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    quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

    CRÍTICA [CINEMA] | "Anomalisa", por Marlo George.


    Um coisa que vem sendo reafirmada todo ano é o potencial que a internet tem de banalizar as coisas. Expertise que esta adquiriu da TV, em especial dos programas de fofocas que fizeram o favor de banalizar o termo celebridade que deveria ser atribuído a pessoas que realmente se destacam em suas áreas e são celebradas por isso, mas que passa a ser alcunha de qualquer famoso (não artista, pois a maioria destes "famosos" não produzem arte) ou participante de reality show. Um dos termos que a internet banalizou recentemente foi "MITO".

    Um mito é qualquer ser ou coisa do qual já se ouviu falar mas nunca se atestou a existência. Poderia ser usado também para definir alguém cujos feitos são extraordinários, mas as redes sociais trataram de  atribuir tal título pra qualquer um.

    Pra mim, mitos não são políticos equivocados, vloggers ou outros bufões. São gente como Stanley Kubrick, Orson Welles, Roy Thomas, Mark Waid, e entre outros, Charlie Kaufman.

    Dono de uma filmografia impar, Kaufman "mitou" ao escrever roteiros incríveis de filmes tocantes como Quero Ser John MalkovichConfissões de Uma Mente Perigosa  e Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (filme que lhe rendeu o Oscar de Melhor Roteiro em 2005), que são indispensáveis e precisam ser vistos por quem se denomina cinéfilo ou amante da sétima arte. Escritos entre 1999 e 2004, estes jovens clássicos se destacam em meio à uma enxurrada de blockbusters e comédias chatas que nos empurraram neste período.


    Agora, após sete anos de ausência, o Mito retorna com Anomalisa, uma  animação em stop-motion que ele assina como roteirista e diretor. Anomalisa conta a história de um escritor de livros didáticos que em um momento de crise, decide que precisa sair da rotina durante uma viagem à trabalho. O interessante no roteiro deste filme animado, é que ele conversa diretamente com a experiencia do expectador. Claro que muitos outros filmes, ou quase todos que tem argumentos inteligentes, já fizeram isso, mas Anomalisa escancara essa relação entre o script e nossas próprias emoções. Por conta disso, o filme pode ser interpretado de várias formas diferente.

    O que impressiona também é que isso ocorre em meio à uma trama simples, como a vida da gente, mas também filosófica e intensa, como a nossa alma.

    Apesar de tudo que foi acima exposto, o filme traz alguns problemas. Por ser demasiado humano, se torna um pouco arrastado e confesso que fiquei sonolento durante a transição do primeiro para o segundo ato. Além disso a nudez é desnecessária e as cenas mais picantes são excessivas à ponto de remeterem à Team America: Detonando o Mundo, que também é um filme animado com bonecos, mas que está muito aquém do longa de Kaufman.


    Pelo próprio processo, que é demorado e requer muito zelo para ser realizado da maneira certa, Kaufamn acabou se ausentando durante os seis anos de produção de Anomalisa, o que gerou  boatos de que ele não teria suportado a má recepção de seu trabalho anterior, Sinédoque, Nova York, que foi lançado em 2007 e foi sua primeira aventura como diretor. Bobagens, porque esta ausência se justifica, uma vez que o mundo de Anomalisa é muito bem desenvolvido e crível. Se não houvesse dedicação total, Anomalisa fracassaria em seus aspectos técnicos, o que não ocorreu.

    O elenco de dublagem conta com Tom Noonan (Sinédoque, Nova York), Jeniffer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e David Thewlis (Saga Harry Potter). Destaque para Nooman que tem um papel fundamental na trama, por isso não falarei muito sobre sua performance para não dar spoilers. Mas posso dizer que ele deve ter tido um trabalhão para dublar todos os personagens coadjuvantes da história. Jennifer e David, que vivem os personagens centrais da trama, Lisa e Michael, dão um show de interpretação, em especial na cena em que suas personagens estão se conhecendo melhor, que é muito singela, com direito a solo à capela de Jennifer cantando um sucesso de Cindy Lauper. Comovente.

    Não fosse por alguns exageros e pelo ritmo, Anomalisa seria um filme melhor do que já é.



    Marlo George assistiu, escreveu e também acha interessante que o Brasil seja o único país latino que fala português.
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