Amigos para Sempre,

CRÍTICA [CINEMA] | "Amigos para Sempre", por Kal J. Moon

09:47 Kal J. Moon 0 Comments

Dirigido por Neil Burger e estrelado por Bryan Cranston, Kevin Hart e Nicole Kidman, "Amigos para Sempre" é o mais novo remake de "Intocáveis", uma das maiores bilheterias do cinema francês. Mas... vale a pena? Que bom que perguntou...

Remake para quem precisa...
Dizem por aí que o público norteamericano não gosta de assistir a filmes legendados. E, se não for animação, filmes dublados também são evitados a todo custo. E essa seria uma das fortes razões para a profusão de remakes produzidos na terra de Tio Sam com material fonte além das fronteiras estadunidenses. A principal, claro, é a crise de criatividade que ronda Hollywood há uns bons 30 anos - talvez mais - e investir numa história que já se provou como sucesso em outros países é mais garantido do que investir em algo novo e com retorno financeiro um tanto incerto.

Independente da verdade, o fato é que "Amigos para Sempre" é mais um remake - esse já é o segundo! - do filme "Intocáveis", película originária da França, que alçou o ator Omar Sy ao imediato estrelato e dicou, durante anos, como a maior bilheteria daquele país, além de sucesso de crítica ao redor do mundo.

"Amigos para Sempre" narra a inesperada amizade entre Phillip Lacasse (Cranston), um bilionário da Park Avenue que ficou paralisado após um acidente de parapente, e o ex-presidiário Dell Scott (Hart), que precisa de ajuda para recomeçar sua vida. Recém saído da prisão e precisando de emprego, Dell está frustrado com as oportunidades disponíveis a um ex-presidiário. Depois de encontrar-se na entrevista de emprego errada, Dell usa seu irreverente carisma para encantar Phillip, que, apesar dos protestos de sua assistente pessoal Yvonne (Kidman), oferece a ele a posição de cuidador. Apesar de um começo difícil, os dois percebem rapidamente o quanto podem aprender com as experiências um do outro. Mesmo sendo de mundos diferentes, Phillip e Dell criam um vínculo improvável, superando suas diferenças e ganhando uma sabedoria inestimável no processo, que dá a cada um um senso renovado de paixão por todas as possibilidades da vida.

Antes de tudo, necessita-se perguntar o óbvio: este filme tem uma história IGUAL à original? Bem, em sua essência, sim - até porque se trata de uma história real. Mas, como em todo remake que se preze, existem algumas diferenças bem interessantes, tornando esta nova versão realmente... "nova". Enumerar cada uma delas seria oferecer diversos spoilers sobre a trama, o que estregaria a diversão de quem pretende assistir no cinema, ok?

A direção de Neil Burger é segura e até um pouco burocrática em diversos momentos - como quando não saber direito quando uma cena deveria terminar - mas é funcional e equilibra bem o tom misto de comédia e drama que o roteiro escrito por Jon Hartmere (baseado no original de Éric Toledano e Olivier Nakache) condensa.

Quanto ao elenco, Kevin Hart improvisa em muitas cenas - como de praxe - mas dá conta do recado quando se trata de cenas com profundidade dramática maior do que ele está acostumado. E sua personagem tem até mais background do que no filme original, vejam só... Já Bryan Cranston está irrepreensível - como de praxe - na pele da nova versão de Phillip (embora mexa mais o pescoço do que sua personagem possa ser capaz de fazer). E Nicole Kidman está um pouco apagada e quase desfuncional em sua personagem, o que é uma pena de se ver um grande talento desperdiçado dessa forma...

A direção de fotografia nada intrusiva de Stuart Dryburgh parece fazer o básico, embora ouse em alguns (poucos) momentos. E a trilha sonora conduzida por Rob Simonsen é formulaica porém funcional e não, as canções escolhidas para esta nova versão não chegam nem aos pés do que foi consagrado no filme original (com uma rara exceção de um clássico interpretado por ninguém menos que... Aretha Franklin!

Resumindo: se você já assistiu o filme original, continue com ele em seu coração mas acredite, dá pra gostar dessa ~"atualização" se não exigir ~"fidelidade" (até tem mas nem tanto assim - e pare pra pensar que a personagem de Omar Sy era um homem branco na vida real, então desencane). Se não viu o original, assista "Amigos Para Sempre" e dê uma olhada em "Intocáveis" só por curiosidade. Doer não vai...




Kal J. Moon está aguardando o remake brasileiro de "Intocáveis", dessa vez estrelado por Leandro Hassum e Marcius Melhem. Aí, sim!!!

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