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    quarta-feira, 30 de novembro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Chegada", por Kal J. Moon

    O diretor Denis Villeneuve retorna ao cinema de ficção científica com "A Chegada" para contar uma desafiadora história estrelada por um elenco estelar que conta com nomes como Amy Adams, Jeremy Renner, Forrest Whitaker e deixa uma questão no ar: como seria um contato extraterrestre na vida real?
    Dra. Louise Banks (Amy Adams) em seu
    primeiro contato alienígena: tensão (Divulgação)

    Experiência real com seres imaginários
    Poucas vezes se viu no assim chamado cinema comercial um filme que pudesse forçar os limites de cada espectador em aceitar o que se propõe numa história. Independente de se acreditar ou não na existência de alienígenas, especular como os humanos reagiriam ante a essa inóspita situação não é assunto novo no cinema, mas poucos souberam conduzir de forma exemplar.

    Indicado a oito Oscars (incluindo Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado) e baseado num obscuro conto de Ted Chiang (publicado recentemente no Brasil), o roteiro de Eric Heisserer (do péssimo "Quando as Luzes se Apagam") resolve muitas armadilhas recorrentes em filmes do gênero. Mesmo que não o afaste da ficção científica convencional, adiciona elementos humanos o suficiente para que a plateia se encante, se emocione e se questione - tudo ao mesmo tempo. Os conceitos apresentados na história formam o que há de melhor em termos de criatividade e invenção.

    Na trama, quando seres interplanetários chegam ao planeta Terra, a doutora em linguística Louise Banks (Amy Adams) é procurada por militares para traduzir a linguagem desses seres e desvendar se representam ameaça. No entanto, a resposta pode ajudar Louise a descobrir muito mais do que uma nova forma de se comunicar.
    Uma das doze naves alienígenas que pousaram na Terra
    (Divulgação)

    Denis Villeneuve deixa de importar-se apenas com o visual de seus filmes para comandar, literalmente, uma dramaturgia de peso. Repleto de interpretações críveis - com destaque óbvio para Amy Adams (indicada ao Globo de Ouro pelo papel mas completamente esnobada nas indicações do Oscar) -, Villeneuve pega tudo o que o roteiro tem de bom e confia em seus atores para que cada cena valha a pena ser contada - visualmente e emocionalmente.

    Amy Adams nos faz acreditar que não é uma mera tradutora ou linguista mas sim algo demasiado humano. Cada take mostra que há um relacionamento real entre personagens e espectadores. E nenhuma falta de indicação a prêmios vai tirar seu mérito.
    A humanidade se desespera frente ao inesperado
    (Divulgação)

    Porém, o principal problema do filme é seu terceiro ato. Existe uma construção muito bem feita para um desenlace que fica devendo as necessárias resoluções da história - ou parte dela. O espectador presencia o desfecho apenas da vida da linguista porém de forma incompleta. Nem todas as respostas são dadas e não se tem como deduzir como tudo termina.

    Não, não é um filme ruim - muito pelo contrário. Além da bela direção de fotografia de Bradford Young, "A Chegada" tem uma história que cativa mas decepciona em alguns aspectos. Nada que comprometa o entretenimento mas poderia ter sido bem melhor resolvido. Perdeu-se na tradução.


    Kal J. Moon sempre teve problemas em comunicar-se. Talvez porque seja um alienígena...
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