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    quarta-feira, 15 de novembro de 2017

    CRÍTICA [CINEMA] | "Liga da Justiça", por Kal J. Moon

    Dirigido por Zack Snyder, escrito por Chris Terrio (com participação de Joss Whedon), estrelado por Ben Affleck, Gal Gadot, Jason Momoa, Ezra Miller e Ciarán Hinds - com participações de Jeremy Irons, Amy Adams, Diane Lane, Amber Heard, Joe Morton e Connie Nielsen -, "Liga da Justiça" reúne os maiores heróis das histórias em quadrinhos publicados pela editora estadunidense DC Comics.

    Uma nova esperança
    "Ah, esse filme eu não vou assistir nem que me paguem!", vociferou um balconista de uma certa livraria que frequento regularmente em Botafogo (RJ), quando mencionei que assisti o filme da Liga da Justiça. Calei-me pois não precisava perguntar os motivos, uma vez que era óbvio que ele - como muitos no Brasil e no mundo - não gostou de "Batman V Superman" e os outros filmes predecessores dessa franquia da Warner Bros. E "Liga da Justiça" tem esse peso e essa difícil missão: converter antigos e novos fãs para assistir essas histórias com esses personagens tão queridos. Não que os outros filmes tenham dado tãããããão errado assim - pelo menos financeiramente falando. "Mulher-Maravilha"- o mais recente deles - mesmo com todos os problemas de produção (visíveis na péssima condução e nos diálogos fracos) arrecadou quase um bilhão de dólares na bilheteria ao redor do mundo e foi muito bem recebido mesmo por quem torcia o nariz para a personagem. E, com "Liga da Justiça" chegamos a um momento que, se não é histórico, chega bem perto disso.

    Na trama, alimentado por sua fé restaurada na humanidade e inspirado pelo ato de altruísmo de Superman (Henry Cavill), Bruce Wayne (Ben Affleck) busca ajuda de Diana Prince (Gal Gadot), sua nova aliada, para encarar um inimigo ainda maior. Juntos, Batman e Mulher-Maravilha trabalham rapidamente para encontrar e recrutar um time de meta-humanos para encarar essa ameaça recém-desperta. Mas apesar da formação dessa liga sem precedentes de heróis - Batman, Mulher-Maravilha, Aquaman (Jason Momoa), Ciborgue (Ray Fisher) e Flash (Ezra Miller) - talvez seja tarde demais para salvar o planeta de um ataque de proporções catastróficas.

    Ok. A trama desenvolvida por Chris Terrio e Joss Whedon é curriqueira mediante a tudo o que já vimos em matéria de histórias em quadrinhos, animações mil ou filmes de super-heróis: vilão super-poderoso quer dominar o planeta Terra, heróis se unem com dificuldade, enfrentam o valentão e, após um grande esforço, salvam o dia. quantos filmes você já viu assim? Até mesmo alguns que nem tem super-heróis, não é mesmo? Porém, mesmo debaixo de todas as adversidades, "Liga da Justiça" funciona.

    Certo, não é uma história que aprofunde dramaticamente a psiquê de cada personagem, ainda que haja bons momentos. Existe um bom equilíbrio entre o bom humor e as cenas de ação (nada espetaculares como andam dizendo por aí mas eficientes até certo ponto). O tom beira o QUASE infantil mas de propósito, sem forçação de barra ou truques baratos para conquistar a audiência mais jovem. O elenco é carismático, sem maiores destaques em matéria de atuação, mas rendendo boas cenas e a química de todos reunidos funciona muito bem, melhor até para quem imaginava um verdadeiro desastre narrativo - Flash (Ezra Miller) tem destaque óbvio por ser o alívio cômico (assim como nos quadrinhos, animação e série de TV), ao lado de um surpreendente Aquaman (Jason Momoa), que desempenha o papel equivalente à força bruta da equipe.

    E sim, "Liga da Justiça" tem humor. Diversos momentos engraçados. Mesmo. E não, isso não ofenderá a inteligência do espectador pois, mesmo que não seja uma comédia rasgada, a parte divertida da história foi criada em parcimônia com relação à dramaticidade e à aventura. Equilíbrio é a palavra-chave aqui. Mesmo com um vilão pomposo - com voz de Ciarán Hinds no originalcom o propósito mais clichê de todos os tempos - conquistar o planeta Terra PORQUE SIM -, tornando-o bem genérico lado a lado com tantos outros por aí.

    (E como outra pessoa também já mencionou, o filme tem elementos muitos próximos de um episódio da série animada "Liga da Justiça - Sem Limites" - mas não um episódio memorável)

    A trilha sonora composta por Danny Elfman (responsável por melodias assobiáveis em "Batman" e praticamente a maioria dos filmes dirigidos por Tim Burton, temas reconhecíveis por qualquer pessoa que curte cinema moderno) é consistente e competente mas nada de extraordinário, mesmo remetendo aos temas do filme "Superman" (1978) e a série animada do Batman. Apesar de um tanto genérica, funciona. Mas não ficará na memória de muitos após a sessão terminar. Pena...

