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    quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Steve Jobs", por Marlo George.

    O poder de atração das lendas que envolvem o mitológico ícone do universo da informática Steven Paul Jobs parece ser inesgotável. Só este ano foram lançados dois documentários, "Steve Jobs: The Man in the Machine", do diretor Alex Gibney, e "HBO First Look: Steve Jobs", que engrossam a lista de docs sobre o inventor.

    Agora, dezessete anos depois de "Piratas da Informática: Piratas do Vale do Silício" e dois anos e meio após o lançamento de "jOBS", cinebiografia fraca estrelada por Ashton Kutcher, chegou a vez de Danny Boyle contar a sua versão desta história. E o diretor de "Quem Quer Ser um Milionário?" decidiu contá-la de forma teatral em "Steve Jobs".

    Com takes longos e diálogos pesados, somos literalmente transportados para os bastidores das apresentações dos produtos idealizados por Steve Jobs (Michael Fassbender) e seus colaboradores. Ao mesmo tempo em que testemunhamos a tensão pré-show de cada uma destas apresentações (e a maioria revelaram ao público fracassos de Jobs), acompanhamos a atribulada relação do gênio da Apple com  sua  filha Lisa.

    Deste modo o roteiro tece um paralelo entre a vida profissional e pessoal de Jobs, que não foi poupado pelo roteirista Aaron Sorkin, uma vez que o texto (baseado no livro de Walter Isaacson) não se absteve de mostrar o monstro por trás do homem. Mas mesmo os monstros não estão imunes à redenção.

    Metafórico, "Steve Jobs" só peca por que poderia ter sido um pouco mais enxuto. Acho que mais um corte no filme fosse necessário para fazê-lo mais fluente.

    O formato teatral combina com as locações, já que o longa se passa, quase que totalmente, em teatros onde aconteciam as premières dos inventos de Jobs, lembrando muito (na forma) o filme "Birdman (ou A Inesperada Virtude da Ignorância)", de Alejandro González Iñárritu, o que não é um demérito de jeito nenhum, visto que "Steve Jobs" tem assinatura própria.


    Quanto ao elenco, "Steve Jobs" só reafirma algo que a maior parte dos apreciadores do cinema já atestaram: O talento de Michael Fassbender e Kate Winslet.

    Michael Fassbender é o meu ator preferido dentre aqueles que despontaram nos últimos 10 anos. É impressionante como ele consegue fidelizar qualquer personagem, seja um super-vilão de histórias em quadrinhos, seja um escravocrata ou um baluarte do mundo tecnológico. Não importa. Eu sempre compro os personagens que ele interpreta por essa capacidade natural que Fassbender tem de apresenta-los sempre de maneira crível, não importa o quão absurdos eles sejam. Seu Jobs é intenso, imenso e ao mesmo tempo mundano. Possivelmente não havia ninguém melhor que ele para este papel. As cenas que divide com Jeff Daniels (Debi & Lóide) são um espetáculo à parte.

    Porém, quem literalmente rouba a cena é Winslet. Transformada, irreconhecível, ela mostra algo raro: Poder. Ela definitivamente domina todas as cenas nas quais sua personagem, Joanna Hoffman, está envolvida. Não é por acaso que a atriz ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz por este papel e é uma possível candidata a levar o Oscar pra casa. Vamos aguardar pra ver o que acontece.


    Destaco também o hypado Seth Rogen, que no filme interpreta outro gênio da informática, Steve Wozniak. Mostrou maturidade neste trabalho, mas tem uma carreira tão irregular e aposta em tantos projetos fadados ao fracasso, que só chamou a atenção por isso. De vez em quando todo mundo acerta, este foi um dos acertos de Rogen.

    "Steve Jobs" é um filme que possivelmente não irá agradar a todos, em especial à geração "iPAD" e "iPHONE", que não deve entender o filme por sua narrativa densa e que mostra mais o aspecto conflituoso da vida de um gênio ao invés de exaltá-lo.



    Marlo George assistiu, escreveu e sepultou o iPHONE em uma gafeta qualquer. Prefere o Android. É do contra... fazer o que?
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