Cinema do Brasil,

[LISTAS PP] | Quais os MELHORES filmes de 2017?, por Kal J. Moon

Embora 2017 tenha sido um ano bem complicado para quem curte cinema, com muitos "esse filme é demais" seguido por um "não, não é nada, você nem entende de cinema" - além, claro, da velha discussão sobre diversão e entretenimento versus arte -, tivemos umas gratas surpresas relacionadas à sétima arte. 


Muitos filmes realmente surpreenderam o público e alguns trouxeram um novo frescor em relação ao que é produzido, tanto no Brasil quanto no mundo. Separamos 15 produções que se mostraram o melhor que o cinema trouxe aos reles mortais no ano que se encerra. Nossos critérios foram que os filmes foram exibidos no Brasil em 2017 e que o conjunto da obra falavam por si só (mas o roteiro, acima de tudo, tinha de ser muito bom, muito acima do que tem sido produzido ultimamente - e não apenas divertido ou que tenha sido um sucesso de bilheteria). Confira:

15) "O Rastro": Para quem achou que os filmes brasileiros de terror estavam aposentados - ou se resumiam apenas à produções que não alcançam o grande público -, este filme mostrou a que veio, entregando momentos de tensão dignos do que só o cinema de terror e suspense é capaz. Com grande destaque para um roteiro que desconstruiu conceitos, "sua trama não segue o esquema de ~'monstro da vez', mesmo que, a princípio, pareça exatamente o contrário" - como diz nossa crítica.



14) "Alien: Covenant": Um dos filmes que polarizou a internet em 2017, gerando discussões se era realmente bom ou ruim. Bem, Ridley Scott, em seus momentos menos inspirados, gerou "Perdido em Marte", que pode não ser um filmaço, é verdade, mas tá longe de ser um filme ruim. Assim como "Alien: Covenant", que dá sequência ao igualmente atacado "Prometheus" - outro filme polêmico -, mostrando que a história que precede a saga "Alien" ganha contornos cada vez mais interessantes e maduros. Marlo George - que só assistiu "Prometheus" dias antes da estreia de "Alien: Covenant" - cobriu Ridley Scott de elogios em sua crítica, por gerar um universo tão ou mais interessante que seu filme original: "Com um filme cerebral, aterrorizante e magnífico, Scott comprovou mais uma vez que é um dos maiores cineastas de sci-fi de todos os tempos".


13) "Um Homem Chamado Ove": Um tema que ainda deve ser mais debatido por nossa sociedade é a depressão - que sim, pode acontecer a qualquer um de nós. E esse filme sueco - que concorreu a dois Oscars (e não ganhou nenhum) - trata de um tema tão pesado com leveza e bom humor ao mostrar um personagem neurastênico mais de perto. Com uma linda fotografia e viradas na trama que realmente vão surpreender quem curte uma boa história sendo contada, "é o filme que vai fazer cada um de nós olhar diferente para aquele vizinho resmungão. Porque, talvez, ele tenha um pouco de motivo em reclamar como o mundo está hoje" - como defendeu nossa crítica.


12) "La La Land: Cantando Estações": Outro grande gerador de polêmicas em 2017, esse filme pode ser colocado na categoria "ame ou odeie", sem meio termo. Houve quem chorou na sala de cinema - né, Marlo? - e houve quem achou bacana e muito bem produzido (assim como muitos outros filmes desse ano) mas não ~"isso tudo" como muitos apregoaram por aí. A verdade é que "La La Land" é um daqueles filmes que precisa ser visto mais de uma vez para se alcançar sua mensagem. Plasticamente perfeito, muito de sua trama é descortinado de forma bem sutil, com pequenas dicas que dão sinais de que o final é o mais próximo da vida real que o cinema pode chegar, mesmo com toda cantoria, que pode irritar a princípio mas faz todo sentido quando chegamos ao fim do terceiro ato. E também tem outro agravante: quem não entende a ~"mecânica" por trás do cinema musical clássico não vai entender porque a história começa e termina da forma que se mostra na telona. Marlo George, em sua crítica, entendeu que "O script também é repleto de detalhes e sub-textos. Aqueles mais atentos vão poder catar várias mensagens escondidas nas entrelinhas do enredo". Então, se não gostou, reassista com menos expectativa e perceba para onde vai a trama. Fará a maior diferença...


11) "Corra!" / "A Bela e a Fera" : Outra grata surpresa para quem curte um bom suspense com pitadas de terror, esse filme conseguiu trazer o debate do racismo de volta a este tipo de produção, saindo da zona de conforto e lançando novas luzes a um assunto que nunca parece esgotado. Ainda que tenha uns probleminhas de ritmo e algumas piadas que são bem anti-climáticas, 'Corra!' mostrou o que pode fazer um comediante quando escreve e dirige um filme bem macabro como esse. "Afinal de contas, não é sempre que vemos que o maior monstro é o próprio ser humano", como alerta nossa crítica. Já "A Bela e a Fera" é um remake da cultuada animação, desta vez magistralmente executada com atores e atrizes de carne e osso. E só o fato de consertar diversos problemas no roteiro da animação original - mas manter todo o espírito da consagrada obra -, já bastaria para estar na lista de melhores filmes de 2017. Porém, além disso, o filme "é um verdadeiro divisor de águas em matéria de musical no cinema - mesmo que não reinvente a roda", conforme explica nossa crítica (e olhe que não somos fãs da animação original, hein...).



10) "Despedida em Grande Estilo": "De longe, o filme mais simpático de 2017", coloquei em meu perfil nas redes sociais assim que saí do cinema ao conferir este remake com elenco estelar e direção inspiradíssima. Revendo recentemente, percebemos como tudo foi bem arquitetado para gerar diversão de primeira qualidade, como há muito não se via. Este filme - de acordo com nossa crítica - "traz conforto à alma dos espectadores por sua trama simpática, mostrando que ainda é possível se divertir e refletir sobre a situação que o mundo está criando às pessoas que já trabalharam demais mas não recebem o que lhes é devido". Dito e feito.



