728x90 AdSpace

  • Nerd News

    quinta-feira, 23 de novembro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Ninguém Está Olhando", por Kal J. Moon

    Dirigido por Julia Solomonoff e estrelado por Guillermo Pfening (foto), "Ninguém Está Olhando" mostra a luta de um viciado contra a droga mais destrutiva de todas.

    Ciclos indefinidos
    Tem quem defenda, com unhas e dentes, o tipo de cinema feito pelos argentinos. Sua produção é esmerada, econômica mas criativa, competente direção de fotografia, atuações acima da média e direção geral rígida. Mas seus filmes geralmente fogem do entretenimento barato que Hollywood entrega e suas histórias acabam fazendo o espectador refletir sobre a vida. "Ninguém Está Olhando" é mais um desses filmes com temas reflexivos. Mas não passa disso.

    Na trama, Nico (Pfening), um ator argentino de televisão de sucesso em seu país, tenta sorte em Nova York, mas logo descobre que não encaixa no clichê do ator latino. Sua boa aparência o ajuda a esconder a solidão e a vida precária. Ele sobrevive de bicos e trabalhando como baby-sitter, cuidando do menino Theo enquanto continua a insistir em testes de elenco, buscando uma oportunidade de voltar à carreira dramática.

    O ator Guillermo Pfening merece todo destaque - ganhou o prêmio de Melhor Ator no Festival de Tribeca de Nova York 2017, onde o filme foi exibido na abertura do evento - por se esforçar para mostrar o outro lado de ser um estrangeiro numa Nova York com zero glamour, onde realiza trabalhos temporários para sobreviver, consome ~"substitutos amorosos" enquanto tenta esquecer quem partiu seu coração, mesmo que esteja afundando cada vez mais num caminho tortuoso que até tem volta mas depende dele acordar.

    Mas o roteiro - escrito por Christina Lazaridi e pela própria Julia Solomonoff - insiste em mostrar a rotina do protagonista repetir-se 'ad nauseam', que não é a melhor e mais eficiente forma de mostrar que ele está correndo em círculos atrás de um sonho que pode não vir a acontecer como gostaria - assim como na vida real. O grande problema é que tudo o que se vê na telona não emociona ou cativa o espectador. Os personagens não tem nada de especial - mesmo que haja curiosidade em saber como terminará essa dolorosa saga. Por três ou quatro vezes no filme é dita a sentença "Ninguém Está Olhando", em contextos diferentes mas inteiramente válidos. Mas a derradeira é justamente quando se define o cerne dessa história e o protagonista descobre a necessária solução para seus problemas, mesmo que a longo prazo: livrar-se de sua paixão e obsessão, que mais parece uma droga mais potente que qualquer psicotrópico...

    Mesmo que "Ninguém Está Olhando" tenha sido o grande vencedor do Cine Ceará 2017 e recentemente esteve na Mostra Latina do Festival do Rio 2017, o filme só é válido por mostrar um lado mais realista dos estrangeiros na Terra da Liberdade - liberdade essa só se você continuar sendo serviçal e não cometer qualquer deslize - e por maturar um entendimento de que "nenhum lugar é melhor do que o nosso lar" (e lar é onde nos sentimos bem, seja onde for).


    Kal J. Moon ainda não entende por que as pessoas demoram tanto a aprender com seus erros...
    • Comente no site
    • Comente no Facebook

    0 comentários:

    Postar um comentário

    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Ninguém Está Olhando", por Kal J. Moon Rating: 5 Reviewed By: Kal J. Moon
    Scroll to Top