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    sexta-feira, 13 de outubro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Motorrad", por Kal J. Moon

    Dirigido por Vicente Amorim, escrito por LG Bayão - baseado nos personagens criados pelo quadrinhista Danilo Beyruth - e estrelado por Guilherme Prates, Juliana Lohmann, Emílio Dantas, Carla Salle e Pablo Sanábio, "Motorrad" - que está em cartaz no Festival do Rio (clique AQUI para conferir a programação) - faz o que parecia virtualmente impossível: criar um filme de ação e terror inteiramente localizado em território brasileiro. Mas isso é bom ou ruim? Resposta: depende.

    Um lindo monstro furioso
    A grande maioria das pessoas que curtem filmes de terror já assistiram, pelo menos uma vez na vida, a qualquer exemplar do gênero "slasher". Esse tipo de filme tem regras muito específicas e que precisam ser seguidas bem de perto para funcionar. Há sempre um grupo de jovens procurando diversão num local ermo - no grupo também temos um casal e um potencial casal. A diversão é estragada por algum tipo de maníaco que se utiliza de armas cortantes ou algo que possa causar um grande prejuízo físico - curiosamente, esse maníaco consegue alcançar suas vítimas mesmo andando muito devagar. O grupo antes alegre - e que, geralmente, não tem nenhum personagem bem desenvolvido (afinal, todos vão morrer mesmo) - torna-se fugitivo, lutando para permanecer vivo mas vão sendo assassinados um a um, até que sobra apenas o potencial casal - ou, no último plot twist, apenas uma pessoa. Foi assim em TODOS os filmes das séries "Sexta Feira 13", "Halloween" e muitos outros. E não adianta dizer que filmes assim são bons ou ruins: é literalmente questão de gosto. Pode, claro, ter quem não goste mas esse tipo de filme tem um grande público fiel mas ainda não havia sido feito um exemplar de grande orçamento inteiramente criado no Brasil. Até agora pois "Motorrad" já vem despontando com sucesso lá fora - estreou com elogios no Festival de Toronto - e foi ovacionado durante sua apresentação no Festival do Rio.

    Na trama, um grupo de motociclistas entra em território proibido e é seduzido a fazer uma trilha onde a beleza da paisagem vai sendo rapidamente substituída pelo medo e pela morte através de uma caçada de vida ou morte por um misterioso bando de motociclistas. E se você já assistiu a qualquer filme "slasher" na vida, basta verificar a listinha que fiz no segundo parágrafo deste texto para saber exatamente o que ocorrerá neste filme...

    É importante frisar que este foi um dos primeiros filmes brasileiros de terror - ao lado de "O Rastro" - a ter uma campanha decente de marketing, visitando eventos de temática nerd-geek-pop para convencer o público, mostrando cenas, divulgando artes etc.

    Com um visual incrível - cortesia da prodigiosa direção de fotografia comandada por Gustavo Hadba (que fez um trabalho excepcional no já citado "O Rastro") -, repleto de planos ousados e inebriantes, replicando com exatidão ângulos de uma história em quadrinhos de terror que não deve em nada a exemplares estrangeiros.

    O problema é que parte das imagens que foi captada durante as filmagens são muito tremidas e a montagem executada por Lucas Gonzaga torna parte da experiência bem confusa em diversos momentos. Pra falar a verdade, pode ser que a real intenção tenha sido deixar o espectador tão desorientado quanto os protagonistas dessa história - mas existem meios mais eficientes de se alcançar essa proeza.

    O roteiro de LG Bayão - que teve ajuda de LG Tubaldini Jr e do próprio diretor Vicente Amorim - também não ajuda muito. Apesar de iniciar de uma forma bem interessante, numa sequência de quase dez minutos sem uma única palavra dita em cena mas que estabelece bem a premissa da trama, parte do charme acaba se perdendo por conta de algumas cenas mal construídas. Uma cena específica causou risos - a mim, deu ódio - quando um dos personagens revela estar de posse de uma arma e outros perguntam porque ele não usou contra seus perseguidores. "Ah, é que eu esqueci!", responde ele, usando a arma para... abrir um cadeado à força! É sério isso?! Além desse estorvo, o roteiro não está nem preocupado em revelar as muitas perguntas da trama: quem são os motociclistas vestidos de preto naquele calor infernal? Por que estão perseguindo o grupo, querendo matá-los? O que está causando interferência nos aparelhos eletrônicos? Por que não se pode beber água do lago onde mergulharam? O que tem escondido na oficina onde começa a história? E o principal: QUEM DIABOS era a jovem por quem o "protagonista" se apaixonou? - essa última talvez apenas os fãs de Neil Gaiman vão conseguir decifrar...

    (Existe uma cena próxima do fim do filme que dá uma pista do que pode ter acontecido mas é totalmente aberta à interpretação e cada um pode ter entendido algo diferente - eu, por exemplo, não engoli)

    O elenco também não é dos melhores. Com exceção de Emílio Dantas, que realmente parece comprometido com o papel, o resto dos atores e atrizes ou são inexperientes ou estavam muito cansados para expressar reações melhores do que as apresentadas. Num filme com direção de Vicente Amorim - de narrativas poderosas como "Corações Sujos" e "Um Homem Bom" -, era de se esperar mais da dramaticidade. Mas possivelmente ESSE era o filme que Amorim queria fazer, um experimento numa área que não tem muitos ao seu lado.

    Mas o real problema é justamente a expectativa que se tem para assistir a um filme como esse - a minha estava bem alta... Quem curte o gênero já sabe o que esperar e se diverte, morre de orgulho por finalmente existir um exemplar nacional e espera que mais filmes assim sejam produzidos. Mas temos de pensar que o público que vai aos cinemas hoje em dia não é formado apenas por esse nicho.

    "Motorrad" segue fielmente as regras de um "slasher movie" - para o bem e para o mal. Baixe as expectativas e tire suas próprias conclusões...


    Kal J. Moon nunca mais olhará para uma motocicleta da mesma forma...
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