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    segunda-feira, 9 de abril de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "O Dia Depois", por Kal J. Moon

    Indicado à Palma de Ouro de Melhor Diretor no Festival de Cannes em 2017, dirigido por Hong Sang-soo e estrelado por Hae-hyo Kwon, Min-hee Kim, Sae-byeok Kim e Yunhee Cho, "O Dia Depois" mostra o grande mal dos relacionamentos amorosos modernos: a conivência do adultério.

    Do que estamos falando, afinal?
    "O Dia Depois" é um filme sobre um incômodo - que é passado ao expectador em cada cena, cada diálogo e cada gesto do elenco. Mas incômodo mesmo é tentar descobrir de que incômodo se trata este filme.

    Na trama, a jovem Areum (Min-hee Kim) está pronta para enfrentar seu primeiro dia de trabalho numa pequena editora. Bongwan (Hae-hyo Kwon), seu chefe, é casado e terminou recentemente um caso com a ex-funcionária (Sae-byeok Kim) que Areum está substituindo. Ele, porém, não consegue deixar de pensar na mulher que deixou. No mesmo dia, a esposa de Bongwan (Yunhee Cho) encontra uma carta de amor na mesa dele e, sem aviso, aparece no escritório e faz um grande escândalo envolvendo Areum numa situação delicada.


    Mesmo que a história esteja bem delineada, com um início até interessante, investindo no naturalismo dos diálogos, o filme acaba se detendo numa mistura de arrogância e auto-indulgência como quem diz "vejam como sou um gênio!", esticando algumas situações sem muito importância à trama principal - como aquelas conversas enjoadas que estamos fazendo parte independente do motivo mas que não gostaríamos de estar presentes, sabe? Pois é... Ainda que alguém possa levantar a bandeira de que o cinema oriental não está muito preocupado em contar histórias como os ocidentais, com intenções nada claras, paciência tem limite.

    O filme ainda sofre com problemas de construção de roteiro - banal, quase novelesco, mostrando como um homem consegue ser manipulado numa situação que não vê saída aparente. Além disso, "O Dia Depois" conta com uma péssima direção de fotografia, que faz uso apenas de zoom, panorâmicas e movendo-se para o lado em que algum ator ou atriz esteja falando - como se capitaneada por um estudante de curso que precisa entregar seu trabalho de conclusão. Falando nisso, não existe motivo aparente para que este filme tenha sido lançado em branco e preto - possivelmente seja pelo uso de uma barata câmera digital (cujo fotograma ficaria severamente "desbotado" se mantido em cores), o que reduz os custos de tratamento disfarçando defeitos visuais sem recorrer a filtros e caras revelações.

    Mesmo com uma direção de atores bem questionável - o elenco parece bem à vontade, improvisando e exagerando em várias cenas -, Hae-hyo Kwon (o protagonista) se sai muito bem e convence como o mulherengo que não sabe o que quer da vida mas sofre com a incerteza de suas decisões. Min-hee Kim (Areum) -  mais conhecida por seu trabalho em "A Criada" - também entrega uma performance dedicada, ainda que, como a maioria, não saiba exatamente o que está fazendo... Outro ponto positivo? Sua curta duração - pouco mais de uma hora e meia de exibição.

    Ainda que possua um texto verborrágico ao extremo, "Um Dia Depois" não disse a que veio - o que causa espanto o burburinho em torno do filme, a ponto de ter sido indicado a Palma de Ouro de Melhor Diretor no Festival de Cannes em 2017. Vai entender...





    Kal J. Moon pede para ser tratado de "chefe" pelos amigos. Eles nunca obedecem, claro...
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