09) "Fragmentado": Alardeado aos quatro ventos como "o filme em que Shyamalan voltou a ser Shyamalan"... Exageros à parte, 'Fragmentado' já merece elogios primeiramente por voltar ao universo de 'Corpo Fechado' - obra seminal deste diretor e roteirista - e também por entregar uma personagem (ou personagens) tão interessante a James McAvoy, dando-lhe a oportunidade de se dividir em oito atuações muito bem desenvolvidas, além de uma trama que, quando assistida por uma segunda vez, traz ao espectador uma maior imersão da obra. "Ainda debate, de forma inteligente, temas tão diversos como abuso, bullying, preconceito, além de uma certeira crítica sobre religiosidade e fanatismo", esclarece nossa animada crítica, escrita por quem torce, há muito tempo, que Shyamalan volte a fazer o que ele sabe: contar boas histórias.


08) "A Lei da Noite": "Este é um filme injustiçado por tocar em feridas que estão abertas até hoje - principalmente quando fala sobre imigração. Affleck sabia com quem tava mexendo. Mas, como seu personagem, pode ter ido longe demais. Entretanto, continuará tendo o apreço de quem curte cinema feito com esmero", ditou nossa crítica em plena semana do Carnaval. Escrito, dirigido e estrelado por Ben Affleck, baseado num obscuro livro, 'A Lei da Noite' eleva o filão dos 'filmes de gangsters' a outro nível, mostrando uma trama coerente, com atuações convincentes e que poderia ter concorrido a prêmios se não fosse a implicância inerente à pessoa de Affleck como diretor. Bem, podem torcer o nariz o quanto quiserem. Affleck sabe do riscado como ninguém. E isso é um fato que não poderá ser negado por muito tempo...


07) "Silêncio": Outro filme estranhamente subestimado - ainda mais sabendo que foi dirigido por ninguém menos que Martin Scorsese - e que ainda se entranha num assunto assunto bem tabu por parte de quem segue o catolicismo mas não conhece as origens da assim chamada "evangelização de novos cristãos". Embora seja um filme longo, por vezes exaustivo, usando muitas vezes do silêncio para contar sua trama existencialista e filosófica - além de possuir um dos piores cartaz já produzidos na História do Cinema -, segundo nossa crítica, "merece ser visto, questionado, debatido e analisado".




06) "Como É Cruel Viver Assim": Este filme foi uma grata surpresa que tivemos a oportunidade de assistir no Festival do Rio em 2017 - mas que só chega ao circuito nacional em 2018. A curiosa história de quatro amigos - ou nem tão amigos assim - que planejam sequestrar um milionário sem nunca terem participado de uma empreitada parecida poderia gerar uma comédia como outra qualquer. E a diretora Júlia Rezende teria condições de realizar algo neste gênero, uma vez que ela é responsável por filmes campeões de bilheteria que fizeram milhões de brasileiros gargalharem. Mas ao adaptar o texto original de Fernando Ceylão às telonas, tivemos um belo exemplar de cinema noir que "começa tenso mas doce, primaveril, deliciosamente suburbano e esperançoso. Mas termina azedo, meditabundo, filosófico até", segundo nossa crítica. Um dos melhores filmes brasileiros em muitos anos, que merece ser debatido em aulas de cinema por conta de sua construção esmerada, fotografia criativa e elenco afiado. Porque é assim que bons filmes são construídos...


05) "Patti Cake$": Dizer que este filme é apenas mais um daquelas obras motivacionais - a feel good movie - que pululam o cinema de quando em vez seria bem preguiçoso mesmo para quem quisesse detratar a obra escrita e dirigida por Geremy Jasper -  que também escreveu as inspiradas letras de rap que compõem a trilha sonora original. Dizer que é um musical, que se parece com este ou aquele filme, seria um absurdo. Segundo nossa crítica - escrita em formato de letra de rap! -, 'Patti Cake$' é "um filme que já nasceu clássico / Escrevendo certo por rimas tortas". Todo o elenco tava muito inspirado, a fotografia é muito bem construída e o espectador sai melhor do que entrou da sessão. Se cinema não puder ser sobre isso, nem quero...


04) "Logan": "É preciso apreciar corretamente pois o canto do cisne é sempre mais belo perto de seu desvanecer", foi o que disse nossa crítica sobre o último filme de Hugh Jackman encarnando o amado mutante Wolverine. Lembrando que foi um feito e tanto que o estúdio liberasse um filme com censura 18 anos, com tamanha violência mas, acima de tudo, com um tremendo respeito ao personagem, como poucas vezes já se viu na tela do cinema. Mesmo que tenha um problema de desvio de roteiro, ainda assim, perto de tudo o que tem sido feito ultimamente com criações advindas de páginas com quadradinhos coloridos, 'Logan' ainda se destaca pelo eficiente e dedicado elenco, além da trama misturando gêneros como road movie, western e filmes de super-heróis. E nunca vi tanto marmanjo junto chorando numa sala de cinema. Que tanto cisco foi esse que caiu nos olhos de todos ao mesmo tempo?


03) "Como Nossos Pais": Como é bom terminar 2017 e perceber o quanto o cinema feito no Brasil pôde evoluir graças à iniciativas de se contar histórias diferentes, que, mesmo que expressem parte de nossa cultura, ainda possam ser compreendidas em outros países. Esse é o caso de 'Como Nossos Pais', ganhador de diversos prêmios no exterior, ainda consegue a proeza de não se limitar a ser 'apenas' cinema de arte, incompreensível, intangível, inalcançável. É cinema feito com esmero, calculado, comercial, que deveria ser estudado todo dia por quem sonha em viver da sétima arte. "O que seria, em mãos inábeis, um amontoado de clichês dignos de novelas mexicanas - nada contra mas cinema requer algo mais elaborado -, transforma-se num subtexto rico em detalhes muito interessantes a respeito do que é estar no íntimo de uma mulher brasileira moderna", afirma nossa crítica, esperando que mais filmes espertos como esse surjam de mentes brasileiras -  porque o público só tem a ganhar.