    Infelizmente, o que "Liga da Justiça" ganha em desenvoltura, perde em aspectos técnicos. Toda a parte de efeitos especiais feitos em imagens geradas por computador deixou o filme com ~"cara de videogame", um visual muito artificial, pasteurizado e feito às pressas. Algumas cenas beiram o absurdo dado o recorte de atores frente a uma tela verde que quase dá pra ~"enxergar" a manipulação feita para inserir cenários e atores que não estavam originalmente lá.

    (para quem não sabe, "Liga da Justiça" teve uma primeira montagem que foi rejeitada por executivos da Warner Bros e passou por severas refilmagens, comandadas por Joss Whedon - que alterou boa parte do roteiro original, criando novas cenas e mudando o desfecho do filme -, substituindo Zack Snyder após um motivo realmente funesto)

    Mas contrariando tudo o que se viu nos trailers (e tem muitas cenas que NÃO ESTÃO no filme - aguarde por uma "versão definitiva" em DVD ou Blu-Ray em breve com cenas inéditas e tal), o visual do Ciborgue (Ray Fisher) não comprometeu a experiência e não irritou tanto quanto se imaginou. Vendo-o em movimento com o desenrolar da história deu para aceitar melhor - assim como aceitamos um 'transformer' (mesmo que um 'transformer' tenha um visual mil vezes melhor em seus filmes). Ah, sim: o 3D de cada cena do filme é perfeitamente descartável. Pode assistir numa sessão comum, economize uma grana e poupe seus olhos.

    >>> ATENÇÃO: Os parágrafos a seguir terão alguns spoilers considerados mais "leves" mas que podem comprometer sua diversão. Leia por sua própria conta e risco. Se não quiser se arriscar, pule os parágrafos e vá ao final da crítica, ok?

    [INÍCIO DA ÁREA DE SPOILER]
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    E, depois de muito tempo tentando, finalmente temos um Superman mais próximo do que é apresentado nas histórias em quadrinhos, animações e séries de TV, num verdadeiro retorno às origens - SIM, Superman ESTÁ no filme e tem papel ativo na história. A direção dada à personagem é quase um "reboot" dentro da franquia, trazendo características que o tornaram um ícone da cultura pop em geral. E vemos o esforço do ator Henry Cavill para corresponder à altura. Para os detratores do ator - eu incluso -, dá pra notar que era tudo uma visão - talvez equivocada - do roteiro e direção dadas ao intérprete.

    Existem alguns bons easter-eggs para quem curte as histórias em quadrinhos, alfinetadas discretas à Disney e a um herói mutante da Marvel, citações visuais a super-uniformes - dos gibis e séries de TV - e ainda uma menção direta a um livro clássico de autoria de Stephen King, numa das cenas mais engraçadas do filme. E temos menções VISUAIS à Tropa dos Lanternas Verdes e Shazam! Como? Só assistindo! Mas está tudo interligado...

    E, claro, como não poderia deixar de ser, existem duas cenas pós-créditos. A primeira é uma engraçada tomada entre dois personagens da Liga da Justiça, que é uma homenagem direta a uma clássica história em quadrinhos - algo prenunciado no terço final do filme mas concretizado aqui. E outra, totalmente séria, envolvendo TRÊS vilões, o que pode ser um indício de que voltarão ou num segundo filme da Liga da Justiça (se é que vai acontecer pois, ao final deste filme, tem-se a impressão de que os heróis demorarão para se reunir novamente) ou - meu palpite - no vindouro filme do Batman, que já está em produção.
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    [FIM DA ÁREA DE SPOILER]


    Talvez quem curtia o que Zack Snyder vinha fazendo com os personagens da DC Comics direta ou indiretamente - independente de se gostar ou não, há de se admitir que era muito diferente do que vem sendo feito neste tipo de filme desde o fim da trilogia do Batman comandada por Christopher Nolan -, pode não apreciar "Liga da Justiça" e sentir-se ~"traído" por conta do estúdio seguir outra visão, um pouco mais leve e bem humorada (talvez esse tenha sido o plano desde o começo - o que duvido muito pelo andar da carruagem e mediante todos os acontecimentos). Mas, infelizmente, "Liga da Justiça" abandona completamente o rumo construído em "Batman V Superman". Para o bem ou para o mal? Só o tempo dirá.

    Bem, pode não ser o filme que todos gostariam de ver, é verdade. Mas, assim como "Mulher-Maravilha", talvez esse seja o filme necessário para que os personagens da DC Comics voltem às telonas com toda a pompa e circunstância que merecem. E não, isso não parece um preço muito alto a se pagar no fim das contas. Indicado para fãs saudosistas - tem muitas coisas para vocês, acreditem - e também a toda uma nova geração que precisa de heróis e heroínas para inspirá-la. Afinal, estão em falta ultimamente...


    Kal J. Moon presenciou, mais uma vez, o fim de uma era no cinema. Descanse em paz.
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