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    domingo, 7 de julho de 2019

    CRÍTICA [CINEMA] | "Anos 90", por Kal J. Moon

    Escrito, produzido e dirigido por Jonah Hill, estrelado por Sunny Suljic e grande elenco, "Anos 90" é um retrato fiel não só de uma época distante mas de uma situação muito atual e que precisa ser discutida urgentemente.



    Razão e sensibilidade
    As pessoas tem, em geral, muita dificuldade para tentar entender os jovens e os idosos - talvez por ter perdido a identificação com o que já se foi e com o que pode vir a ser um dia. "A juventude sofre e ninguém parece perceber", como já cantou um certo trovador solitário. E isso fica explícito quando o ator Jonah Hill resolve fazer sua estreia como roteirista e diretor de um filme que se mostra sensível ao mostrar que quando os jovens não tem uma figura forte de identificação em sua família, resolve procurar em seu círculo de amizade, pela mais simples conveniência de interesses em comum, seja um esporte - aqui, no caso, o ato de andar de skate - ou qualquer outra coisa.

    Na trama, Stevie (Suljic) é um garoto de 13 anos que mora em Los Angeles e tentando se enturmar no início de sua adolescência enquanto tenta relevar o relacionamento abusivo com o irmão mais velho (Lucas Hedges) nos momentos em que sua mãe não está em casa. Em plena década de 1990, ele descobre o skate e aprende lições de vida com o seu novo grupo de amigos.

    O filme acerta por não usar uma direção de fotografia límpida e brilhante mas lavada e "suja" em muitos momentos - fotografia comandada com esmero por Christopher Blauvelt (do recente "A Pé Ele Não Vai Longe"), aliada à esperta edição de Nick Houy (de "Lady Bird: A Hora de Voar"), que transforma a trama numa experiência visual coerente com a época representada. O que o espectador vê é o que é visto pelos olhos do protagonista, que vê tudo com simplicidade e aceita os desafios que vêm pela frente como conquistar seu espaço através de méritos próprios - mesmo que tenha de se anular em muitos momentos para ter a aprovação dos que estão a seu redor.

    "Anos 90" acerta em escolher um elenco bem mais jovem do que Hollywood se permite, com uma grande maioria de nomes desconhecidos - à exceção de Lucas Hedges (indicado ao Oscar de Ator coadjuvante por "Manchester à Beira-Mar") - cujos personagens movimentam a trama sem rodeios, mostrando o que acontece quando as referências familiares se perdem e como um indivíduo forma seu caráter. Tudo de forma bem simples e objetiva.

    O destaque óbvio no elenco vai para Sunny Suljic, que não só carrega o filme nas costas por ser o protagonista como torna a experiência ainda mais cativante por conta de ser o mais jovem do elenco. Tem um ótimo futuro pela frente se continuar nesse ritmo. O restante do elenco está correto, cada um com seu papel mais ou menos marcado - o engraçado, o encrenqueiro, o chapado, o sábio e o novato - como um verdadeiro grupo de amigos deve ser, que fala de qualquer assunto sem firulas, entram em algumas encrencas (principalmente perto do fim da trama), decepcionam uns aos outros por suas escolhas, mas amadurecem juntos por conta dos fortes laços da amizade.

    O roteiro e a direção de Jonah Hill mostram maturidade ao expor uma situação que, em outras mãos, poderiam soar piegas - como o uso de drogas e a iniciação sexual, por exemplo - mas aqui mostra-se crua e honesta, provando que, acima de tudo, Hill é um bom contador de histórias, imbuídas de ~"verdade" - mesmo que ficcional.

    (a cena da iniciação sexual tinha tudo para ser mostrada de forma caricata em mãos erradas mas deu muito certo por conta da sensibilidade do direcionamento e ainda mostrou como rapazes e moças lidam com a situação de forma bem diversa)

    O único porém vai para exposições do roteiro em algumas falas que poderiam facilmente ser substituídas por algo mais econômico e visual, trazendo ainda mais dinamismo à trama. Mas a vida real está cheia de exposições e isso só é um defeito quando mostrado no cinema (vai entender).

    "Anos 90" é um filme correto, corajoso e honesto até o osso e que não se preocupar em agradar, imprimindo algumas imagens fortes para exemplificar que a juventude não é a fase mais fácil da vida como costumam dizer por aí.



    Nos anos 1990, Kal J. Moon lia gibis, assistia filmes na TV aberta, era o melhor na sala de aula e se apaixonava todo dia. Era bem legal...
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