 02) "Armas na Mesa": Imagine cada segundo que antecede um tapa na cara - daqueles que não se espera, pega de surpresa e deixa uma mancha roxa na parte atingida. Quando a mão acerta a face com força, não há mais nada a fazer a não ser sentir o impacto, não é mesmo? Foi assim que me senti ao final da sessão de 'Armas na Mesa', filme estrelado por Jessica Chastain - atriz com um trabalho cada vez mais impressionante de caracterização. Mérito dividido com Jonathan Perera (um roteirista estreante) e o diretor John Madden (já indicado ao Oscar por seu trabalho em 'Shakespeare Apaixonado'), temos em cena um verdadeiro jogo de xadrez sobre um assunto difícil que exige muita atenção do espectador para não perder nenhum detalhe. E nada preparará para o tapa que certamente virá. Segundo nossa crítica, "é 'O' filme que deveria ser guardado para mostrar às gerações futuras um exemplo de como deve ser feito uma boa dramaturgia". Não tem como discordar, assim como não tem como entender a esnobada que esse filme levou nesta ingrata temporada de premiações.


01) "A Qualquer Custo" / "Yonlu": Estranhamente, 'A Qualquer Custo' foi indicado a diversos prêmios (só Oscar foram quatro indicações, incluindo Melhor Filme) mas não levou nada que fosse relevante. Mas a trama escrita por Taylor Sheridan, dirigida por David Mackenzie, estrelada por Jeff Bridges, Chris Pine e o fenomenal Ben Foster (uma tremenda injustiça não o terem indicado a Melhor Ator Coadjuvante) é de tirar o chapéu. Disfarçado de filme policial, é uma denúncia do que está acontecendo na terra daqueles que um dia já foram aclamados como heróis mas hoje mendigam por conta da recessão econômica que passa os Estados Unidos - assim como muitos outros países, ouvi dizer. Não tem espectador que não ficará pensativo ao final da exibição, imaginando que tudo foi feito de forma correta pois o motivo era plausível - e nada condenável. Já 'Yonlu' - que também assistimos no Festival do Rio em 2017 mas entra estará em circuito nacional (e internacional) apenas em 2018 - "é um misto de homenagem, denúncia e lamento. Tudo feito com sensibilidade e urgência, como não poderia deixar de ser", como resumiu nossa crítica. Apesar de ser baseado numa história real, não segue a cartilha do que a maioria das cinebiografias feitas no Brasil costumam fazer. Misturando drama e cinema autoral, a obra escrita e dirigida pelo estreante Hique Montanari (que já entrevistamos AQUI) - com personagem defendida com unhas e dentes por Thalles Cabral - divide criador e criatura, mostrando que uma madura nova geração de bons contadores de histórias estão surgindo para entregar mais do que lhes foi pedido. E ainda leva o mérito de mostrar a toda uma jovem geração  que depressão é doença séria, que precisa de tratamento adequado e que não é frescura - nunca é. É virtualmente impossível não torcer pelo protagonista ou não se emocionar após a derradeira cena desta produção. E nunca vimos filmes que falassem tão forte ao expectador no Brasil como 'Yonlu' navega por caminhos novos, assimétricos, mas incrivelmente estimulantes. 'Yonlu' e 'A Qualquer Custo' são filmes difíceis, nada palatáveis, mas com discursos extremamente necessários nos dias de hoje. E, por isso mesmo, estão em primeiro lugar nessa lista...

Esta relação poderia estar completa sem as opiniões dos outros críticos da Equipe Poltrona POP. Vamos a elas:

- Andreas Cesar: "'Homem-Aranha: De Volta ao Lar'. Atuação do [Michael] Keaton, roteiro que proporciona um bom motivo pro vilão. Efeitos especiais incríveis e o fato de ser bastante divertido, valendo uma nova sessão";

- Jorge Caffé: "'Guardiões da Galáxia Vol. 2'. Conta com o peso e o charme de seus personagens, além da  competência dos atores";

- Marlo George: "'Logan'. Foi o melhor de dois mundos".


>>> E lembre-se: clique AQUI para conferir quais os PIORES filmes de 2017 na opinião da Equipe Poltrona POP, que entende tudo - mas tudo mesmo - de cinema e entretenimento.


Kal J. Moon agradece por ter assistido filmes que valeram a pena o caro ingresso dos cinemas em 2017...

0 comentários:

Cinema do Brasil,

[LISTAS PP] | Quais os PIORES filmes de 2017?, por Kal J. Moon

Chegamos naquele momento em que refletimos sobre o ano que passou e verificamos o que deu tão errado no cinema de 2017. Alguém tem que levar a culpa por tanta porcaria exibida por aí. Nosso critério de escolha valeu-se de filmes realmente exibidos em 2017, de todos os gêneros - e não somente super produções hollywoodianas.


Elencamos 15 filmes responsáveis pelo que há de pior num ano que ou era muito ruim ou abstraímos e achamos tudo meio ~"nhé" (fale a verdade: você não quer admitir que aquele filme que você viu era essencialmente ruim porque todo mundo tava gostando ao seu lado...). Confira:

15) "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas": Esse filme é meio que um resumo de toda e qualquer produção blockbuster de 2017 - visual absurda e excessivamente colorido mas com uma trama que não é desenvolvida a contento. Baseado numa história em quadrinhos, dirigido por um auto-indulgente Luc Besson e estrelado por  Dane DeHaan e Cara Delevingne (talvez o casal mais sem química da História do Cinema!), "Valerian" é um filme que até tem seus (poucos) momentos mas não engata, com uma trama que para o tempo todo para explicar coisas desnecessárias como a fauna de um planeta ou como funciona um mecanismo que será usado futuramente. E quando Rihanna - que não é atriz - aparece como a personagem mais interessante de um filme, algo está tremendamente errado...


