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    quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Um Homem Chamado Ove", por Kal J. Moon

    Escrito e dirigido por Hannes Holm, estrelado por Rolf Lassgård, Bahar Pars, Filip Berg, Ida Engvoll e grande elenco, "Um Homem Chamado Ove" ('En man som heter Ove') é um sensível filme sueco que tem duas indicações para o Oscar 2017 (incluindo Melhor Filme Estrangeiro) e mostra que um dos efeitos da solidão é a morte. Literalmente.
    Parvaneh (Bahar Pars) e Ove (Rolf Lassgård): amigos improváveis
    (Divulgação)

    As aparências sempre enganam...
    Os neurastênicos são comumente confundidos com pessoas ranzinzas, que não aceitam opiniões alheias e de temperamento forte. Okay, isso pode ter lá seu fundo de verdade mas os roteiristas sempre arranjam uma forma de transformar os neurastênicos em personagens cativantes, cujos filmes geralmente acabam chamando a atenção. Foi assim com "Melhor É Impossível" (que rendeu o Oscar a Jack Nicholson e Helen Hunt) e no recente "Um Santo Vizinho" (estrelado por Bill Murray mas completamente esnobado pelas premiações). E chegou a vez de conhecermos "Um Homem Chamado Ove" mas não pelas mãos de Hollywood - ainda bem...

    Na trama, Ove (o excelente Rolf Lassgård) mora num condomínio, gosta de regras a serem cumpridas e, à primeira vista, é o homem mais rabugento do mundo. Ele nunca foi do tipo sociável, é verdade. Mas tudo piorou desde a morte da mulher, que ele adorava. Até o dia em que ele é despedido do emprego que exercia há mais de 40 anos. Daí, sem aparentemente nada a perder, Ove decide suicidar-se. Mas isso não é o fim. É apenas o começo de muitas situações pitorescas para quem só queria morrer em paz para reencontrar a amada.
    Ove (Lassgård) visitando sua amada (Divulgação)

    O barato de assistir esse filme - ou qualquer outro estrelado por uma personagem detestável - é ver que, talvez, não seja tão desagradável assim. Afinal, de perto ninguém é normal mas dá pra enxergar melhor algumas nuances. E o roteiro escrito por Hannes Holm - que também dirige o filme e mostra sua visão do que está escrito no livro de Fredrik Backman (já publicado no Brasil) - cadencia bem como criar carisma numa personagem - a princípio - desprovido dessa qualidade. Sabe aquele tipo de atitude que te leva a dizer "olha, ele pode ser grosso mas, nesse ponto, até que ele tem razão"? Ove é esse tipo de personagem.

    Brilhantemente defendido por Rolf Lassgård, vemos um filme que, nas mãos erradas, viraria um pastiche teatral - o que, definitivamente, não é o caso aqui. Holm tem uma visão bem clara dos limites impostos pelo protagonista e percebe-se que Lassgård está à vontade no papel. Domina a cena sem precisar forçar uma impostação falsa ou um comedimento desnecessário. Vê-lo atuar nesse filme é quase como ver um documentário, de tão "reais" que são suas reações. Ove é contraditório. Não suporta o cachorro de uma vizinha mas não deixa que ninguém maltrate uma gata. Não é a favor de homossexualismo mas resolve ajudar um homossexual por conta de um motivo bem peculiar. Despreza visivelmente estrangeiros mas acaba ficando amigo de uma família nessas condições. Tudo isso à contragosto, claro, movido por motivos que são muito bem explicados pela trama...
    Ove (Lassgård), Parvaneh (Pars) e seus filhos: inaptidão para infantes...
    (Divulgação)

    Mas o filme não é apenas o candidato sueco ao Oscar. Há uma gama de qualidades relativas que o fazem sobressair dentre outros filmes do gênero. A direção de fotografia comandada por Göran Hallberg torna o condomínio onde se passa a maior parte da trama num lugar aconchegante, apesar da oscilação entre manhãs cinzentas e um céu azulado. A trilha sonora de Gaute Storaas capta o perfeito exemplo do que seria a solidão se fosse musicada.

    O mais interessante em "Um Homem Chamado Ove" é que, mesmo tendo um tema pesado como solidão, depressão pós-luto e suícidio, ainda existem momentos cômicos, mesmo que estejam completamente ligados ao cerne da trama. Esse é o filme que vai fazer cada um de nós olhar diferente para aquele vizinho resmungão. Porque, talvez, ele tenha um pouco de motivo em reclamar como o mundo está hoje. Pense nisso...


    Kal J. Moon é neurastênico por natureza. Um dia, morre disso. Mas não sem reclamar muito antes...
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