Barry Jenkins,

CRÍTICA CINEMA | "Moonlight - Sob a Luz do Luar", por Kal J. Moon

21:32 Kal J. Moon 0 Comments

Grande vencedor do Globo de Ouro 2017 como Melhor Drama, escrito e dirigido por Barry Jenkins, estrelado por Alex R. Hibbert, Ashton Sanders, Trevante Rhodes, Naomie Harris, Mahershala Ali, Janelle Monáe e André Holland, "Moonlight - Sob a Luz do Luar" discute vários temas polêmicos sob uma óptica inusitada: a de quem sofre o prejuízo.
Pequeno (Alex R. Hibbert) e o traficante de bom coração Juan (Mahershala Ali):
referência de força levada à vida (Divulgação)
Preconceito não escolhe cor
Com oito indicações ao Oscar 2017 (incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor), "Moonlight" está longe de ser o filme de temática homossexual da vez - mesmo que todo o hype acabe prejudicando a recepção por parte da grande expectativa.

Na trama, acompanhamos a vida de um homem em três fases de sua vida (infância, adolescência e maturidade). Dividido em capítulos, acompanhamos o amadurecimento da personagem diante do preconceito vindo de afro-americanos como ele. Preconceito por ele ser negro - o que parece um pouco absurdo mas não impossível de acontecer -, preconceito por ele ser pobre, preconceito por ele supostamente ser homossexual, preconceito apenas por ele existir. Ele tem uma mãe que se prostitui e é viciada em drogas. Ele fica amigo de um traficante. Ele próprio tem o que pode chamar de único amigo no colégio.
Chiron (Pequeno quando adolescente, interpretado por Ashton Sanders):
confusão, timidez e inconsequência (Divulgação)

É uma vida complicada quando tudo o que se quer é entender que espécie de pesadelo se está vivendo. E "Moonlight" é um filme bem difícil ao retratar esse tipo de ambiente. Dividindo essas três fases da vida do personagem, vemos o olhar de uma criança (o estreante - e surpreendente - Alex R. Hibbert), o acanhamento e inconsequente revide de um adolescente (um correto Ashton Sanders) e a completa transformação num adulto que controla seu próprio mundo (Trevante Rhodes, que teve pouco tempo de tela para expor seu trabalho) com o único exemplo masculino que recebeu na infância - mesmo que tudo o que necessitava era um pouco de afeto. Curiosamente, TODOS esses atores unem suas personagens através do olhar de curiosidade, de busca, de aprendizado. Mesmo sendo atores diferentes fisicamente, enxerga-se perfeitamente a personagem durante a passagem de tempo.

O roteiro - escrito pelo próprio diretor - começa bem, coloca os dedos certos na ferida, é moralista sem ser panfletário, mostrando uma normalidade sobre um assunto que grande parte do mundo julga não ser correto ou mesmo normal. O problema é justamente o terço final. Além de descredenciar tudo o que se vê na tela até então, não encerra corretamente a história, estranhamente em prol de um final ~"pudico" - a vida real pode ser tudo, menos pudica.
Black (Chiron adulto, interpretado por Trevante Rhodes) encontrou na força
seu refúgio contra quem o ameaçava (Divulgação)

Mas "Moonlight" tem outros predicados. A direção de fotografia (de James Laxton, egresso da TV e de filmes independentes como "Tusk" e "Yoga Hosers") e a trilha sonora (composta por Nicholas Britell, de "12 Anos de Escravidão") merecem todas as indicações de prêmios por conseguir passar toda a desorientação por qual a personagem passa em sua saga.

Destaque também às interpretações de Naomie HarrisMahershala Ali - indicados ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e Atriz Coadjuvante -, que mostram em tela que o protagonista está cercado de luminares com pés de barro.
A mãe de Chiron (Naomie Harris) é digna de pena... (Divulgação)

Porém "Moonlight" abriga uma série de atores ineptos, principalmente o elenco infantil e adolescente. Soando falsos o tempo todo, parece mais atores que participam de sitcom do que um filme que precisa ter seus personagens levados a sério.

Independente de qualquer fator, "Moonlight" é um bom filme. Expõe toda a face do preconceito, que geralmente vem de onde menos se espera. Se vai ou não ganhar o Oscar, isso não importa. O recado já foi dado. Escute quem quiser. Mas não é todo mundo que vai querer ler...


Kal J. Moon abomina toda e qualquer forma de preconceito.

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