14) "Ninguém Está Olhando": Mesmo que a proposta fosse essencialmente interessante - mostrar a rotina de quem tenta vencer como ator nos Estados Unidos, mesmo sendo latino-americano - e possuindo um ator muito esforçado no papel (Guillermo Pfening, foto), despido de qualquer vaidade, determinado a mostrar a rotina de um viciado na mais letal droga existente, o filme dirigido por Julia Solomonoff erra ao esticar essa rotina ao extremo, criando um ciclo nada interessante de fato, resolvendo sua trama apenas na penúltima cena, quando a atenção do expectador pode já ter se disperso. Resumindo: "Os personagens não tem nada de especial - mesmo que haja curiosidade em saber como terminará essa dolorosa saga", como diz nossa crítica.


13) "Passageiros": Foi um dos primeiros grandes filmes a estrear em 2017 e possivelmente a primeira grande decepção. Gerou uma certa polêmica por mostrar uma situação bem questionável por parte do personagem interpretado por Chris Pratt - mas, principalmente, em relação à decisão tomada pela personagem de Jennifer Lawrence. Um romance água-com açúcar, com belo visual, mas sem nada que valha a pena após a exibição. "(...) é bem piegas e recheado de clichês", vaticinou Marlo George em sua crítica.


12) "Bingo - O Rei das Manhãs": Primeiro filme brasileiro de nossa lista. Quando o filme dirigido pelo estreante Daniel Rezende - estrelado por Vladimir Brichta e Leandra Leal - foi escolhido para ser representante brasileiro ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro, muitos acharam estranho, justamente por haver outros filmes premiados no exterior ("Como Nossos Pais" era o favorito) que poderiam ter uma campanha bem melhor se escolhidos. O público compareceu, muitos críticos adoraram - possivelmente naquela intenção de ~"dar uma força" (o que é algo bem errado de se fazer) - mas temos de dizer: o filme não corresponde a essa expectativa toda criada por uma esperta campanha de marketing. Rezende apropriou-se de todos os requisitos técnicos para desenvolver um filme impecável mas colidiu nos maiores problemas que uma produção desse porte: não conseguir emocionar e não contar uma história de forma eficiente do início ao fim. E quando se baseia um filme numa história real, adapta-se o que é interessante e descarta o que não é, certamente assumindo o risco de adaptar algo que seja melhor que o mostrado na vida real. Não é o caso aqui. Vale pelo casal protagonista mas tem mais erros e indulgências do que os acertos que todo mundo alardeou por aí. Em tempo: "Bingo" está fora da disputa do Oscar 2018. Motivo não falta...


11) "John Wick - Um Novo Dia para Matar" / "Velozes e Furiosos 8": Em Hollywood, continuações são tratadas apenas pelo binômio "maior e mais do mesmo". E o filme estrelado por Keanu Reeves é um "mais do mesmo" gigante, porém sem se preocupar em contar uma história decente por trás disso. claro que quem curte um bom ~"filme de luta" encontrará um perfeito exemplar aqui, digno de expoentes como Steven Seagal ou Chuck Norris - só que feito com muito mais dinheiro. O real problema é justamente o fraco roteiro - e o fato do filme não terminar, deixando muitas situações em aberto para uma terceira investida no cinema. "Faltou o desenvolvimento da trama que envolve a organização dos assassinos. E isso, infelizmente, atrapalha - e muito - a diversão", foi o que disse nossa crítica. E falando em "filme de luta" e cinema de ação, 'Velozes e Furiosos 8' é a epítome do que não fazer ao criar uma produção desse tipo. Com trama risível, absurdos que desafiam a lógica, a física e a moral de qualquer roteirista - me iluda mas não subestime minha inteligência, por favor! -, além, claro, de um diretor comandando um filme no piloto automático (ha!), "estranha-se que F. Gary Gray, um diretor que tem personalidade dentro do cinema de nicho, não conseguiu sequer imprimí-la neste filme, tornando-se algo que não se parece - nem um pouco - com uma película dirigida por ele", como disse nossa crítica. Na verdade, não é de se estranhar, não. Muitos malefícios à humanidade foram cometidos pela mera troca de papel moeda. Não será a primeira nem a última vez, já que essa franquia automotiva ainda renderá pelo menos mais dois filmes e os já anunciados spin-off. É aquele negócio: não gostou, coma menos. É um bom conselho, nesse caso...





10)
"Blade Runner 2049": "(...) acima de tudo, é um filme completamente desnecessário", disse nossa crítica. Mas ser desnecessário torna esse filme essencialmente ruim? Não. Mas se a trama de uma continuação não entrega algo digno do original, embromando onde deveria contar uma história, o que justifica seu lançamento? Assista completamente sem sono. Acredite.





09) "Até o Último Homem": Este filme dirigido por Mel Gibson - e estrelado por Andrew Garfield - dificilmente entraria numa lista de piores do ano justamente por ter concorrido ao Oscar 2017 de Melhor Filme (dentre outras categorias). O problema é que o filme funciona muito bem no início, trabalhando com equidade os dramas, mas derrapa feito da metade para o final, sendo incrivelmente proselitista por uma causa, ainda que humanitária, não atingirá a todos por conta da forma que essa história foi contada, sem parcimônia alguma. Marlo George discorda em sua crítica mas avisa: "Gibson mandou seu recado, por mais reprovável que seja, mas possivelmente sairá ileso dessa vez".


08) "Atômica": Pense num filme decepcionante? Visual esmerado, fotografia saturada na medida certa mas sem uma história à altura que realmente justifique tanto hype - e que afundou nas bilheterias -, "Atômica" foi um dos filmes que trouxeram o protagonismo feminino às telonas. Queremos ver muito mais disso mas com roteiros que privilegiem as atrizes com algo memorável, ok? E não, nada de subestimar a audiência explicando TUDO - até o que não precisa. "(...) o que vemos na tela pode ser resumido como 'potencial desperdiçado'", foi o que sentenciou nossa crítica.




