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    terça-feira, 8 de janeiro de 2019

    CRÍTICA [CINEMA] | "Meu Querido Filho", por Kal J Moon

    Dirigido por Mohamed Ben Attia, estrelado por Mohamed Dhrif, Mouna Mejri e Zakaria Ben Ayyed, "Meu Querido Filho" mostra como uma simples enxaqueca virou uma grande dor de cabeça para uma simples família do Oriente Médio...


    Arroubos da juventude
    Ainda que não seja popular no Brasil, o cinema feito na Tunísia tem - guardadas as devidas proporções - muitas semelhanças com a cinematografia brasileira. Ambas costumam esquematizar projetos com grande valor de produção, privilegiando o que é filmado in loco do que em estúdio, com fotografia geralmente funcional mas sem grandes ousadias e direção de elenco que tenta trazer a verdade da cena em vez de uma grande interpretação da mesma. O que importa é a história, em primeiro lugar e sempre. Com "Meu Querido Filho" não é diferente.

    Na trama - que se passa na Tunísia dos dias de hoje -,  acompanhamos a família de Riadh, um homem que está prestes a se aposentar. Ele e a esposa, Nazli, têm as atenções voltadas para o único filho, Sami, que está se preparando para os exames do vestibular. Mas as rotineiras crises de enxaqueca do jovem deixam o casal sempre em alerta. Quando tudo parece estar melhor, Sami desaparece de repente.. Então, seu  pai faz de tudo para reencontrá-lo mas as coisas não saem como esperado.

    A visão do diretor Mohamed Ben Attia é bem segura do que necessita mostrar. Ainda que o roteiro demore um pouco mais do que o necessário para ir do confortável cenário pré-estabelecido da família harmoniosa ao desespero da busca incessante de um pai que descobre que, talvez, não conhecesse seu próprio filho tão bem assim, temos uma tensão constante e um suspense premente na "investigação" de um senhor bronco e sem habilidades extraordinárias procurando quase desesperadamente por seu rebento.

    É curiosa a construção da ~"verdade" de cada cena. Desde os momentos domésticos até a saga vivida por esse senhor, tudo parece crível, cada reação é justificada e nada exagerada.


    Quando o espectador chega às conclusões desta história, fica-se a sensação de que não se sabe o suficiente sobre as decisões que levaram aquele filho a deixar o seio familiar - mesmo que ele próprio explique numa cena, que não dá para ter certeza de que aquilo aconteceu mesmo ou que foi apenas uma desculpa para seu pai ter o que explicar à esposa e não parecer um derrotado por completo. Essa dualidade torna a trama ainda mais interessante e reflexiva, revelando que, por mais que mães e pais se esforcem, filhos e filhas vão ter de aprender a viver errando e acertando.

    Um filme que reflete grande parte da insatisfação com essa juventude mimada ao extremo - não importa em que país esteja, são irritantemente iguais neste aspecto... -, com acesso a muita informação mas sem saber direito o que fazer com ela... Vale a conferida e o debate após a exibição.



    Kal J. Moon foi um bom filho e é um bom pai. Isso basta.
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