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    quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

    CRÍTICA [CINEMA] | "Vidro", por Kal J. Moon

    Escrito e dirigido por M. Night Shyamalan, estrelado por Bruce Willis, James McAvoy, Samuel L. Jackson, Sarah Paulson, Anya Taylor-Joy e grande elenco, "Vidro" é o encerramento de uma trilogia que ninguém sabia que existia.


    "Dizem que esse tem um final diferente...."
    Nós últimos anos, Shyamalan passou de um cara odiado por muitos a um cineasta com o qual possamos nos importar com seus filmes. Após deslizes como "Fim dos Tempos" e "A Visita" (mesmo que esse último tenha feito muito dinheiro nas bilheterias e garantido um novo público aos filmes criados por Shyamalan), foi mesmo com "Fragmentado" que tanto novos como antigos fãs passaram a torcer por sua verve narrativa. Até porque sabe-se na última cena desse filme, que trata-se de uma continuação direta de "Corpo Fechado", seu filme mais cultuado (mesmo que crítica e público torceram o nariz quando de sua estreia há quase vinte anos).

    Devo dizer que esse momento é muito importante para mim, uma vez que minha primeira crítica foi justamente de "Corpo Fechado", numa publicação independente sobre cultura POP chamada "Impressão Digital", no já distante ano de 2001. Vale salientar que o filme foi um dos que mais assisti na vida, estudando sua linguagem, narrativa, interpretações - chego a pronunciar algumas falas a cada reexibição - pois considero um verdadeiro libelo à arte das histórias em quadrinhos (hoje laureada mas o mundo era bem diferente no início dos anos 2000 - acredite, não era legal ser chamado de "nerd", bem, ainda não é...).

    Dito isso, informo que sua expectativa é que vai ditar se esse filme vai funcionar para você.

    Na trama, David Dunn (Willis) prossegue fazendo rondas noturnas e combatendo o crime como vigilante com a ajuda de seu filho Joseph (Spencer Treat Clark), agora um rapaz metido a hacker. Até que Dunn esbarra em Hedwig (McAvoy) e descobre, através de seus poderes ~"mediúnicos", onde um grupo de cheerleaders estão presas pelo homem com múltiplas personalidades. Enquanto se enfrentam, a polícia chega e, junto com a Dra. Ellie Staple (Paulson), leva-os a uma respeitada instituição de tratamento psiquiátrico, que tem como paciente... Elijah Price (Jackson), mais conhecido como "Senhor Vidro".

    O roteiro de Shyamalan peca por não saber direito a quem agradar. Não importa se ele fez de "Vidro" nada mais que "Fragmentado 2" com fortes interferências de "Corpo Fechado 1 1/2". O que importa é que ele precisa, após o inesperado sucesso de "Fragmentado", não decepcionar a quem curtiu o filme estrelado por McAvoy tanto quanto os poucos mas fiéis seguidores da película estrelada por Willis e Jackson. O real problema aqui é que temos o tom de "Corpo Fechado" com a narrativa cinética porém psicológica de "Fragmentado" colidindo e se esmurrando. Se o espectador sentiu uma certa "estranheza" por conta da revelação no terceiro ato de "Fragmentado", bem, vai ficar bem desconfortável quando souber o que o espera em "Vidro". E, por conta disso, bem, alguém sairá decepcionado, de acordo com sua própria expectativa.

    Infelizmente, o roteiro é um tanto extenso, cheio de cenas desnecessárias, criando "barrigas" onde não deveria, estendendo-se por puro luxo de querer trazer a ~"realidade" para perto da ~"fantasia" (tópico constante na grande maioria dos roteiros escritos por ele ) estabelecida nos dois primeiros filmes da trilogia. É como se "Tio Shy" tentasse espremer e ampliar todos os conceitos que necessitariam de muito mais espaço para se desenvolverem e ele estivesse preocupado apenas em terminar essa "saga" para, quem sabe, aplicá-la melhor em outra mídia, como a TV ou os portais de streaming, num seriado que se passaria antes ou depois desses filmes.

    A trama trata esses "super-seres" como uma anomalia - algo bem ofensivo quando se percebe a real alfinetada cheia de preconceito em relação ao consumo desenfreado promovido por produtos direcionados ao público geek / nerd / POP (mas parte do que é dito pode ser encarado como a mais pura verdade). E não, não tem como entender "Vidro" plenamente sem ter assistido "Corpo Fechado" e "Fragmentado".

    Existem boas cenas, é verdade, e um pouco mais de coerência em relação às personagens de James McAvoy - que, aliás, sem sombra de dúvida, é a estrela aqui, ainda que um pouco a contragosto. Mas tinha de ~"idiotizar" o restante das personagens (repare como a maioria das pessoas parecem meio bobas sem um motivo aparente) para dar destaque a ele? Bem injusto um filme que se chama "Vidro" onde Samuel L. Jackson aparece menos que os outros personagens...

    O numeroso elenco está bem e até tem participação equilibrada - somente Anya Taylor-Johnson tem um papel menor (ainda que importante) em relação ao que vimos em "Fragmentado" mas nada que realmente atrapalhe o entretenimento.

    Nós quesitos técnicos, a trilha sonora é okay, evocando tanto o heroísmo quanto a vilania como dois lados de uma moeda riscada. Já a direção de fotografia tem diversas tomadas com ângulos ousados e planos fora do básico, emulando perfeitamente painéis de história em quadrinhos.

    Apesar dos problemas apresentados, "Vidro" encerra dignamente a trilogia desse ~"universo"  ultra-contido. Mas repito: vá assistir com expectativa baixa ou talvez acabará se iludindo e esperando um filme completamente diferente do que foi proposto por Shyamalan, que até "passa de ano" (raspando), mesmo que ainda precise se desvincular de alguns vícios como autor. Melhor sorte na próxima...




    Kal J. Moon sempre foi chamado de "perturbado" quando criança mas nunca desenvolveu super-poderes. Isso foi o que todo mundo pensou... (risada maligna)
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    1 comentários:

    Item Reviewed: CRÍTICA [CINEMA] | "Vidro", por Kal J. Moon Rating: 5 Reviewed By: Kal J. Moon
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