07) "Ghost in the Shell": Quando a campanha publicitária batizou esse filme na América Latina de "A Vigilante do Amanhã" - sério candidato a "título nacional mais vergonha alheia de 2017" -, já era de se esperar que, talvez, vá lá, não seria isso tudo que esperávamos. Mas os trailers entregavam um visual tão próximo do cultuado anime e dos mangás, que muitos de nós - eu incluso - abstraímos e simplesmente esperamos o melhor. Que, claro, não veio. E quando um filme usa a primeira fala para explicar o que significa "Ghost in the Shell" de uma forma bem didática, bem, já sabemos o que esperar. A crítica de Marlo George discorda mas aponta que "apesar de não ter deixado a trama inconsistente, essa opção de não abordar o drama psicológico da androide da maneira como deveria tornou o filme menos interessante".


06) "Pequena Grande Vida": Apesar desse filme estrear oficialmente em 2018, já assistimos durante a programação do Festival do Rio em 2017. E mesmo curtindo muito o trabalho do diretor Alexander Payne, não dá pra defender essa pérola do proselitismo ecológico. Com quase intermináveis três horas de duração, o expectador é apresentado, de forma nada sutil, a uma verdadeira aula de como deixar o mundo ~"melhor". Só quem se salva na trama arrastada é justamente a presença cênica de Hong Chau, que rouba cada cena em que aparece (desbancando até mesmo Matt Damon e Christoph Waltz!), tornando o martírio de assistir esse filme um pouco mais leve. Segundo nossa crítica, esse filme "atira para todos os lados mas não acerta o alvo". Pena.


05) "Mulher-Maravilha": Primeiro grande filme inspirado numa super-heroína com orçamento de mais de US$ 100 milhões - e agraciado por estar entre as maiores bilheterias de 2017 -, o filme dirigido por Patty Jenkins trouxe a origem da amada personagem da DC Comics a um público sedento desde sua primeira aparição no polêmico "Batman V Superman". Mas, infelizmente, com um roteiro extremamente burocrático, apelando apenas para o carisma das personagens - queríamos mais Ilha Paraíso (ou Themyscera) e menos Inglaterra - e muito romance, além de piadas bem bobocas, foi uma das grandes decepções de um ano bem complicado para o cinema de entretenimento de massa. Mas sejamos sinceros: quando um filme é terminantemente mexido em seu roteiro por conta do curioso sucesso de bilheteria de "Esquadrão Suicida" - que muitos podem não gostar mas foi um filme estranhamente lucrativo - e ainda tem muitas cenas de ação co-dirigidas (e co-escritas!) por Zack Snyder, dá pra se questionar a competência dos envolvidos na produção. Segundo nossa crítica, o roteiro "é deveras mal construído, cheio de incongruências e com frases que fariam corar até o mais novato dos roteiristas". Infelizmente, isso é indiscutível. Aqui na redação todos torciam pelo filme. E todos, sem exceção, se decepcionaram...


04) "Toni Erdmann": Esse filme alemão ganhou uma notoriedade tamanha por conta de sua indicação ao Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. E também pelo fato de ter despertado o interessse de Jack Nicholson, que anunciou deixar sua aposentadoria para fazer um remake norteamericano desta ~"dramédia" (for falta de expressão melhor) ao lado de Kirsten Wiig - se o remake será realmente produzido, isso já é uma outra história. O fato é que esse filme não prima por grandes atuações, por um roteiro que faça rir ou que gere reflexão - talvez um grande desconforto mas ir ao dentista também e ninguém ganha um prêmio por isso - muito menos quaisquer predicados que leve o expectador a continuar a assistir esse verdadeiro massacre da arte dramática (se não acredite, espere pela cena da "festa nua" e entenda o que quero dizer). "Mas aí é que reside aquele sentimento de estar assistindo uma piada interna, que deve ser realmente bem engraçada. Porém, se você não sabe o contexto, não tem como rir", definiu nossa crítica.


03) "Travessia" / "Barreiras": Dois filmes bem parecidos dividem a terceira posição de nossa lista. O primeiro é o brasileiro "Travessia", que, embora bem realizado tecnicamente falando, não prima por uma boa história, fazendo-o desnecessariamente de forma bem sutil, apesar de uma bela fotografia e do esforço do seu elenco. Para nossa crítica, "Essa sutileza para contar essa história dificulta sua compreensão quando parece que não está acontecendo nada de tão importante assim para que justifique a exibição". Já "Barreiras" - filme francês que está na disputa para o Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro - sofre de mal parecido. "(...) não saber muito sobre as personagens, mesmo que haja a tentativa frustrada de causar comoção em diversos momentos, acaba mais atrapalhando do que ajudando", constatou nossa crítica. Ambos os filmes são belos exemplos de uma grande perda de tempo.




02) "A Cabana" / "Cães Selvagens" : 'A Cabana' é, talvez, um dos filmes mais indefensáveis de nossa lista. Mesmo que baseado no famoso best-seller, essa produção deixa a desejar no quesito história. Ou, como disse nossa crítica, "Faltou estruturar melhor as personagens e seus dramas de forma um pouco mais crível". Mesmo com um elenco que chama a atenção num filme desse porte (Octavia Spencer, Alice Braga), nada é realmente tão interessante a ponto de valer o tempo desperdiçado assistindo essa tremenda bobagem panfletária. Já 'Cães Selvagens' é um erro atrás do outro. Segundo nossa crítica, "lembra aqueles filmes que saíram na década de 1990 copiando frame a frame o que Tarantino, Boyle e Guy Ritchie estavam fazendo, porém sem o mesmo resultado". Trama não conversa com direção, que por sua vez parece discordar do que é feito pela fotografia (esmerada, tentando acertar onde todos erram), além de atores estarem mais perdidos que - utilize aqui seu jargão predileto. Bem, preciso dizer que Nicholas Cage é o astro desse filme? Acho que isso explica muita coisa...





