Brian Azzarello,

CRÍTICA [QUADRINHOS] | Coringa, por Andreas Cesar

12:56 Andreas César 0 Comments

A dupla de Lee Bermejo e Brian Azzarello se mostra perfeita em retratar a essência de vilões. Tanto em Lex Luthor : Homem de Aço, quanto em Coringa, eles mostraram que a união de um bom roteiro de Azzarello com o traço belo de Bermejo é o que mais fascina quem busca ler sobre algum personagem para melhor entendê-lo.

O roteirista nos traz um Coringa problemático, insano e imprevisível. Nem mesmo quem trabalha para o assassino sabe o que passa naquela cabeça, mas sabe que não é coisa boa, nem consciente.
"O roteiro é tão envolvente que tem momentos que você esquece que o Batman existe naquele universo"

A melhor imagem do Coringa
de todos os tempos.
A comparação entre os dois gibis é inevitável. "Coringa" é bem maior, dando muito mais tempo de desenvolver a história que em Lex Luthor, logo o roteiro é melhor. Mas, na questão do desenho, Coringa acaba perdendo por um motivo: Mick Gray.

Mick Gray é quem faz a arte-final de "Coringa", e o grande problema é que a maior parte do gibi de Lex Luthor tem a arte-final do próprio Lee Bermejo. Lee mostra-se muito superior à Mick, inclusive em algumas páginas que faz a arte final no próprio gibi do palhaço. As linhas de expressões e músculos são exagerados demais por Mick. Mas isso não compromete a diversão tanto assim, simplesmente causa um incômodo rápido aos olhos, que vão se adequando conforme lê-se o gibi .

"Coringa" traz a história de Jonny Frost, um bandido que vai buscar o palhaço assassino em sua saída do Asilo Arkham. E a partir daí, se torna um braço-direito dispensável do inimigo do Batman. Brian Azzarello mostra o cotidiano e os planos de Coringa, envolvendo você de tal forma na história que você até esquece que o Morcegão existe naquele universo. Mesmo que as ações do Coringa sempre tenham a ver com ele.

As aparições de outros vilões do Batman surpreendem, e mesmo alguns aparecendo muito pouco, o easter-egg é bem legal, fazendo o leitor levar um sorriso ao rosto quando tais personagens se mostram coerentes com aquele universo.

Aventurar-se na jornada de Frost pelo mundo do insano palhaço do crime de Gotham City é muito bom e diverte qualquer leitor de gibis. A leitura pode parecer pesada de início, mas quando se percebe que já está no fim dos quadrinhos, dá vontade que tenha muito mais. Vale muito a pena.


Andreas Cesar leu, criticou e não queria viver nem em Gotham, nem em Nova Iorque!

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