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    domingo, 14 de outubro de 2018

    CRÍTICA [CINEMA] | "Legalize Já - Amizade Nunca Morre", por Kal J. Moon

    Dirigido por Johnny Araújo e Gustavo Bonafé, estrelado por Renato Góes (foto) e Ícaro Silva (foto), "Legalize Já - Amizade Nunca Morre" é mais um ótimo exemplar na História do Cinema brasileiro.

    "Não é sobre maconha..."
    Numa das cenas de "Legalize Já", Skunk (Ícaro Silva) se olha no espelho, se arrumando para comandar um show da banda Planet Hemp na casa de show Garage sem Marcelo e ensaia a resposta de uma entrevista imaginária, dizendo "Não, não é sobre maconha. É sobre...". Neste instante, é interrompido por Marcelo (Renato Góes), que chega inesperadamente, sentado na escada, e pergunta "É sobre o quê, então, Skunk?". Boa pergunta...

    Nunca fui fã da banda Planet Hemp - "não é bem o som que eu ouço", como bem justifica uma transeunte no filme. Mas reconheço sua importância no cenário musical brasileiro num momento efervescente que acabou gerando inúmeras bandas de sucesso. Mas quando soube que estavam produzindo um filme sobre como surgiu a banda, achei a proposta interessante. Afinal, cinebiografia - principalmente de astros musicais - é um dos pilares que sustentam firmemente o cinema feito no Brasil. E quando bem feito, pode resultar num grande filme. E esse, definitivamente, é o caso aqui.

    O roteiro teve a perspicácia de NÃO utilizar narração em off - em outras mãos, teríamos Marcelo D2 explicando cena por cena como se contasse a história por seu ponto de vista. Mas o texto é tão burilado que é como se acompanhássemos a trama do ponto de vista da vida em si. Ninguém está contando essa história, estamos presenciando, testemunhando - não à toa, ganhou o prêmio de melhor roteiro na 41ª Mostra SP.

    Na trama vemos como o encontro entre dois jovens que vendiam camisetas e fitas cassete no centro do Rio de Janeiro para se sustentar pôde dar origem a uma das bandas mais populares do Brasil na década de 1990? O filme narra esse momento transformador na vida de Marcelo - futuramente, conhecido como Marcelo D2 - e Skunk, que culminou na formação do Planet Hemp. Reprimidos por uma sociedade preconceituosa, os dois fizeram da música um grito de alerta e de resistência, conquistando corações e mentes de toda uma geração.

    O elenco inteiro está afiado. A direção de atores e atrizes é tão competente que o texto sai de suas bocas bem fluído, com naturalidade, não como se alguém estivesse fazendo uma "bela interpretação" daquele texto.

    Destaque óbvio à parceria em cena entre Renato Góes e Ícaro Silva. Ambos carregam uma responsabilidade enorme e não decepcionam em momento algum. Góes não se limita (nem tenta) a fazer uma imitação barata de Marcelo D2. Sua impostação vocal não soa forçada - lembrando que o ator NÃO É carioca - e suas atitudes em cena só comprovam o brilhantismo do texto. Silva tem, talvez, o papel de sua vida. Oscila positivamente entre humor e drama com a ~"expertise" carioca na veia. O mais interessante é que desenvolveu tudo a partir do olhar  Seu estado de espírito em cena é evidenciado através de cada olhar. Temos outros destaques no elenco como Stepan Nercessian (vivendo Dark, pai de Marcelo), Marina Provenzzano (namorada de Marcelo que engravida e ambos vão morar juntos) e Ernesto Alterio (que dá vida ao hilário e sábio Brennand, argentino dono do bar cujo porão foi o primeiro estúdio de ensaio e gravação da primeira fita demo da banda).

    Destaque também à primorosa direção de fotografia comandada por Pedro Cardillo - aliada a esperta montagem de Marcelo Junqueira -, que se utilizou de uma paleta misturando cinza e verde (emulando um visual quase esfumaçado), muita câmera na mão de forma bem criativa, com parcimônia, delicadeza e crueza quando necessário.

    Esse é o tipo de filme que te faz rir e chorar com a mesma intensidade. FILME BOM FAZ ISSO COM A GENTE. Não dá para ficar impassível desde o primeiro segundo de exibição. E como é bom ver o VERDADEIRO Rio de Janeiro em cena, com todas as suas agruras, sem pedidos de desculpas ou vitrinismo...! Reconhecer partes da Lapa, Santa Teresa ou mesmo um beco da Cinelândia em diversas partes do filme não tem preço..

    O único porém foi não ter uma cena onde pudéssemos ver a entrada de BNegão na banda - ele foi a segunda voz  e parceiro de composição do Planet Hemp após Skunk partir para o "planeta saudade". Esta poderia ser a última cena do filme. Quem sabe numa continuação?

    Discutindo temas delicados - porém cada vez mais necessários - como aborto, abandono parental, legalização da maconha, ambição, necessidade, "Legalize Já - Amizade Nunca Morre" é um filme cheio de energia e frescor sobre assuntos sérios como amizade, respeito mútuo e, claro, amor. Afinal de contas, "amar é para os fortes", já dizia o poeta...



    Kal J. Moon é um tremendo viciado... em cheirar livros e gibis!
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