01) "Motorrad": Outro filme que estreia oficialmente em 2018 - mas que também assistimos no Festival do Rio em 2017. E, infelizmente, o primeiro lugar de nossa lista vai para um filme brasileiro. Talvez um dos piores e mais mal produzidos em muito tempo. O fato de ser um filme de terror não tem nada a ver com sua falta de qualidade. O verdadeiro problema de "Motorrad" é beber numa cartilha se utilizando de cada mandamento de um filme de gênero sem entregar nada que seja virtualmente digno das melhores produções já realizadas. Espanta-se que o diretor Vicente Amorim tenha criado um filme que mais parece ter sido feito por amadores - cercados por um péssimo elenco, com um roteiro óbvio e praticamente inexistente - munidos de equipamentos profissionais. Uma pena que uma história com personagens criados pelo quadrinhista Danilo Beyruth tenha resultado em algo que não deixará sua marca de forma positiva com o tempo. Ou, como disse nossa crítica, "parte do charme acaba se perdendo por conta de algumas cenas mal construídas".


Para ficar completa nossa lista, chamamos os outros críticos da Equipe Poltrona POP para dar seu parecer de pior produção do ano de 2017:

- Marlo George: "Guardiões da Galáxia Vol. 2. Repetição de fórmula, com a Marvel errando novamente. E descartando personagens sem uma justificativa melhor";

- Jorge Caffé: "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas. Possui elenco sem carisma algum";

- Andreas Cesar: "'Liga da Justiça'. Roteiro fraco, Vilão mal explorado e com visual que lembra demais Ares (de 'Mulher Maravilha'). Falta de background para os novos heróis, especialmente Ciborgue. E não diverte, além de ser muito inferior a 'Batman V Superman', não se baseando em HQs como o anterior".


>>> E não se esqueça: clique AQUI para saber quais foram os MELHORES filmes de 2017 segundo a opinião da Equipe Poltrona POP, que entende de cinema como ninguém...


Kal J. Moon deseja que 2018 ofereça filmes bem melhores, dignos de prêmios, apreciação ou a mais pura diversão...

0 comentários:

A Linguagem do Cinema,

JORGE FURTADO | Cineasta disseca curta 'Ilha das Flores'

Com mais de 30 anos dedicados ao cinema, o diretor Jorge Furtado é o destaque da série “A Linguagem do Cinema”, da Quarta de Cinema - em 27/12/2017, às 21h30.  No episódio, Furtado comenta o processo de criação e mostra as imagens que deram partida a “Ilha das Flores” (1989, foto), seu primeiro filme autoral - no qual assina também o roteiro -, e como foi construído.

Buscando aproximar ao máximo o espectador do processo de construção do filme, o programa tenta seguir as formas narrativas inovadoras inauguradas com este filme. O curta-metragem revela os paradoxos entre os problemas sociais, econômicos e culturais criados e enfrentados pelos homens, que são resultado da consolidação de valores distorcidos nas sociedades.

Com direção do cineasta Geraldo Sarno e realização da Riofilme, a série “A Linguagem do Cinema” foi realizada em 2000 e representa um registro histórico com os processos de criação de 10 cineastas brasileiros, promovendo uma introdução à linguagem cinematográfica.

Fonte: Canal Curta! (via press-release)

0 comentários:

Angelina Jolie,

CRÍTICA [STREAMING] | "First They Killed My Father", por Kal J. Moon

Produzido, co-escrito, dirigido por Angelina Jolie (foto), estrelado pela atriz mirim Sareum Srey Moch (foto) e indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro de 2017, "First They Killed My Father" ("Primeiro mataram meu pai", em bom português) - já disponível no catálogo da plataforma digital Netflix - mostra os horrores da guerra através dos olhos de uma criança. A pergunta é: já vimos esse filme? Boa pergunta...

"O Senhor da Guerra não gosta de criança"
Angelina Jolie não precisa provar que é muito mais que um rostinho bonito. Diretora de filmes e documentários, politicamente engajada, preocupada em fazer muito mais do que seu ofício determina, ela entrega talvez seu filme mais rico e completo até o presente momento.

Na trama, Loung Ung (Moch), uma garota de apenas cinco anos de idade, luta para sobreviver em meio ao regime de terror do Khmer Vermelho - uma golpista ditadura militar - no Camboja.

É bem interessante como a narrativa deste filme é construída de forma fugaz, sem tempo para floreios desnecessários ou mesmo frases motivadoras que a protagonista poderia se lembrar durante sua jornada. Há um senso enorme de urgência aqui. Primeiro, na saída premente de onde a família mora em direção a um destino que, supõe-se, ser melhor do que ficar e morrer nas mãos de uma milícia armada. Depois, quando a família é desfeita - por "n" motivos mas principalmente quando o patriarca é levado sob o pretexto de precisarem de seu esforço físico para consertar uma ponte. E, finalmente, quando vemos o treinamento da pequena Loung - e de diversas outras crianças de ambos os sexos - como parte do exército do Khmer Vermelho, mostrando toda a brutalidade que só a guerra pode proporcionar. Até chegarmos a sua conclusão, terrível por um lado mas positivo no fim das contas.

Destaque óbvio à atriz mirim Sareum Srey Moch, que tem de, literalmente, carregar o filme nas costas, sem pronunciar muitas palavras, apenas testemunhando cenas terríveis e demonstrando sentimentos apenas com o olhar e com postura física adequada a cada instante, com uma naturalidade espantosa. E, claro, mais uma vez, isso também é mérito da visão da diretora Angelina Jolie, que sabia muito bem o que precisa exigir em cada momento de atuação - para quem não sabe, dirigir crianças exige paciência e ludicidade por parte de quem comanda a produção pois nem sempre temos atores e atrizes formadas dramaticamente numa idade mais tenra.

Destaque também aos aspectos técnicos do filme, principalmente à precisa direção de fotografia comandada por Anthony Dod Mantle (de "127 Horas"), servindo diversas vezes como o olhar da pequena Loung, utilizando bastante de "contra plongée" (aquela tomada de câmera de baixo para cima, simulando o campo de visão de uma criança) e panorâmicas para estabelecer a localização. A trilha sonora original criada por Marco Beltrami (do recente "Logan") não é intrusiva e quando se estabelece, deixa o expectador ansioso e contraindo o esfíncter, tamanha a tensão da cena (quando você vir a cena, vai saber imediatamente a que me refiro).

