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    quarta-feira, 3 de agosto de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Esquadrão Suicida", por Marlo George


    A primeira pergunta que me fizeram após sair da cabine de imprensa promovida pela Warner Bros. Pictures do filme Esquadrão Suicida foi: E aí, Esquadrão Suicida passou, bateu na trave, deu meio à meio, ou é ruim?

    Responderei ao final, preciso antes explicar as razões que me levaram ao veredito final.

    O novo filme de David Ayer é um dos mais aguardados do ano. Mas isso não é à toa. Após uma enxurrada de material promocional, duas mega ações nas edições de 2015 e 2016 da San Diego Comic-Con, e a escalação de um elenco hypado, será grande o interesse dos fãs de filmes baseados em quadrinhos, sub-gênero dos filmes de ação que vem conquistando grande espaço no circuito cinematográfico nos últimos anos.

    Quanto ao meu interesse pessoal em assistir o filme, posso dizer que, se aliarmos tudo que foi dito acima, ao fato de que eu conheço - bastante - o super-grupo de vilões da DC Comics, não foi sem empolgação que fui ao cinema assisti-lo.

    Esquadrão Suicida é um longa com altos e baixos.

    A trilha sonora, repleta de músicas manjadas de Rock n´Roll, que vão de The Animals a White Stripes, pontua o filme. Servindo de fundo para um sem fim de introduções de personagens que rola logo nos primeiros minutos de fita, passando por todos os atos do filme, até sua conclusão, são tantas canções, tantos sucessos, que a trilha sonora incidental, composta por Steven Price, acaba passando despercebida. O que parecia uma decisão errada à princípio, acabou servindo ao propósito do filme. Tais hits, por insistência, criaram um clima roqueiro ao filme, o que casa bem com o tema dos super-vilões.

    Porém, se o "Velho, Sujo e Infame Rock n´ Roll" caiu como uma luva no filme, também serviu para chamar atenção à um dos graves problemas do mesmo: A edição de som. Em algumas tomadas o som simplesmente era deixado de lado para favorecer tais clássicos, deixando uma sensação de vazio. Além disso, a mixagem não incrementa o que está se passando na tela. A impressão que passa é de desleixo ou falta de interesse de fazer um trabalho decente nestes quesitos.


    No primeiro ato nós temos as já citadas apresentações de personagens. Todas são rasas e não mostram nada além do que os fãs de quadrinhos já conhecem sobre aquelas personagens, assim como não ajudam muito à explicá-las para aqueles que nunca haviam ouvido falar nelas.

    De todas as personagens, a que achei mais interessante foi Magia (Cara DeLevingne). Sua origem, função na trama e, em certa medida, a interpretação da atriz, chamam a atenção. Além dela, apenas as personagens Pistoleiro (Will Smith) e El Diablo (Jay Hernandez) são bem desenvolvidas, de forma a fazer com que o público se importe, realmente, com elas.

    A Katana (Karen Fukuhara) também está legal, muito bem representada no filme, mas tem pouco tempo de tela. Merece um filme próprio para ter sua história contada da forma certa.

    Houve a tentativa de desenvolver a Arlequina (Margot Robbie) e Rick Flagg (Joel Kinnaman), mas Ayer falhou imperdoavelmente nessa "missão". Outra falha imperdoável, hedionda até, foi ignorar o passado de Amanda Waller  (Viola Davis), que é uma das personagens mais profundas deste cenário do Universo DC Comics. O filme teria ganho muito se as origens da "Poderosa Chefona" da Força Tarefa X tivesse sido contada, assim como ganharia também, se a mesma fosse aquela pessoa "inacessível" que conheço dos quadrinhos.

    Mesmo mal aproveitado, não posso deixar de destacar Jai Courtney como o Capitão Bumerangue. Nunca fui fã da personagem nos quadrinhos, mas Courtney o interpretou com tanta vontade de fazê-lo do jeito certo que me convenceu. Saí do cinema um pouco mais simpático ao personagem. Uma pena que ele não foi mais ativo nas cenas de batalha. São tantas as possibilidades que fico até meio triste por não ver mais disparadas de bumerangue na tela. Não posso dizer o mesmo de Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje), que não faria falta se não estivesse no filme por sua falta de serventia.


    Ainda falando sobre personagens, enquanto as poucas aparições do Batman (Ben Affleck) são realmente importantes para a trama (e para o Universo Cinematográfico DC), os poucos minutos dedicados ao Coringa (Jared Leto) são um total desperdício de tempo. Affleck está seguro no papel do Cavaleiro das Trevas, o que já tinha sido visto em Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça, mas Leto externa insegurança e pouco domínio de sua personagem. Batman surge como uma ligação relevante deste filme com os anteriores da franquia. Já o Coringa não passa de um engodo, algo que alguém decidiu que precisava estar lá, mas que não deveria. Tudo é muito jogado, de tal modo que, se a pessoa não tiver lido o gibi que conta a origem da Arlequina, escrito por Paul Dini e desenhado por Bruce Timm, não entenderia nada do que acontece naquele "Louco Amor" na versão de David Ayer.

    A trama do filme é bem simples e um pouco arrastada, mas contém surpresas demais para ser esmiuçada nesta crítica que não contém spoilers. Mas posso dizer que o filme demora um pouco pra engatar e quando está prestes a desenvolver, vacila, e põe tudo à perder. Porém, Esquadrão Suicida não é tão ruim quanto alguns veículos da gringa vem apontando. Se algumas arestas fossem aparadas, alguns erros sanados no corte final e, principalmente, duas ou três omissões do cânone dos quadrinhos não tivessem ocorrido, seria um filme bom, que é o que se espera de um longa baseado na nona arte.

    Respondendo a pergunta do início da matéria: Bateu na trave.



    Marlo George assistiu, escreveu e também tem um entidade habitando o seu ser.
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    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Esquadrão Suicida", por Marlo George Rating: 5 Reviewed By: Marlo George
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