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    quarta-feira, 20 de abril de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Amor Por Direito", por Marlo George

    De tudo que existe de mais odioso na natureza humana, nada supera a indiferença. 

    Mais do que a intolerância, que nos separa entre os que estão certos e errados, a indiferença é uma das fontes primordiais das injustiças praticadas. Laurel Ann Hester sofreu com a intolerância por ser gay em uma sociedade conservadora, mas foi a indiferença dos vereadores do Condado onde vivia - que se negavam a lhe conceder o direito de garantir pensão para sua companheira, Stacie Andree - que lhe motivou a se engajar no movimento que viria a ser um dos responsáveis pela Lei que garantiu direitos civis mais amplos aos homossexuais dos EUA.

    Sua inspiradora história é contada em Amor Por Direito, novo filme do diretor Peter Sollett.


    O tema do longa incomoda muita gente. A própria palavra GAY desperta ojeriza, visto que existem dezenas de palavrões que lhe são sinônimos. Direitos civis para gays então, pode ser deveras escandaloso para alguns setores da sociedade, que pretendem - mesmo que de maneira velada - jogar os homossexuais para debaixo do tapete, alienando-os de seu convívio. Se fosse possível mantê-los na marginalidade, de onde saíram após os movimentos de orgulho gay terem se multiplicado pelo mundo, acredite, essas pessoas ainda estariam lá, expostas à todo tipo de violência e sem a mínima proteção do Estado.

    Deste modo, Sollett entrou em terreno perigoso. Seu trabalho ao conduzir o longa foi tão eficaz, que é  preciso ser muito cínico para não se importar com a causa de Laurell. Ela está morrendo, vítima de uma forma de câncer violento e está com os dias contados. A motivação da personagem é seu amor por sua companheira Stacie. Ela sabe que se conseguir mudar a Lei de seu Condado poderá garantir, em parte, o futuro de Stacie através de uma pensão e de bens que lhe seriam transferidos. Tudo é mostrado com muito bom gosto, sem apelações e com ternura raramente vista em romances de casais tradicionais no cinema. Sollett foi muito bem sucedido em seu mister.

    Laruell é interpretada por Julianne Moore, atriz vencedora do Oscar por Para Sempre Alice, e por mais que possa parecer repetitivo vê-la novamente encarnado uma mulher doente de personalidade forte, sua Laurell difere muito de Alice. O trabalho de composição é ímpar e sua performance vai melhorando conforme o filme vai avançando.


    A tarefa difícil de interpretar Stacie coube à Ellen Paige. Homossexual assumida e ativista da causa gay, o papel lhe cai como uma luva. Sem exagerar na tinta, Paige mostra a maturação de sua personagem com muita delicadeza. Ela enfrenta alguns tabus em sua trajetória, como ser gay e se casar com uma pessoa muito mais velha. Além disso, Stacie manteve-se ao lado de Laurell após a doença e é preciso ser muito forte, e amar muito, para enfrentar tudo que ela teve que encarar. Paige nos mostra essa luta com uma interpretação muito competente.

    Michael Shannon (o Zod de Homem de Aço) e Steve Carell ( Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo) interpretam personagens fundamentais na narrativa e estão igualmente incríveis. Carrell inclusive salva o filme de um ranço de produção panfletária com seu talento. Antes dele aparecer, Amor Por Direito estava meio "chatinho", mas assim que Carell invade a tela, o filme ganha fôlego novo e dinâmica.


    Recomendadíssimo para conservadores (eles ainda tem cura), Amor Por Direito é um filme engajado, divertido e quebrador de barreiras. Saber que é inspirado em fatos reais torna-o, acima de tudo, necessário.



    Marlo George assistiu e escreveu. R.I.P. Laurell Hester.
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