Já o roteiro escrito pela própria Loung Ung da vida real - baseado em seu livro homônimo (ao lado de Angelina Jolie) - escorrega ao alongar algumas situações, repetindo-as, perdendo muito do fluxo perpetrado inicialmente. Existe uma cena que, se concretizasse visualmente uma das falas de determinada personagem no segundo terço do roteiro, faria algo bem interessante, mesmo que se contrapusesse em relação à veracidade dos fatos. Traria a fantasia da criança em contraponto imediato ao horror instituído pela boçalidade da guerra. Mas a vida não é perfeita e nenhum filme precisa ser.

Sim, "First They Killed My Father" é um filme político - como não poderia deixar de ser - e tem paralelos que podem lembrar filmes como "A Vida é Bela", "Lion - Uma Jornada para Casa" ou mesmo o brasileiro "Pixote - A Lei do mais Forte". Mas isso não é demérito. É estar num raro panteão de realizadores que conseguiram contar boas histórias estreladas por crianças, histórias necessárias independente da quantidade de dinheiro atrelado ao projeto. Mostre esse filme para quem ainda insiste em dizer que a guerra é algo indispensável à história da humanidade - pode até não mudar de ideia imediatamente mas o impacto fará o serviço a seu tempo...


Kal J. Moon repudia todo e qualquer movimento de destruição do ser humano. Sempre.

0 comentários:

Bright (Netflix),

CRÍTICA [STREAMING] | "Bright", por Marlo George


Geralmente nós do Poltrona Pop assistimos filmes em cabines de imprensa, sessões exclusivas para jornalistas e convidados que acontecem dias antes dos mesmos entrarem em cartaz. Isso nos dá a oportunidade de fazer a crítica das produções cinematográficas antes de sua estréia. Mas isso acontece com os filmes para cinema. No caso das produções lançadas através de serviços de streaming, como Netflix, Amazon e outros, não temos credencial e por isso assistimos os mesmos assim que são disponibilizados para o público. Sendo assim, nós acabamos sabendo o que os nossos colegas, que são convidados ou tem acesso às produções previamente, acharam dos filmes e séries que são lançados por estas plataformas.

Bright, novo filme de David Ayer, vem recebendo críticas muito duras, não só da imprensa internacional, mas também da doméstica. Respeito a opinião de todos os nossos colegas críticos e jornalistas, mas acho que dessa vez houve um certo exagero de sua parte. Sim, Ayer vem de uma desastrosa parceria com Will Smith em Esquadrão Suicida, mas o conto de fadas policial que estreou hoje na Netflix é, ao contrário do filme baseado nos quadrinhos da DC Comics, imaginativo, consistente e toca, melhor, enfia um longo dedo em uma ferida secular da humanidade: O racismo.


Will Smith interpreta o policial negro Daryl Ward, que é casado com a caucasiana Sherri (Dawn Olivieri) e pai da mestiça Sophie (Scarlet Spencer). À primeira vista, a personagem de Smith parece ser um homem bem resolvido com a questão racial, porém, para Ward isso só vale para seus semelhantes, pois ele é, assim como muitos dos humanos, intolerante e preconceituoso com outras espécies que vivem no mundo feérico de Bright, os elfos, anões, orcs e, especialmente, com fadas. Ward dá o azar de ser designado para trabalhar com Nick Jakoby (Joel Edgerton), um orc da força policial que renegou sua raça serrando seus dentes e não relacionando-se com seu clã. Odiado por orcs, ignorado pelos elfos e desprezado pelos humanos, Jakoby é um idealista que pretende mudar um mundo que o odeia arriscando a própria pele. Os dois acabam tendo de lidar com segredos obscuros, ligados à magia, que podem definir o destino do mundo. Contar mais seria dar spoilers, e isso eu não faço de jeito nenhum.

Porém, posso contar-lhe que, por trás das alegorias de contos de fadas, a trama de Bright escancara na telinha muitas das mazelas que a falta de respeito, compreensão e infantilidade, inerentes ao racismo, provocam. As cenas nas quais Jakoby sofre com a intolerância dos humanos seriam hilárias, se não fossem um retrato da maneira como os próprios humanos, da vida real, agem contra aqueles que julgam dessemelhantes. Engraçado que essa questão, do racismo, já deveria ter sido resolvida no século passado, depois de tantos incidentes desagradáveis e que se provaram injustificáveis. Porém, como essa "doença" ainda não foi eliminada da alma de muitos por aí, Ayer resolveu mostrar como isso é uma babaquice sem tamanho, utilizando elementos de contos de fadas. Pra mim soou como: "Não entendeu? Quer que eu desenhe?". Só que no caso, ele filmou.

Contos de fadas, como os recontados por Charles Perrault, são moralistas. A moral da história de Bright é: Racismo, preconceito ou discriminação são atitudes injustificáveis.


Mas Bright, apesar da atitude esperta, é um filme e, assim sendo, precisa entreter. Os primeiro e segundo atos são bem interessante, abordando todas essas citadas alegorias racistas e apresentam o mundo de modo dinâmico, sem muitos detalhes desnecessários. A ação é frenética e a direção de fotografia incrível. Mas o terceiro ato conclui mal a história, apesar de fechar todas as pontas soltas.

Filmado quase que inteiramente em locações, com figurinos urbanos e raros efeitos especiais, não parece ter custado 90 milhões, conforme foi divulgado pela Netflix, sendo este seu filme mais caro já produzido. Na verdade, a impressão que passa é que Bright é mais um daqueles longas que se passam em um cenário cyberpunk por falta de orçamento.

Quem curtiu o ótimo (e obrigatório) Dia de Treinamento (2001), escrito por Ayer, e não se importa em filmes que mesclam fantasia e realidade, certamente vai gostar de Bright. Quem for racista - caso consiga fazer um esforço para entender a proposta do diretor, o que acho bastante difícil, visto que não conseguem perceber a própria ignorância -, pode acabar se ofendendo.



