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    quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Estrelas Além do Tempo", por Kal J. Moon

    Dirigido por Theodore Melfi, "Estrelas Além do Tempo" ('Hidden Figures') traz temáticas bem atuais - mesmo que o filme se passe na década de 1960 - ao relatar uma curiosa história real, com um elenco bacana com nomes como Taraji P. Henson, Octavia Spencer, a cantora Janelle Monáe, Jim Parsons, Kevin Costner, Mahershala Ali e participações especiais de Kirsten Dunst, Aldis Hodge e Glen Powell.
    Da esq. para dir.: Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe
    são as heroínas de "Estrelas Além do Tempo" (Divulgação)

    Sobre diferenças e matemática humana

    E se te dissessem que as pessoas responsáveis por grande parte do avanço no setor tecnológico da NASA em relação às viagens espaciais foram três mulheres negras? E se te dissessem que isso foi encoberto por se tratar de um sistema nada igualitário de trabalho praticado nos Estados Unidos desde os anos 1950? E o mais importante: por que esse fato ficou escondido por tanto tempo?

    Bem, se houve espanto de sua parte ao ler essas perguntas, talvez esse filme seja feito especialmente para pessoas como você.

    Baseado no livro de Margot Lee Shatterly e indicado a três Oscars (incluindo melhor filme), "Estrelas Além do Tempo" conta a impressionante história de Katherine Johnson (Taraji P. Henson), Dorothy Vaughn (Octavia Spencer) e Mary Jackson (Janelle Monae) - brilhantes mulheres afro-americanas que trabalharam na NASA e foram os cérebros por trás de uma das maiores operações da História: o lançamento em órbita do astronauta John Glenn (Glen Powell), uma conquista fantástica que restaurou a confiança do país, mudou a Corrida Espacial e mudou o mundo. O trio visionário atravessou todas as barreiras de gênero e raça para alcançar o direito de mostrar suas habilidades em favor dos Estados Unidos.
    Uma mera sugestão de posicionamento de parafusos muda todo o projeto...
    (Divulgação)

    "Estrelas Além do Tempo" tem um tema forte e bem conduzido. Trata daquelas figuras obscuras que sempre existiram mas não alcançam o reconhecimento por fazerem parte daquilo que se convencionou chamar de 'minorias'. O que essa necessária história nos mostra é que esse tipo canhestro de prática ainda acontece nos dias de hoje. E não é apenas por preconceito racial ou misoginia. É por aquela bruta ignorância que permeia a mente de quem está, por algum motivo, numa posição acima na escala corporativa. E, se hoje, mesmo com firmes combates, ainda se tratam mulheres de forma inferior, imagine como se tratavam mulheres negras na década de 1960? Aquelas mulheres eram brilhantes em matemática mas 'diferentes' por serem mulheres e, ainda por cima, não possuírem a cor da pele ~'correta' para ascender em seus setores.

    O roteiro de Alison Schroeder, Lori Lakin Hutcherson e do próprio diretor Theodore Melfi não alivia. Mesmo que mostre momentos hilários como o policial que estava a ponto de prender as protagonistas por serem mulheres negras paradas à beira da estrada com um carro quebrado mas muda de ideia ao saber que elas trabalhavam para NASA e eram ~'verdadeiras patriotas' - afinal, a luta era contra os russos, né? Mas existem muitos momentos no filme que despertam a ira de qualquer pessoa e que nos faz perguntar se não seria óbvio não acontecer dessa forma pois eram condições sub-humanas de trabalho. Mas, daí, o espectador lembra-se que essa história é real e se passou na preconceituosa década de 1960.

    O diretor Theodore Melfi (do bacana 'Um Santo Vizinho') conduz toda a com equilíbrio e parcimônia, ainda que algumas cenas completamente desnecessárias pudessem tranquilamente ficar de fora do corte final. Nada que estrague o entretenimento mas...

    O destaque positivo do filme é, além do roteiro, seu afiado elenco. Quem brilha mais é realmente Taraji P. Henson - injustamente ignorada pelo Oscar - que entrega uma performance bem interessante, interpretando uma personagem relutante em alguns momentos, decidida em outros, fruto das estranhas circunstâncias. Octavia Spencer - indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante - realiza um trabalho decente mas sua personagem tem menor destaque, embora tenha cenas poderosas e totalmente intrínsecas à trama. Quem também se destaca é a cantora Janelle Monáe, mostrando que além de uma bela voz, não faz feio quando o assunto é atuação. Sua personagem alterna drama e comédia de forma adequada, fazendo com que o espectador acredite em sua 'verdade'.
    Kevin Costner é o chefe durão mas de bom coração
    (Divulgação)

    O resto do elenco também não decepciona. Mesmo que centrado no trio de protagonistas, há destaque também para as personagens interpretadas por Kevin Costner - o típico chefe cansado de tudo mas que espera que a equipe dê o máximo para alcançar o objetivo -, Jim Parsons - que, mesmo não se livrando de alguns maneirismos do Sheldon (do seriado 'The Big Bang Theory'), surpreende posivitamente como um funcionário que parece não concordar em trabalhar com uma mulher negra no mesmo setor que ele, nem mesmo descobrir que ela executa suas tarefas MELHOR que ele! - e Kirsten Dunst - outra personagem que mostra de forma direta como era velado o preconceito contra negros naquela época (repare numa cena perto do terço final onde ela explica, no banheiro, seu comportamento a Octavia Spencer).

    A trilha sonora criada por Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer e Pharrell Williams é um verdadeiro achado, reproduzindo o que se ouvia e o que se compunha em trilhas cinematográficas da época. A direção de fotografia comandada por Mandy Walker (de "Australia") trabalha com cores vibrantes em determinados momentos, reproduzindo o que se esperava dos Estados Unidos na época: um futuro brilhante, guiado pelas estrelas.

    Esse é aquele tipo de filme para (re)ver uma era que se foi e para se questionar porque determinados hábitos ainda persistem em pleno século 21. Um filme emocionante, necessário, imprescindível e imperdível. Especialmente recomendado para quem não entende a luta por igualdade de condições das mulheres - de qualquer etnia - no mundo atual. Mas longe de ser panfletário. Que bom!


    Kal J. Moon não suporta preconceito de qualquer espécie. Mas entende que está no futuro e não em 1960...
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