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    segunda-feira, 2 de julho de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Noite Devorou o Mundo", por Marlo George


    A Noite Devorou o Mundo, filme que é destaque no Festival Varilux de Cinema Francês 2018, é no mínimo curioso. 


    "Morto é o novo normal"

    Fugindo de clichês do gênero, o longa A Noite Devorou o Mundo, do diretor Dominique Rocher, apresenta a inusitada história de um rapaz que, após escapar vivo da primeira noite pós-apocalipse zumbi, precisa organizar sua vida e enfrentar o dia-a-dia em uma Paris repleta de mortos-vivos e nenhum charme. Preso em um prédio que foi totalmente tomado pela epidemia zumbificadora, Sam (Anders Danielsen Lie) encontra formas de alimentar-se, entreter-se e, quando necessário, proteger-se matando alguns de seus ex-vizinhos, ex-desafetos e outros incômodos zumbis que perambulam pelo quarteirão. Sem invasores desesperados por alimento e abrigo, grupos para-militares organizados ou promessas de cura mirabolantes, o que resta à Sam é tentar ocupar o tempo tendo como companhia Alfred (Denis Lavant), um médico morto-vivo que ficou preso no elevador.

    Um tanto quanto monótono, o longa tem alguns momentos interessantes, sendo tocante em alguns deles e bem criativo, em termos de roteiro, quase que o tempo todo de duração. É uma experiência interessante para o espectador, já que é uma história originalíssima para dizer o mínimo, e ousado para dizer o máximo. É uma mistura de Até o Fim (2013) com The Walking Dead, série de TV da AMC, que é exibida no Brasil pelo canal FOX.

    O roteiro do filme foi escrito por Jérémie Guez, Guillaume Lemans e pelo próprio ditetor Dominique Rocher. É baseado no livro de Pit Agarmen.

    O ritmo lento do roteiro é quebrado, quase sempre, pelos zumbis mais velozes que já vi no cinema. Até mesmo mais rápidos que os vistos em Invasão Zumbi, filme coreano de 2016, que deu um gás à mais à um sub-gênero de horror que já andava meio batido. Com A Noite Devorou o Mundo o hype dos mortos-vivos ganha um pouco mais de sobrevida.

    O que é muito importante também é o fato de que o filme é destaque de um festival de cinema francês que rolou no Brasil recentemente, e sempre é importante ver um produto de temática geek ganhar espaço.


    Denis Lavant, que protagoniza o filme, é carismático e entrega um bom trabalho, carregando o filme nas costas quase que inteiramente sozinho. Seu primeiro crédito como ator foi no filme Herman, de 1990, mas ele só voltou a atuar em 2006, no longa Começar de Novo, de 2006. Desde então vem mantendo uma carreira regular e já tem um novo filme agendado para 2019, Bergman Island, que traz no elenco a atriz Greta Gerwig, que foi indicada ao Oscar de Melhor Diretora, esse ano, por Lady Bird.

    Por ser um filme notadamente de orçamento baixo, A Noite Devorou o Mundo é uma aula de como se virar e apresentar um trabalho técnico competente apesar da falta de verba. Isso é notado, mais acentuadamente, na maquiagem que é, certamente, criativa por falta de verba. O filme se passa em uma única locação, o que exigiu mais da direção de arte e de fotografia, que corresponderam e venceram o desafio de mostrar e filmar o "Universo de Sam" com tão pouco investimento.

    Para seu primeiro longa, Dominique Rocher, que só tinha dirigido dois curtas, sendo o último no longínquo ano de 2011, deu conta do recado e apresentou um filme inovador, sob um ponto de vista inesperado e que só não convence mais por ser muito arrastado para um longa metragem. Teria acertado mais se tivesse um corte de curta-metragem.



    Marlo George assistiu, escreveu e também já tocou instrumentos inaudíveis.
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