Marlo George assistiu, escreveu e tem uma casa infestada de fadas voadoras.

0 comentários:

Chloe Grace Moretz,

FIM DE SEMANA | 'O Grinch' e 'Sombras da Noite' são destaques no Warner Channel

Neste fim de semana, o canal pago Warner Channel exibirá os filmes "O Grinch" - estrelado por Jim Carrey (foto) - e "Sombras da Noite" - com Johnny Depp (foto), Chloe Grace Moretz (foto), Eva Green (foto), Helena Bonham Carter (foto) e grande elenco. Confira os horários...



  • 22/12/2017 às 21h40: Sombras da Noite - ('The Dark Shadows', 2012) – Terror / Comédia. Direção: Tim Burton. Com Johnny Depp e Michelle Pfeiffer. Sinopse: Em 1752, Joshua e Naomi Collins, junto com o filho Barnabás, saem de Liverpool rumo aos Estados Unidos com a intenção de fugir de uma maldição que atingiu a família. Vinte anos depois, Barnabás se torna um playboy inveterado que tem a cidade de Collinspot aos seus pés. Sem saber que Angelique é uma bruxa, Barnabás a seduz e parte seu coração, e ela o transforma em um vampiro e o prende em uma tumba por dois séculos. Baseado numa obscura série de TV (14 anos).
  • 23/12/2017 às 22h30: O Grinch ('DR. Seuss How The Grich Stole Christmas', 2000) – Fantasia. Direção: Ron Howard. Com Jim Carrey, Taylor Momsen, Jeffrey Tambor e Christine Baranski. Sinopse: O Grinch apronta mil e umas depois de roubar o Natal dos moradores de Whoville. Uma garota o traz de volta à cidade e o obriga a participar de várias atividades natalinas. Baseado no clássico livro infantil escrito por Dr. Seuss (12 anos).


Fonte: Warner Channel (via press-release)

0 comentários:

Allenby St,

RUA AUGUSTA | Nova série com Fiorella Mattheis explora cenário paulista

O canal pago TNT definiu a estreia de "Rua Augusta", sua primeira série nacional de ficção, que traz como cenário principal uma das ruas mais emblemáticas da cidade de São Paulo. Em 15/03/2018, às 22h30, o canal estreia a série com episódio duplo. O roteiro contará a história de Mika - interpretada por Fiorella Mattheis (foto) - que ganha a vida dançando na Boate Love e se divertindo na balada Hell, localizada na icônica rua da capital paulista.

As casas noturnas são o cenário central da série e unem o submundo das drogas, prostituição e diversão a qualquer custo, onde Mika encontrou seu refúgio e construiu uma vida, deixando para trás um passado pouco conhecido. O elenco conta também com nomes como Milhem Cortaz, Rodrigo Pandolfo, Lourinelson Vladimir (foto), Rui Ricardo, Rafel Dib, Dani Glamour, Pathy De Jesus e Carlos Meceni.

Rua Augusta” é uma co-produção com a O2 Filmes e possuí 12 episódios de 30 minutos. Baseada na obra Israelense “Allenby St”, a série é dirigida por Pedro Morelli e Fábio Mendonça, com roteiro de Ana Reber e Jaqueline Vargas.

Fonte: TNT (via press-release) 

0 comentários:

Beau Bridges,

SHARON STONE | Veterana atriz volta em nova série dirigida por Soderbergh!

A HBO anuncia a estreia de "Mosaic", sua nova série original dramática, uma trama de paixão, intriga e decepção concebida e dirigida por Steven Soderbergh - ganhador do Oscar® e do Emmy - e protagonizada pela atriz indicada ao Oscar® Sharon Stone (foto). Diariamente, a partir de 22/01/2018, um novo episódio estreará às 23h no canal HBO. Os dois últimos episódios, somando duas horas de duração, serão exibidos em sequência em 26/01/2018, a partir das 23h.

>>> Clique AQUI para assistir o trailer!


A série de seis episódios, com uma hora de duração cada, aborda o desaparecimento de um morador com alto poder aquisitivo do pitoresco condado de Summit, no estado norte-americano de Utah, na véspera do Ano Novo – e os quatro anos de esforços da polícia e da sociedade para descobrir a verdade sobre o crime.

Stone interpreta Olivia Lake, uma bem-sucedida autora e ilustradora de livros infantis cujo idealismo rural é sufocado por uma série de decepções, mentiras, corrupções e assassinatos. O elenco conta também com Garrett Hedlund, Frederick Weller, Beau Bridges, Paul Reubens (foto), Jennifer Ferrin, Devin Ratray, Michael Cerveris, James Ransone, Jeremy Bobb e Maya Kazan.

"Mosaic" tem roteiro de Ed Solomon, música de David Holmes, direção de fotografia de Peter Andrews, edição de Mary Ann Bernard e design de produção de Howard Cummings. Carmen Cuba é a responsável pelo elenco e Evyen J. Kleanis é o supervisor musical. A produção executiva de Casey Silver e Michael Polaire. A coprodução executiva é de Adrian Sack, com coprodução de Joseph Reid.

Fonte: HBO (via press-release)

0 comentários:

Cartazes,

JACKIE CHAN | Lutador faz parceria com ex-007 em novo filme!

O Estrangeiro” está previsto para chegar aos cinemas brasileiros em 11/01/2018 com distribuição Diamond Films. Dirigido por Martin Campbell, o longa-metragem é estrelado pelo ator Jackie Chan, que atua ao lado de Pierce Brosnan, Charlie Murphy e Katie Leung.

>>> Clique AQUI para assistir o trailer!
Cartaz oficial (Divulgação)

Baseado no livro "The Chinaman", de Stephen Leather, e com roteiro escrito por David Marconi, o filme conta a história de Quan (Chan), um pai e homem de negócios londrino que perde sua filha em um atentado terrorista. Como a polícia não consegue encontrar os culpados, ele decide procurar os responsáveis e fazer justiça com as próprias mãos.

Fonte: Diamond Films (via press-release) 

0 comentários: