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    quarta-feira, 31 de outubro de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Johnny English 3.0", por Kal J. Moon

    Dirigido por David Kerr e estrelado por Rowan Atkinson, Emma Thompson, Olga Kurylenko e grande elenco, "Johnny English 3.0" traz de volta aquele agente secreto idiota que todos amamos odiar...

    O Espião Que Se Enrolava
    O terceiro filme da série com Rowan Atkinson no papel do tresloucado agente secreto inglês chega sete anos após o filme anterior. E o debate entre o que é anacrônico e o que é super atual é o tema central da história apresentada aqui.

    A nova aventura começa quando um ataque cibernético revela a identidade de todos os agentes ativos infiltrados na Grã-Bretanha, deixando Johnny English como a última esperança do serviço secreto. Apesar de estar aposentado - e trabalhando como professor numa escola primária - English é convocado e mergulha de cabeça na ação com a missão de encontrar o hacker que está por trás do ataque. Com poucas habilidades e métodos analógicos, English precisa superar os desafios da tecnologia moderna para tornar a missão bem-sucedida.


    Algumas sequências são hilárias como uma que envolve realidade virtual - não perca isso por nada nesse mundo -, dança techno e qualquer uma que envolve os alunos de English. Ainda tem uma participação especial de Charles Dance (Game of Thrones) e Michael Gambon (Harry Potter) bem interessante, apontando-os como agentes aposentados, breve mas muito bem bolada para explicar porque English foi escolhido nessa missão. Já outras cenas são engraçadinhas e podem esboçar aquele risinho no canto da boca.
    Apesar do roteiro de William Davies utilizar a premissa básica de "007 contra Spectre", a motivação do vilão faz um pouco mais de sentido se levarmos em conta que o filme é uma comédia. Assim como Samuel L. Jackson no prmeiro filme da série "Kingsman", o personagem Jason Volta é uma espécie de mistura entre Bill Gates e Steve Jobs, um rei da tecnologia informática. O ator Jake Lacy (que esteve no excelente "Armas na Mesa") não tem muito material para desenvolver uma verve cômica com o material que lhe foi apresentado. Se o personagem tivesse alguma peculiaridade bem esquisita, talvez até funcionasse.

    Quanto ao elenco, Atkinson ainda tem fôlego para a comédia "física" mas já aparenta sinais de cansaço. Não à toa, o roteiro explora esse fato e apresenta a faceta de "professor" do personagem - reconhecendo que Atkinson, na verdade, é um mestre do humor - ensinando os meandros da espionagem à uma criançada bem esperta. E essas cenas são bem mais interessantes do que muito do que é apresentado nas telonas. A interação entre Atkinson e o elenco pré-adolescente traz um frescor ao personagem que chega-se a pensar que as crianças ajudariam na resolução da trama - e isso não acontecer foi uma oportunidade desperdiçada... Atkinson ainda aproveita para fazer duas pequenas homenagens a Mr. Bean - seu personagem mais conhecido no mundo - em cenas envolvendo danças esquisitas e gaitas de fole.

    Além de Atkinson, quem mais se destaca é mesmo Emma Thompson como a Primeira Ministra da Inglaterra. A atriz mostra a insegurança, o nervosismo e a preocupação inerente ao cargo. E o fato dela estar com o mesmo corte de cabelo que usou em "Simplesmente Amor" - onde interpretava a irmã do Primeiro Ministro - pode não ser mera coincidência. A cena onde ela diz "o mundo está um caos e o universo me manda VOCÊ?" a English tem aquele desprezo próprio de quem tá pouco se lixando se vai ofender, como o desabafo inapropriado mas incontrolável.

    Já Olga Kurylenko está OK como uma espiã russa - mais ou menos uma paródia do que ela já fez em "007 - Quantum of Solace". Funciona mas é só. E Ben Miller - que interpreta Bough - finalmente tem mais importância na trama do que apenas ser fiel escudeiro do herói, com um pouco mais de background sobre o que ocorreu durante a "aposentadoria" de English.

    A trilha sonora composta por Howard Goodall - velho colaborador nos filmes estrelados por Atkinson - resolve bem o tema central do personagem emulando orquestrações próprias do que já foi utilizado no cinema para filmes de James Bond.  

    O filme tem um probleminha de timing onde algumas cenas não são nada dinâmicas e esticadas onde deveria haver um corte brusco para gerar a piada pela surpresa. Dá pra imaginar como seria o filme se dirigido por Jim Abrahams ou Mel Brooks  - só assistindo para entender.

    No fim das contas, o saldo é positivo e "Johnny English 3.0" diverte, cumprindo o papel de entretenimento. Mas é uma diversão frugal, light e descompromissada, sem esperar muito do que é mostrado na telona.


    Kal J. Moon bebe chá regularmente, já ensinou crianças e possui pontualidade britânica. Talvez seja um agente secreto à serviço de vossa majestade mas essa informação é confidencial...
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