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    quarta-feira, 15 de maio de 2019

    CRÍTICA [CINEMA] | "A Espiã Vermelha", por Marlo George


    Primeiro filme do diretor Trevor Nunn para o cinema — ele é mais conhecido como realizador de telefilmes — A Espiã Vermelha não é uma cinebiografia e sim um filme baseado na história real da espiã Melita Norwood, inglesa que repassou informações secretas do programa atômico o Reino Unido para o governo russo. Conhecida como "A Vovó Espiã", Norwood passou mais de cinquenta anos sem ser identificada e indiciada pela espionagem praticada nas décadas de 40 e 50, até que foi descoberta em 1992. O Ministério da Defesa britânico decidiu não processá-la por conta de sua idade avançada. Ela faleceu em 2005, aos 93 anos de idade.

    Porém, o longa de Nunn traz uma versão romanceada da saga de Norwood, em um roteiro original escrito por Lindsay Shapero, outro conhecido roteirista de telefilmes, em sua maioria séries do gênero documentário. Shapero conta, em A Espiã Vermelha, conta a história de Joan Stanley, interpretada por Judi Dench (em destaque no topo da crítica) e Sophie Cookson, em suas fases idosa e jovem, respectivamente, desde sua sedução e abraço à causa do comunismo soviético, até seu indiciamento por espionagem. Foi com coragem que a jovem Stanley, estudante de física, infiltra-se nos quadros de pesquisadores do projeto atômico, para repassar as informações de que lançava mão para seu amante, o militante Leo Galich (Tom Hughes, de Questão de Tempo) que as repassava para as lideranças do movimento ligado à KGB durante os anos 40. Não só astúcia e coragem foram as armas utilizadas por Joan Stanley, mas também sua beleza. Em nome de sua causa, Joan, ou Red Joan (Joan Vermelha, como foi apelidada no filme, por causa de suas convicções comunistas) lançou mão de seu sex-appeal para concluir sua missão, obtendo êxito em manter seu disfarce e manter-se intocada até que foi descoberta em maio de 2000.

    Apesar de todo o potencial da trama, o filme que assisti é morno, sem sal e chato demais. Judi Dench aparece logo no início do filme, sendo interrogada e dali, daquela sala fria de inquirição, sua personagem começa a fazer reminiscências sobre seus atos, sua missão e seus amores. A atriz demonstra muito pouco do talento que tem, tendo sido, de certa forma, sub-aproveitada. Culpa da direção atrapalhada direção de Trevor Nunn.


    Sophie Cookson (acima), que eu conheci em Kingsman: Serviço Secreto (2014), como a aspirante à agente Roxy, atua como a jovem Red Joan, mas sua atuação é prejudicada pelo roteiro ruim e pela péssima escalação do elenco coadjuvante, especialmente Tom Hughes, com quem compartilha várias cenas ao longo do filme.

    A direção de fotografia, de Zac Nicholson, é burocrática e traz poucos planos interessantes.

    A trilha sonora foi composta por George Fenton, experimentado maestro que já criou trilhas para filmes toscos como Caçador de Recompensas (2010) e ótimos como Feitiço do Tempo (1993). Seu trabalho para A Espiã Vermelha é criativo e belamente executado. Cria tensão nos momentos em que isso é requerido e emociona mais do que o que está sendo projetado em tela.

    No conjunto, A Espiã Vermelha é um filme mediano, com trama previsível, uma vez que as sinopses e o próprio início do longa já entregam o desfecho, e que possivelmente não faz jus à "cinebiografada". A estreia de Nunn na direção, em filmes de cinema, deixou a desejar.



    Marlo George assistiu, escreveu e jamais teria uma caneca do Che. Prefiro do Chewie.
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