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    quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

    CRÍTICA [GIBI] "Fé Cega", por Kal J. Moon

    Qual o limite da fé? Esse suposto limite pode ser ultrapassado por humanos? E se isso fosse possível, o que aconteceria? E por que deveríamos temer as respostas? O que não estão nos contando?

    Essas perguntas permeiam a trama de "Fé Cega", história em quadrinhos escrita por Osmarco Valladão e com arte de Fabrício Guerra, lançada pela Editora Orago através do Selo Orago Digital - que terá, em breve, versão webcomic através da plataforma Social Comics.


    >>> A revista está à venda durante o evento CCXP 2016, na mesa C28 do Artist's Alley. Após o evento, pode ser adquirida no e-mail sampaioguerra@gmail.com .

    Arte promocional da primeira edição de "Fé Cega"
    (Arte: Fabrício Guerra / Divulgação)

    Evitando a certeza da existência...
    "Fé Cega" conta a história de um líder religioso que representa ser uma enorme ameaça a grupos rivais por conta do poder sobrenatural que ele possui. Tais grupos tentam eliminá-lo para não pôr em risco toda uma crença que é mantida há séculos.

    (Contar mais do que isso sobre a história seria um tremendo spoiler e estragaria a diversão de quem não leu...)

    Essa é a primeira edição de uma nova série de suspense e mistério com generosas porções de terror. Terror este que sempre esteve presente no quadrinho brasileiro e parece retornar com grande força nos últimos anos. E que bom que é uma história claramente passada no Brasil contemporâneo - mesmo que parte de uma espécie de realidade alternativa, bem próximo do mundo de "Além da Imaginação" - mas sem vícios norte americanos de linguagem. Os personagens se portam como brasileiros, xingam como brasileiros, REAGEM como brasileiros.
    Em "Fé Cega", ter medo é a regra!
    (Arte: Fabrício Guerra)
    O roteiro escrito por Osmarco Valladão parte de uma curiosa e difícil escolha de tema, mas instiga e nos faz querer acompanhar a história completa de forma imediata, trazendo à lembrança diversas histórias similares mas sem plagiar. Pelo contrário! A homenagem está em voga a todo o momento, com diversos easter-eggs - que vão desde a menção de um importante roteirista brasileiro de terror e suspense à citação de um obscuro filme escrito por Lars Von Trier -, mas que ganham vida própria por conta da trama bem amarrada.

    Porém, apesar de simples, não é uma história fácil de se ler. A impressão que se tem é que, quando transportamos esse tipo de história ambientada em cenário brasileiro, parece ~"errado", como se fosse um sacrilégio - MAS NÃO É, OK? E a todo instante se tem a impressão de se estar num pesadelo do ponto de vista do olho esquerdo.
    Osmarco Valladão (em destaque à direita) numa ponta em "Fé Cega"
    (Arte: Fabrício Guerra
    / Divulgação)
    E quando se lê essa história, ainda que seja apenas o primeiro capítulo, fica a certeza de que algo grande vem por aí. Não estranharia se essa trama fosse transformada em filme ou seriado de TV, com poucos capítulos, dando ganchos à novas temporadas.

    A arte de Fabrício Guerra, alternando traços clássicos e caricatos, adequa-se à trama e transmite cada mensagem contida na história, até aquelas que não são ditas. Diversos momentos visuais teriam sido arruinados se tivessem sido produzidos por mãos erradas - o que, de maneira alguma, é o caso aqui.

    Uma das páginas de "Fé Cega" mostrando que nem tudo é o que parece...
    (Arte: Fabrício Guerra / Divulgação)
    "Fé Cega" é uma rara osmose positiva entre texto e arte em quadrinhos. E já se inicia mostrando a que veio e sem precisar de comparações com outros quadrinhos, seriados ou filmes do gênero. Tem identidade própria e isso é sempre mais importante do que qualquer hype.

    O leitor pode comprar a primeira edição tranquilo, de olhos fechados. E aguardar ansiosamente pelos próximos pesadelos...



    Kal J. Moon não tem pesadelos pois tem dificuldades para dormir. Mas os vivos sempre lhe dão medo...
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