando isto acontecer, a tendência, segundo a teoria Jonzeniana, é o ser humano buscar a satisfação em um contato consigo próprio, nem que sua contraparte seja uma versão virtual de si mesmo, configurada com o único propósito de agradá-lo. Em suma, o homem irá, no futuro, olhar para o próprio umbigo e obter satisfação somente perante ao espelho, por assim dizer.

Longa que filosofa sobre a aparente e atual inabilidade do ser humano em se relacionar, potencializada pelas novas tecnologias.


Os aludidos atores são Joaquin Phoenix e Scarlett Johansson, ou Theodore e Samantha, respectivamente. A química de ambos é tão grande que pode ser sentida pelo mais incauto dos espectadores, apesar da ausência visual de Johansson. O trabalho dela [Johansson] é tão primoroso que podemos questionar novamente a elegibilidade de atores que não estão em cena aos prêmios de cinema, em especial ao Oscar. O tema, polêmico, foi primeiramente discutido na época em que o filme O Senhor dos Anéis: As Duas Torres foi lançado. Este filme apresentou ao mundo o ator Andy Serkis, que fez um trabalho de atuação soberbo como a criatura digital Gollum. Assim como Serkis, Johansson merecia ser pelo menos objeto de consideração pelos membros votantes das premiações de cinema.

Até onde a presença pessoal do ator, em tela, é necessário para que seu trabalho seja reconhecido?

Fica aí, novamente, a questão.

Joaquin Phoenix é um ator à frente de seu tempo.
Phoenix merecia uma indicação ao Oscar por seu Theodore. Ele foi indicado ao Globo de Ouro e outros a cinco outros prêmios menores (até o momento da publicação desta crítica), mas estranhamente não ao Oscar. A forma como sua personagem imerge em seu próprio mundo imaginário ao lado de sua feérica cara metade é comovente. Em vários momentos me peguei torcendo pelo amor de Theodore e Samantha, mesmo sabendo que algo naquele relacionamento estava errado, absurdo. Mas isto se deu por causa do personagem que me foi, tão carinhosamente, entregue por Phoenix.

Theo é um personagem muito bem construído e encarnado.
A música The Moon Song (que concorre ao Oscar de Melhor Canção) reflete bem o amor entre Theo e Sam. Composta por Karen Orzolek e Spike Jonze, é interpretada lindamente no filme por Scarlett Johansson e Joaquin Phoenix.

Ela tem uma conclusão bombástica, paradoxal, que irá explodir cabeças por aí. Falar mais seria dar spoilers...









Marlo George assistiu, escreveu e tem a impressão de estar diante de um filme que terá o mesmo impacto que Matrix teve, mais ou menos quinze anos atrás.



Estreia: 14/02/2014
Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze
Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Scarlett Johansson, Rooney Mara, Olivia Wilde
Distribuição: Sony Pictures
Duração: 126 minutos

Sinopse: Passado em Los Angeles num futuro próximo, Ela (Her) segue Theodore (Joaquin Phoenix), um homem complexo e sentimental que ganha a vida escrevendo cartas pessoais e comoventes para outras pessoas. Inconsolável após o fim de um longo relacionamento, ele se interessa por um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única como nenhuma outra. Logo após instalado, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina vibrante (Scarlett Johansson), perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. À medida que as suas necessidades e os seus desejos crescem, juntamente com os dele, a amizade se aprofunda e acaba se transformando num amor um pelo outro.

0 comentários: